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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

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Roger Schmidt venceu o seu primeiro clássico em Portugal, contra o adversário mais forte do ano, sem deixar perceber uma centelha de nervos ou um esgar de ansiedade, sempre na sua pose seráfica, atenta, esclarecida e, arrisco dizer, superior.
Não faz parte das listas que têm saído nas últimas semanas com os melhores treinadores mundiais, em que figura Sérgio Conceição, mas este jogo vai confirmar uma diferença enorme de, digamos, estilo, que acaba por refletir-se no que a equipa vai fazendo em campo. A calma do treinador, confiante nas capacidades e na preparação, permite à equipa esplanar-se, errar, recuperar, voltar a errar, insistir, até acabar por vingar. E somar triunfos.
O Benfica ficou “carregado” de cartões amarelos muito cedo, devido a sucessivos erros no começo da elaboração ofensiva que obrigaram a faltas cirúrgicas em recuperação. Ninguém viu o treinador aos saltos, invectivando árbitros e jogadores, como é apanágio dos grandes treinadores nacionais. Schmidt limitou-se a observar, a dar-se por satisfeito por Bah não ver também um segundo amarelo e fez o seu trabalho ao intervalo, lá no segredo do seu espaço de eleição, o balneário.
Que tratados de futebol deve leccionar nesse recato, para ter conseguido transformar tão radicalmente uma equipa que estava moribunda há seis meses!
À evidente necessidade de substituir Bah, o treinador alemão juntou João Mário e Enzo Fernandez. Três mudanças ao intervalo, compreensíveis, mas surpreendentes, de quem tem uma confiança ilimitada numa equipa que nem dispõe de um “banco” à altura, salvando o colectivo através do sacrifício de dois dos seus principais jogadores. Notável e para mais tarde recordar, como um dos momentos-chave deste campeonato.
Três substituições ao intervalo já vi fazer por treinadores agastados com más exibições, normalmente de cabeça perdida. Nunca numa equipa que já estava claramente por cima do jogo. Para lá da frescura que adicionou, baralhou os adversários que viriam, certamente, determinados a provocar pelo menos uma expulsão de um daqueles jogadores expostos ao risco.
"De uma forma limpa”, como diz o outro, Roger Schmidt pode estar muito orgulhoso da sua qualidade, competência e coragem, os atributos que distinguem os “melhores”.
 
FOTO Lusa