Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





 


Luis Castro no Shakhtar, Paulo Fonseca na Roma, André Vilas Boas no Marselha e, claro, Jorge Jesus no Flamengo.



É o momento mais alto dos treinadores portugueses, esta época campeões na China (Vítor Pereira), no Qatar (Jesualdo Ferreira), na Arábia Saudita (Rui Vitória), na Ucrânia (Fonseca), ou altamente cotados em vários países, incluindo Inglaterra ou França - para falar apenas da alta competição, por ser quase impossível descrever as dezenas que trabalham pelo Mundo em projectos de formação. E, claro, sem esquecer os que são selecionadores nacionais como Carlos Queirós ou Paulo Bento com pretensões a títulos continentais ou a disputarem mais campeonatos do Mundo como emigrantes. Nem José Mourinho, um Senador europeu no desemprego, agora animador de audiências televisivas endinheiradas.



Jesus reconheceu que não tem espaço no futebol português. E todos os outros, de Vilas Boas a Pereira, de Jesualdo a Vitória, passando pelos que não foram campeões nacionais, olharam para o futuro e sentiram o mesmo que Jesus: falta de oportunidade para tanta competência.



Sem medo, atiram-se à conquista do Mundo e marcam uma nova era que merecia um maior e mais circunstanciado acompanhamento por parte dos meios de comunicação, não estivessem também estes a atravessar a pior crise económica da sua existência, em parte provocada pela hostilização do futebol, que eles próprios instigaram e alimentaram nos últimos anos.



Os nossos heróis estão emigrando, vencendo a vida, recebendo glórias e tesouros e olhando de muito alto e com algum desprezo para o que se joga longe dos nossos relvados, à janela das televisões ou à porta dos tribunais. Porque eles souberam crescer e evoluir numa direcção oposta, na direcção certa, e são um exemplo para um país desconfiado do sucesso, resignado à mediocridade e insensível ao mérito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Acompanho com muito interesse a ida de Jorge Jesus para o Flamengo: um dos melhores treinadores do Mundo, obcecado pelo trabalho organizativo, num ambiente caótico e sob pressão de um frenesim mediático que por vezes condicionam ou impedem jogadores e equipas de atingirem os limites dos seus talentos.

Jesus tem a mesma expectativa de uma criança em véspera de exploração de um parque temático, com a diferença de que nada do que o espera será surpreendente, depois de tantos anos de madrugadas perdidas a ver o PFC.

Sempre achei incompreensíveis as críticas ao jogo no Brasil, atendendo a que não existe qualquer grande equipa na Europa que não possua um, dois ou mais jogadores brasileiros: como pode ser mau o campeonato de onde vêm os melhores jogadores? 

Quem passar a assistir às partidas do Brasileirão vai ver que são intensas, emocionantes, de desfecho incerto e quase sempre espectaculares do ponto de vista técnico. Faltar-lhes-á o rigor do jogo europeu, por desactualização dos seus principais treinadores, que começaram por perder o mercado internacional e agora são igualmente ultrapassados internamente: evoluídos no preparo físico, mas ingénuos na montagem táctica.

Em todo o Mundo, os bons treinadores fazem a diferença e o Brasil segue a tendência, aceitando pagar pelos melhores a valores dos principais mercados. Não foi à toa que, em menos de um ano, Luis Felipe Scolari converteu a equipa mediana do Palmeiras em campeã e praticamente imbatível a nível interno. Ou que, em quatro meses, Jorge Sampaoli tenha transformado o desvalorizado plantel do Santos numa das melhores equipas do país.

Organização, planeamento, gestão de recursos e modelo táctico e organização colectiva sempre acima dos interesses individuais dos jogadores sem cercear os maiores talentos, tudo acompanhado de uma carteira para contratações selectivas - eis o segredo de Scolari, eis o planeamento de Sampaoli (excepto na parte do investimento), eis a estratégia de Jesus.

O primeiro Jesus-Scolari (Flamengo-Palmeiras) está marcado para 31 de Agosto, o primeiro Jesus-Sampaoli (Flamengo-Santos) para 14 de Setembro. Neste momento, o Palmeiras comanda a classificação, o Santos é 3.º e o Flamengo 4.º, com o Atlético Mineiro na 2.ª posição com um treinador interino.

Como disse Jesus à partida para o Rio de Janeiro, é no Brasil que estão os melhores jogadores do Mundo e é no Brasil que se disputa o campeonato nacional mais difícil. Mas também é no Brasil que mandam os piores dirigentes desportivos do Mundo, a geração herdeira dos antigos banqueiros do “jogo do bicho”, que ainda se rege por impulsos primários e total irracionalidade na gestão dos clubes, como o demonstra a média de apenas 4 meses de duração de um treinador no seu posto de trabalho. Só o Flamengo teve 27 técnicos nos últimos dez anos, em que não conquistou qualquer título. 

A duração do estado de graça de Jesus é a maior incógnita, perante uma comunicação social sempre perto de resvalar para a xenofobia, e vai depender dos primeiros resultados, em particular a eliminatória da Libertadores com o Emelec, do Equador, já no final de Julho.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...