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Duas vezes campeão de provas continentais à frente da selecção, Fernando Santos reivindica um lugar como o maior treinador da história do futebol português. Tem o reconhecimento do povo e das elites, mas falta-lhe a benção dos inteligentes que falam nas televisões ou escrevem nos jornais.
Ou seja: como treinador, Fernando Santos assegurou a imortalidade popular, mas nunca viverá com o prazer da unanimidade mediática.
Agora, coloquemo-nos no lugar dos críticos, uma pequena aldeia de rezingões que não se deixa anexar pelo grande império dos Santistas e se mantém irredutível na defesa de uma matriz de inteligência, criatividade e ambição.
Sendo portugueses, nunca desejariam o insucesso da selecção, apenas como poção mágica imbatível para justificarem as suas dúvidas relativamente aos métodos, às soluções técnicas e tácticas e ao próprio discurso do seleccionador nacional. Sendo observadores do jogo há décadas, não imaginavam ser possível ganhar com mau futebol.
A história da selecção nacional era o inverso de tudo o que Fernando Santos vem conquistando desde 2014: tinha sido durante décadas a equipa das vitórias morais, do quase sucesso, do fatalismo de derrotas cruéis em meias-finais (1966, 1984, 2000, 2006, 2012) e da tragédia desportiva de perder uma final em casa perante um adversário manifestamente inferior (2004). Na realidade, tantos jogos jogando bem e perdendo…
A vitória sobre a Suíça por 3-1 na meia-final da Liga das Nações não mereceu qualquer crítica para lá de Badajoz, mas ainda foi tema de infindáveis reflexões caseiras sobre a actuação insatisfatória de algumas individualidades, com consequências no funcionamento colectivo, independentemente do resultado. Por isso, não seria de esperar que, para a final com a Holanda, o treinador fosse alterar substancialmente a composição da equipa nem a solução táctica, mantendo as convicções treinadas na semana anterior.
O que aconteceu, porém, foi precisamente o oposto: Fernando Santos “ouviu” os críticos, mudou significativamente, arrumou o que tinha de ser arrumado (Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Ruben Neves, João Félix) e alcançou a maior vitória com cunho pessoal da sua carreira na selecção. Uma vitória retumbante e inequívoca, sobre a melhor selecção europeia do último ano, uma vitória que não saiu de qualquer pontapé fortuito nem de algum momento de inspiração individual, uma vitória que consolida um caminho e marca grandes encontros com o futuro.
Com 39 triunfos em 64 jogos (60 por cento), diz ele que jogar bem é diferente de jogar bonito e que o futebol é resultado.
Tem razão, desculpe, e até à próxima vez que jogar mal (mesmo que ganhe).

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Cristiano Ronaldo voltou a disfarçar as incongruências tácticas da selecção, marcando golos e decidindo uma meia-final que parecia destinada a mais um desfecho em sofrimento e, eventualmente, a uma enorme decepção.
Após um ano sabático, talvez o menos competitivo e desgastante da carreira, regressou na plenitude das qualidades técnicas e fisicamente mais fresco do que nunca, nesta fase do ano, por causa da eliminação prematura na Ligados Campeões.
Frente a uma Suíça organizada para o travar, Cristiano ganhou sprints, driblou, fez passes de morte, marcou de livre, marcou na área, marcou em jogada individual, durou os 90 minutos, liderou e abriu novas perspectivas para um objectivo que parecia adormecido, a sexta Bola de Ouro.
Cristiano Ronaldo a ser Cristiano Ronaldo, abrindo caminho para uma terceira final com a selecção - mais um recorde pessoal dificilmente igualável. E, como sempre, ofuscando tudo e todos à sua volta.
O sétimo hat-trick do capitão nacional nos últimos minutos do encontro fechou a discussão sobre o pénalti que dava o empate à Suíça e que parecia excelente para desenvolver novos tratados ideológicos contra o VAR e seus mentores.
Impediu um olhar crítico sobre 88 minutos sem um remate à baliza, à excepção do livre do primeiro golo, não obstante o onze escolhido ser anormalmente consensual.
Voltou a adiar a análise aprofundada sobre os bons resultados que o mau futebol colectivo tem proporcionado, graças a proezas individuais, em quatro anos com Fernando Santos ao leme.
E sossegou milhares e milhares de adeptos em negação perante as “ameaças”, claramente exageradas, à hierarquia mediática dos ídolos nacionais.

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O país está em alvoroço perante a possibilidade de algum grande clube europeu aceitar pagar 120 milhões de euros pelo jovem João Félix. No espaço mediático acotovelam-se para chegar aos microfones os que entendem a cláusula de rescisão com o Benfica como um exagero que pode fazer perigar o equilíbrio financeiro dos Manchesteres e dos Barcelonas desta vida.

Por um lado, a saída do jovem jogador tornava o Benfica menos forte, o que seria bom. Mas, por outro, forrar-lhe-ia os cofres com a fabulosa liquidez de acesso aos catálogos “prime” para poder reforçar a equipa com bons jogadores, o que seria mau.

O jogador também divide opiniões. Há quem pense que mais um ano no Benfica lhe seria benéfico ao desenvolvimento em estabilidade. Mas há quem tema que nunca mais repita as performances deste ano ou que possa ser atingido por alguma filoxera e acabe por perder uma fortuna, ele próprio, porque o futebol é ocasião.

O Benfica ganhou muito dinheiro com a saída prematura de Renato Sanches, mas perdeu muito mais com o despacho de Bernardo Silva, por exemplo. Não há negócios indiscutíveis no mercado futebolístico.

Nesta quarta-feira, indiferente ao combate de agentes nos bastidores da bola, João Félix deve ter o baptismo internacional ao mais alto nível num ambiente que pode tornar-se hostil para um adolescente, diferenciado é certo, mas ainda um adolescente. É mais uma prova de fogo, um teste de carácter, mais uma linha na “check list” dos avaliadores.

Quando alinhar ao lado de Cristiano Ronaldo estaremos perante uma situação muito rara, uma passagem de testemunho em acção, que marca a vitalidade do futebol português actual, em particular para os que conseguem entender o recente fiasco da selecção de Sub-20 como um lamentável acidente de percurso de uma geração extraordinária.

Frente à Suiça, “lovers" e “haters”, é como se Cristiano pudesse ter jogado ao lado de Eusébio: desfrutemos.

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