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A UEFA adiou por mais um ano a introdução do VAR nas suas provas continentais, de clubes e selecções. O presidente Aleksander Ceferin vai engelhando o nariz, levantando objecções vagas, mas dá para perceber que o problema não é propriamente a solução do árbitro de vídeo, mas sim a falta de confiança numa implementação tecnológica regular e igual em todo o território europeu. 

Se as comunicações podem falhar entre Lisboa e o estádio do Dragão, imagine-se a complicação que não será a manutenção de um sinal claro e estável com cidades e estádios mais “exóticos” na imensa Europa futebolística.

A realidade da UEFA exige algo muito diferente do sistema que está a ser introduzido nos vários países e que teve êxito no último Mundial, com poucos jogos em simultâneo e numa dimensão territorial pequena. O campeonato da FIFA, na Rússia, terá sido o que levantou maiores problemas em termos de amplitude territorial e distância dos estádios relativamente à sede do VAR, depois da liga norte-americana MLS, cujo centro VAR está instalado num local central, no Illinois, relativamente equidistante num país com quatro fusos horários.

Em todo o caso, a grande vantagem de todas as provas em que o VAR foi lançado é a da reduzida simultaneidade de jogos, que facilita a gestão dos recursos nesta fase inicial.

Pelo contrário, esse é o grande problema da UEFA: oito jogos por dia na Liga dos Campeões, 24 na Liga Europa, uma dezena ou mais também nos dias das selecções, de Lisboa a Baku, de Reyjavique a Tel Aviv, sem esquecer as disparidades económicas e logísticas entre os países da Europa ocidental e os outros. Um quebra-cabeças.

Se o video-replay não pode ser considerado como uma inovação em lado nenhum, há países ainda muito atrasados em matéria de tecnologias de informação e na eficácia e estabilidade do hardware.

E assim já se percebem melhor as hesitações de Ceferin, o qual, todavia, acaba de se comprometer com a estreia do VAR na Supertaça de 2019, em Agosto, no estádio do Besiktas de Istanbul, sem colocar de lado a possibilidade de ser na final da Liga dos Campeões, em Maio, em Madrid.

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O azar do VAR

26.08.18

A Altice e a Federação Portuguesa de Futebol garantem que as comunicações que sustentam o funcionamento do VAR na Liga portuguesa foram quase infalíveis durante 35 mil minutos e “só falharam” duas vezes, num Aves-Benfica da primeira época e no Porto-Guimarães de ontem.

Apenas duas falhas e, logo, em jogos de candidato ao título. Ainda por cima, com Pizzi a simular um pênalti no primeiro e André Pereira a marcar em fora-de-jogo no segundo. É muito azar.

Um conceito baseado em tecnologias de informação a borregar por falta de comunicação é o cúmulo do azar.

Se um cliente prioritário é tratado desta forma, como não hão-de os cidadãos comuns conviver diariamente com os blackouts, os cortes e as faltas de cobertura enquanto “azares” que tocam a todos?

Daí que esta garantia de que a coisa funciona na perfeição e só falha de vez em quando seja completamente descabida. Em vez de pedirem desculpa e explicarem muito bem a razão destas interrupções do serviço, Altice e FPF vieram enaltecer o tempo em que funcionam normalmente, sem contudo remeterem para qualquer auditoria independente.

O caso do golo de André Pereira só acontece porque o fiscal-de-linha tem instruções para, na dúvida, não assinalar fora-de-jogo e esperar pela avaliação do VAR. Se este está offline, o fiscal-de-linha transforma-se num trapezista sem rede, literalmente, e põe em perigo a verdade desportiva, completamente à mercê da lei de Murphy.

Um projecto assente na infalibilidade e rigor das “novas tecnologias” não pode estar sujeito ao iminente falhanço delas, o que realmente acontece por manifesta precipitação na sua complexa execução, sem período de testes offline compatível com o resultado pretendido, tantas são as desigualdades de meios logísticos, técnicos e humanos em cada clube e estádio.

Este caso do Porto-Guimarães só foi conhecido publicamente por oportuna diligência de Pedro Sousa, na TVI24, pois no estádio e na transmissão televisiva ninguém foi informado de que o VAR estava com azar. A falta de informação simultânea é outra insuficiência gritante deste projecto, que devia distinguir-se dos velhos modelos opacos da arbitragem precisamente pela transparência da comunicação.

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O infeliz árbitro, os maus assistentes, os péssimos video-árbitros, seus inqualificáveis dirigentes e todos quantos acham que um erro de julgamento deve ser equilibrado com outro erro igual, incluindo os treinadores beneficiados, tornam o futebol uma actividade patética e sem credibilidade. Por necessidades comerciais, tentam confundir o erro sistemático com uma delirante “coerência de critério”. No futebol, menos com menos só dá muito menos.

No jogo entre o Belenenses e o FC Porto, Carlos Xistra começa por assinalar a mando do VAR um penalti absurdo, por bola na mão de Diogo Leite. E mais tarde, com o jogo a terminar empatado, volta a cair na esparrela num lance idêntico, mas ainda mais absurdo, na grande área do Belenenses.

O treinador do Porto veio aplaudir a coerência: errou uma vez, errou duas, está perfeito. O treinador do Belenenses nem se considerou apto a comentar, com razão, porque parte do princípio que não seria possível errar através do vídeo de segurança.

Sempre achei que a utilização como video-árbitros de juízes incompetentes só poderia ter êxito se ocorresse alguma epifania quando se sentam frente às pantalhas da Cidade do Futebol. Um árbitro mau no campo é um árbitro mau no video, não há milagres.

É o mesmo com um pénalti mal assinalado: um segundo pénalti mal marcado não transforma ambos em bem assinalados. Basta imaginar o que seria esta noite e os próximos dias se ambos tivessem sido apitados contra a mesma equipa.

Hoje, Carlos Xistra, os assistentes, os VAR e os seus dirigentes tiveram uma jornada desastrosa. Pateticamente coerente, mas desastrosa.

Que não se confunda a coerência de repetir os erros como um sinal de “critério”. Quem erra e repete o erro, apesar de todos os meios à sua disposição para o evitar, não é coerente nem tem critério: é apenas incompetente.

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