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Os adeptos do Sporting que sentiram tanto orgulho pelo número de jogadores da sua formação que fizeram parte das selecções do Euro-2016 e do Mundial-2018, estão agora confrontados com uma autêntica purga a acontecer neste defeso, com 10 atletas já afastados da equipa principal, seja pelo processo de rescisões, seja pela selecção desportiva de José Peseiro.

O Sporting 2018-19 poderá ser o que menos jogadores formados na Academia apresenta na história do clube. Para já, apenas cinco: Maximino, Matheus Pereira, Mané, Jovane e Nani, dos quais nenhum esteve no plantel da última época.
De saída, os dissidentes Rui Patrício, William Carvalho, Gelson, Podence e Rafael Leão, mais os emprestados Geraldes, Gauld, Palhinha, Demiral e Domingos Duarte.
É uma marca que desaparece na equipa leonina, agora com uma prevalência de jogadores estrangeiros, na esteira dos seus principais rivais. E com os problemas evidentes no sector da formação, com a equipa B a ser extinta depois de ter descido de divisão, bem podemos estar perante uma mudança de paradigma e não apenas uma situação conjuntural.

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A lembrança mais antiga que tenho de William Carvalho é da sua primeira época no Sporting, quando ainda trabalhava e via os jogos mais de perto. Lembro-me de um jogador com condições físicas raras, mas algo displicente na abordagem dos lances e que em quase todos os jogos cometia um erro grave e ficava a dever a si próprio algumas oportunidades de chegar perto do golo, particularmente em lances aéreos, desde logo um contraste com as tarefas de médio de ataque a que estava habituado. Leonardo Jardim, que era o treinador na altura, recuou-o no terreno, preferindo os seus pés de lã e visão de jogo à impulsividade e desatino do argentino Rinaudo, e arranjando-lhe colocação influente nos lances de bola parada: várias assistências e, até, golos de cabeça, embora sem continuidade depois da mudança de treinador. Jardim colocou-o na posição certa, mas não teve tempo de lhe dar essa dimensão extra de médio defensivo com capacidade de chegar à frente e fazer golos que, cinco anos depois, continua a ser o seu grande handicap para não justificar o interesse real de um grande clube europeu.

Os anos passaram, chegou Jorge Jesus e William Carvalho continuou sempre como jogador-chave do Sporting, apesar de a irregularidade física ter atraído sobre si uma enorme cobrança e o rótulo de jogador lento. A afirmação de Danilo na selecção acabou também por fazer diminuir o número de membros do clube de fãs de William Carvalho que ficou agora à beira de fechar as portas pela impopularidade da rescisão unilateral de contrato. 

Técnica e tacticamente e pelo estilo das suas acções, William faz-me lembrar Sheu Han, o grande capitão do Benfica de há 35 anos. Dizia-se que tinha pés de veludo e atitude de príncipe, em contraste com uma eficácia impar na recuperação, controlo e distribuição da bola.

No Mundial da Rússia, o trabalho de William Carvalho tem sido assim: os que mais dão por ele são os que se exasperam com o estilo, mas também os treinadores adversários que têm apostado, sem sucesso, em exercer grande pressão sobre o seu espaço, como fez Carlos Queiroz, com uma marcação individual. 

Nem interessa referir que é o jogador que mais quilómetros percorreu até agora e que alguns piques a 30 à hora o colocam entre os mais velozes da competição. Se observarmos bem, na sua zona de acção, a toda a largura do terreno e até aos últimos 30 metros (uma área imensa em latitude e longitude) ele aparece sempre a menos de 20 metros da bola, fazendo-a girar ao ritmo da equipa com uma simplicidade que se confunde com lentidão. Regista uma percentagem de acerto de passes muito superior à média da equipa, já fez dois passes-chave e um número considerável de passes longos também certos (15 em 21). E teve apenas uma perda de bola em três jogos de um campeonato do Mundo, bem menos do que os quatro desarmes de recuperação conseguidos.

Na primeira fase, em percepção do jogo e nas estatísticas, considero que só perdeu para o francês Kanté e para o rei do desarme, o brasileiro Casemiro.

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A selecção de Portugal prossegue a sua saga resultadista. Provavelmente a melhor selecção mundial da actualidade a gerir resultados, mesmo passando completamente ao lado do jogo, como aconteceu hoje frente a Marrocos, prosseguindo em linha com a sequência de empates do Europeu de 2016 que deu origem à conquista do título. Sem ter sequer dez minutos de controlo do jogo, sem atacar durante longos minutos da primeira parte e durante toda a segunda, Portugal conservou um golo oportuno, em pontapé de canto no começo da partida - portanto evoluindo de idêntica situação registada na partida anterior com a Espanha.
Se Fernando Santos diz que é inexplicável, quem sou eu para o contrariar? Mas há factores que justificam esta situação muito melhor do que a produção da equipa (sem esquecer a injusta eliminação de Marrocos, com duas derrotas absurdas).
1 - Cristiano Ronaldo. É incrível, mas já se pode dizer “como nunca o vimos”.
2 - VAR. Não tem funcionado nos jogos de Portugal e, desta vez, ainda bem.
3 - Rui Patrício. Seguro, calmo e concentrado, transformando a pequena área num retiro budista onde nada se passa.
4 - Pepe e José Fonte. Opção clínica de Fernando Santos, facilitada por não haver alternativa.
5 - William Carvalho. A melhorar, um especialista em grandes momentos.
Portanto, a selecção sobe em termos defensivos para o nível obrigatório de quem quer chegar longe, mas está a jogar sem ataque. Com Cristiano, melhor marcador da prova e da história do futebol europeu, mas sem ataque.
As equipas campeãs constroem-se de trás para a frente, pelo que a primeira fase parece concluída. Sejamos optimistas.

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