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Olho para estes jogos de verão envolvendo os principais clubes europeus em estádios cheios de japoneses sorridentes ou de americanos exuberantes como uma visão de futuro. Um dia será assim a Superliga, depois da dissidência dos clubes principais, o UEFexit, que tanto assusta a UEFA neste momento: apenas dúzia e meia de clubes mais poderosos a circular pelo mundo mais rico, como uma espécie de Globetrotters em espectáculos elitistas e inacessíveis aos mortais comuns.

A força do dinheiro já transformou totalmente o conceito de pré-época. Acabaram os tempos dos estágios em retiros espirituais, treinos de carga entremeados com joguinhos de tiro ao alvo com equipas locais de padeiros e fiéis de armazém, progredindo lentamente em torneios “veranieggos" até chegar ao início das competições mais ou menos no ponto. Agora é a abrir: viagens transcontinentais, choques térmicos e climáticos violentos, contactos comerciais com multidões histéricas de adeptos-clientes e jogos com os adversários mais poderosos, ainda que a maior parte dos jogadores não actue mais do que 45 minutos por partida.

Cientificamente, não sei o que resulta melhor, mas os atletas da actualidade não engordam nas férias nem desligam da profissão, sob pena de perderem o comboio na estação de partida. O nível destes jogos fica longe do padrão competitivo a que estamos habituados, mas é extasiante para estes novos públicos, menos exigentes, no Extremo Oriente ou na América do Norte.

São espectadores desportivamente mais tolerantes, mas economicamente mais interessantes e, sobretudo, mais numerosos. As grandes marcas do futebol inglês, espanhol, italiano e alemão já têm mais consumidores no Oriente ou na América do que nos próprios países de origem.

Se transportarmos este balão de ensaio para um contexto futurista, num Mundo cada vez mais apequenado pelas comunicações globais, preparemo-nos para mudar hábitos de décadas. A própria sobrevivência do futebol local pode residir, em parte, na exportação dos espectáculos entre campeões europeus para palcos distantes e nos respectivos “prime times”, mas às nossas horas de almoço ou inícios de madrugada, deixando as “slots” horárias mais valiosas para as competições domésticas.

No sofá de um adepto português seria assim: um Barcelona-Chelsea, do Japão, à hora de almoço, um Sporting ou um Benfica à hora de jantar e um Real Madrid-Arsenal, de Nova York, à meia-noite. Acabaria aquela concorrência desleal dos jogos das equipas grandes da Premier League ou da Liga espanhola à mesma hora do nosso campeonato e, então, seria só escolher entre um Braga-Tondela e um Sevilla-Bilbao ou um Newcastle-Everton.

A Superliga é um projecto imparável, mas o futebol precisará sempre de quem descubra e desenvolva as sucessivas gerações de jogadores. Para que tal seja viável e funcional, as respectivas competições locais terão de ser minimamente aliciantes e competitivas, com carisma e público - e tudo indica que os seus ideólogos procuram chegar a um modelo de negócio que contente todas as partes e todas as escalas.

 

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