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Frederico Varandas confirma muita inexperiência para a função de presidente neste processo de despedimento do treinador José Peseiro. As dificuldades em nomear o técnico seguinte, o primeiro do seu pontificado, denunciam uma gestão pouco racional.  

1 - A demissão surgiu dois meses fora de tempo. Sendo claro que Peseiro nunca foi o treinador do seu projecto, tema estrategicamente contornado na campanha eleitoral, a substituição teria sido melhor compreendida no dia a seguir à tomada de posse, 

2 - Não se entende, considerando as dificuldades da formação do plantel e dos sobressaltos da pré-temporada;

3 - É precipitada em função dos resultados, remetendo para a demissão de Bobby Robson há 25 anos, por Sousa Cintra;

4 - Pode compreender-se pelo fraco nível exibicional da equipa, ainda que tal nunca tenha sido questionado publicamente ou nos meios de comunicação do clube;

5 - Revela fraqueza da liderança perante os protestos de parte de uma das mais reduzidas assistências dos últimos anos num jogo em Alvalade, começando muito cedo a ceder aos caprichos do que resta da claque;

6 - Evidencia amadorismo na escolha do sucessor, ao não conseguir esconder que não existia uma real alternativa definida com antecedência, ao contrário do que seria de esperar de um presidente que não apoiava o treinador que “herdou”.

Em suma, uma decisão inesperada, aparentemente mais emotiva do que racional, mas irreversível e de consequências devastadoras.

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Ouvi ontem bramar violentamente contra a Federação, por prepotência, e contra a direcção do Sporting, por resignação, pelo facto de o jogo da equipa de José Peseiro em Portimão não ter sido adiado para hoje, para possibilitar mais um dia de descanso aos leões, exauridos pela deslocação à Ucrânia.

“Só fazem isto ao Sporting. Se o Benfica ou o Porto tivessem jogado na 5.ª feira, de certeza que não aceitariam voltar a jogar no domingo, como obrigaram o Sporting. E o Sporting, coitado, sem poder nem influência, teve de aceitar, acabando por ser goleado em Portimão” - era este o argumento.

Estou de acordo em teoria, mas há um senão nesta narrativa. Parece que a FIFA não autoriza que os clubes joguem hoje, primeiro dia do período reservado às selecções nacionais. Em toda a Europa hoje só há dois jogos de 1.ª divisão, um na Suécia, outro na Roménia, outro na Grécia, envolvendo clubes que não participam nas provas europeias. Portanto, todas as equipas que actuaram na quinta-feira também jogaram no domingo, com a excepção de uma, que adiou a jornada de campeonato.  Isto, sem esquecer a vantagem de que o Portimonense estaria a abrir mão, logo num jogo em casa com o direito de marcar dia e hora de acordo com os regulamentos.

A questão é pertinente: até que ponto as provas europeias prejudicam as prestações e os resultados das competições internas, até que ponto o chamado “vírus UEFA” pode conduzir a resultados negativos nas partidas seguintes? 

Das equipas que jogaram durante a semana na Champions e na Europa League, cerca de 40 por cento não ganharam no fim‑de‑semana (32 em 79), embora tenha havido muitos confrontos entre duas, como no Benfica-Porto, no Valencia-Barcelona ou no City-Liverpool. Se descontarmos estas partidas, a percentagem de insucesso baixa para 32%, em linha com o habitual em começo de época. Em novembro ou dezembro, esta percentagem costuma ultrapassar os 40%, às vezes até acima de metade.

Apenas um clube, por sinal do grupo do Sporting (Qarabag), optou por adiar a partida do campeonato depois de receber o Arsenal. O Vorskla perdeu em casa e o Arsenal goleou no “derby” com o Fulham, não acusando qualquer efeito da deslocação mais longa da semana. Mas a do Sporting terá sido a segunda mais longa…

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José Pé Quente

05.10.18

Em pouco mais de dois meses, José Peseiro conseguiu a improvável proeza de instilar a dúvida no cérebro dos milhões de adeptos do Sporting que ficaram horrorizados com a sua contratação por Sousa Cintra.

Não exageremos, mas o que está a acontecer pode vir a terminar - quem sabe? - na mais incrível história de superação e reconciliação do futebol português.

Nove jogos, oito resultados positivos, proximidade dos lugares de liderança e, sobretudo, recuperações épicas, a evidenciar mentalidade forte, em várias situações complicadas, como ontem na Ucrânia.

Já se fala em “pé quente”, dando explicitamente a volta à imagem do “pé frio” e do “Pé zero” com que tinha sido recebido nesta segunda missão em Alvalade.

Depois de um treinador que conseguiu perder um jogo que ganhava aos “otchenta e otcho” minutos, o Sporting tem actualmente um treinador que consegue vencer uma partida que perdia aos 89.

Gozado durante uma década em surdina por causa da falta de pulso sobre Fábio Rochemback, que o insultou numa substituição, é agora felicitado abertamente pela força e segurança que demonstrou ao colocar Nani na ordem, de forma exemplar, após uma ofensa semelhante.

Desconsiderado por não ter conseguido resultados com um plantel de luxo (Ricardo, Polga, Rui Jorge, Rochemback, Pedro Barbosa, Hugo Viana, Niculae e Liedson), arranca hoje aplausos pela gestão de um balneário a sair de uma guerra civil.

O treinador que tinha perdido a final da Taça UEFA em casa começa agora a ser visto como o treinador que conduziu o Sporting à sua única final europeia em 50 anos.

Volto a citar o meu filósofo anónimo preferido: o futebol é isto mesmo.

 

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