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Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...
Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...
Lúcido, como sempre. Parabéns.
A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...
Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...
Com Sousa Cintra no papel de jogador-treinador, como nos bons tempos da velha guarda, o Sporting trabalha afanosa e incansavelmente na constituição do plantel para o jogo decisivo de dia 8 de Setembro.
O scouting não distingue berços, famílias, academias, turmas, contas bancárias, profissões ou grupos de pressão: os candidatos chovem de todo o lado. Algumas negociações estão complicadas, outras no segredo dos deuses, mas todos estão em cima da mesa, todos querem somar.
Neste momento, ainda longe do fecho do mercado, a equipa-tipo seria a seguinte:
> À baliza: João Benedito, com muita experiência do lugar, elástico e seguro, com vontade de agarrar tudo o que mexe e espírito de amor à camisola.
> Nas laterais: a prata da casa.
À direita, Bruno de Carvalho, canela até ao pescoço, sempre a fazer piscinas para baixo e para cima, às vezes meio perdido em campo e a arriscar castigos disciplinares pelas suas entradas a pés juntos.
À esquerda, Carlos Vieira, mais habilidoso e calculista, gosta de ficar atrás, avançando só pela certa.
> A centrais: bem instalados na vida, jogando de cadeirão, preocupados em não dar grandes fífias, Dias Ferreira, o veterano capitão esforçado, dedicado e devotado a muitas batalhas inglórias, e Fernando Pereira, o típico quarto defesa que não compromete, discreto, durão e trabalhador.
> A médio-centro: o próprio Sousa Cintra, à Jorge Perestrelo, com a sua barriguinha sempre a mostrar como se faz, recupera, prepara e distribui, e fala em todas as flash interviews e conferências de imprensa.
> A box-to-box: Madeira Rodrigues, jogador ambicioso, com tendência a dar passos maiores do que a perna e a pisar na bola.
> Médio polivalente: Frederico Varandas, capaz de jogar em várias posições, jogador com escola e muita experiência de campos de batalha.
> Avançado centro: José Maria Ricciardi, velha raposa da grande área, sempre à espreita de uma oportunidade para facturar. Ainda está a negociar o novo contrato.
> Nº 10 e estrela da companhia: Luís Figo, jogador de outro campeonato, com estatuto de dono da bola, cuja presença em campo acaba por ofuscar todos os companheiros.
> A ponta esquecida: Zeferino Boal.
O que têm em comum Sousa Cintra, José Peseiro, Fernando Ferreira e Manuel Fernandes?
Sousa Cintra foi presidente do Sporting entre 1989 e 1995 num consulado de altos e baixos, muitas esperanças frustradas e acabou saindo do clube com aparente alívio da maioria dos associados, que decidiram trocar o regime de presidente mecenas pelo profissionalismo das sociedades desportivas, alegadamente numa cisão irreversível com o passado.
José Peseiro foi o primeiro treinador depois da construção do novo estádio Alvalade XXI e ficou perto de conquistar um título nacional e uma Taça UEFA, demasiado perto, aliás, de duas conquistas que teriam mudado a história do Sporting e saiu pouco depois sem deixar saudades.
Fernando Ferreira foi despedido de responsável clínico em 2001, ao fim de 16 anos no clube, manteve uma disputa judicial durante mais alguns e acabou por chegar a acordo em 2005, recusando a reintegração que era devida.
Manuel Fernandes foi uma das maiores glórias do futebol leonino, um capitão, um símbolo, mas talvez o profissional que mais vezes saiu e entrou de um clube, durante mais de 30 anos, desde o final de carreira no Vitória de Setúbal, a várias experiências como treinador-adjunto, treinador, dirigente, coordenador, relações públicas, secretário-técnico, etc.
Sousa Cintra presidente da SAD, José Peseiro treinador e Fernando Ferreira médico formavam a equipa de três mosqueteiros em defesa do Rei Leão, aos quais se juntou hoje Manuel Fernandes como director, para que os três homens-chave do futebol do Sporting sejam, afinal, quatro - como na história de Dumas.
