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Há palavras que deixaram de ter significado na vida real, mas estão bem vivas e populares, como “gatuno”, por exemplo, que já ninguém chama a ninguém fora dos estádios, mas toda a gente sabe quem é no futebol. Pelo contrário, de vez em quando, os líderes que se expressam em futebolês, corrente e/ou técnico, brindam-nos com novos significados para vocábulos que já existem.

O palavrão na ordem do dia, por causa dos penaltis e dos VAR, é “volumetria”.

Se bem percebo, os analistas de arbitragem dizem “volumetria” - cujo significado sempre foi “medição do volume” em várias actividades da Química e da Física - para referir o próprio “volume” aumentado do corpo que os jogadores fazem com os braços, para se oporem à passagem da bola.

Podiam dizer simplesmente isso mesmo, "volume", mas talvez a palavra não fosse suficientemente volumosa para a populaça perceber. Os ignorantes dos ingleses (e a FIFA) dizem singelamente “make the body bigger” (tornar o corpo maior).

Neste caso, “volume” é o que os jogadores fazem com os braços, “volumetria” seria a medição pelos árbitros a esse alegado acréscimo circunstancial da área corporal.

Também a análise da Arbitragem nos media, tal como a do futebol em geral, se vem tornando num bicho de sete cabeças, cheia de teorias e teoremas, justificações e presunções, bem distantes do registo nu e cru do saudoso Vítor Correia, o primeiro e nunca superado comentador desta área na televisão portuguesa. Para se perceber a diferença, recomendo Arnaldo César Coelho, todas as segundas-feiras na Sportv brasileira (PFC).

O menos engraçado disto é que já oiço muita gente na rua referir “volumetria” como se significasse "volume", numa evidência de que qualquer ideia, mesmo errada, facilmente se instala em cérebros distraídos: acho extraordinário haver pessoas que conseguem perceber o que a ciência não entende.

Tal como inventaram a impossibilidade física do “duplo pivô” para se referirem ao eixo defensivo do meio-campo (se é duplo não é pivô, se é pivô não é duplo), os percursores do futebolês dão vida a fenómenos semânticos para carregarem o tradicional léxico popular com uma assustadora pseudo erudição, em linha com o roubo do futebol de rua por parte das academias selectivas e pagas.

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