Quatro figuras com um histórico no clube que não se pensava poder repetir-se, não apenas pela forma atribulada com que todos sairam da cena leonina, como pelos anos que entretanto passaram afastados (menos no caso de Fernandes) e pelo princípio de rejuvenescimento que caracteriza os ciclos de renovação dos clubes desportivos.
Trata-se de uma situação transitória até às próximas eleições e tudo indica que todos eles têm os cargos a prazo e que dificilmente resistirão à entrada de uma nova vaga directiva. Só por isso se pode entender esta opção por soluções ultrapassadas e com o futuro ameaçado, completamente à mercê dos resultados da equipa de futebol durante o mês de Agosto, faltando conhecer o grau de comprometimento contratual do clube com estes profissionais (Sousa Cintra à parte).
Não seria fácil encontrar outras soluções, pois poucos profissionais aceitariam cargos interinos durante tão pouco tempo, excepto num quadro de missão e de fervor clubista em que, aparentemente, estes quatro homens se encontram até às eleições de 8 de Setembro.
Bruno de Carvalho deixou de ser presidente do Sporting, mas continuamos a ter o presidente do Sporting todos os dias nas televisões. Como se o clube tivesse um compromisso com os directores de conteúdos, apesar de a situação especial, em que Sousa Cintra e os outros membros da Comissão de Gestão se encontram, recomendar o máximo recato.
Conhecendo o perfil pessoal do velho empresário não surpreende a imagem de deslumbramento que passa, falando como se estivesse para ser presidente do Sporting durante muitos e bons anos, até ser campeão. Seria mais lógico e prático que os gestores leoninos cumprissem a sua missão o mais possível à margem dos media, mas para isso teriam de ter escolhido outra pessoa para liderar a SAD. E, claro, não seria a mesma coisa.
Há muitos sportinguistas que mostram incómodo perante esta situação, mas dificilmente as coisas podiam correr de outro modo. Nos últimos meses, criou-se uma dinâmica interna e externa de exposição total, por culpa de uma política de comunicação destrambelhada, deixando o clube tão vulnerável que qualquer pequeno movimento de alguma das suas figuras, dirigentes, ex-dirigentes, candidatos, treinadores, atletas, seja quem for, gera reacções que podem chegar ao abalo telúrico.
A escolha do treinador José Peseiro é um desses momentos. Talvez a aposta interina em Augusto Inácio até às eleições de 8 de Setembro fosse mais consensual, mas não deixaria de constituir um adiamento de uma deliberação fundamental. Foi até agora a decisão mais importante de Sousa Cintra, transmitindo um sinal de poder e força, condicionando até os futuros candidatos, sem medo de se sujeitar aos resultados.
A vontade de inverter a situação dos jogadores em ruptura contratual é outro. Muitos mais adeptos do que o último resíduo de apoiantes de Bruno de Carvalho alimentaram um sentimento de aversão aos atletas, desde a invasão de Alcochete, considerando-os traidores à causa leonina. Esta é outra opção de risco de Sousa Cintra, nada popular, mas com o mesmo fundamento de tentar resolver uma pendência com o mínimo de danos, em vez de deixar arrastar as situações.
Finalmente, o recurso ao agente Jorge Mendes, o terceiro vector chocante da acção de Sousa Cintra, colocando-se ao lado de quem o Sporting não conseguiria derrotar. Experiente negociante, ele sabe que é melhor ter alguém poderoso ao seu lado numa hora tão complicada, em que nada garante que o clube poderia vencer a guerra com os jogadores.
E, assim, perante processos tão complexos e decisões tão controversas, se entende melhor a estratégia instintiva de comunicação transparente de Sousa Cintra.
Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...
Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...
Lúcido, como sempre. Parabéns.
A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...
Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...