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    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





Não defendo a mudança de um treinador no meio de um percurso, a menos que nas análises intermédias se verifique um enorme desvio, pela negativa, relativamente ao projecto e aos objectivos traçados. 

Ora, o Benfica está ainda na luta pela continuidade na Champions League, depois de ter feito o que lhe competia na fase preliminar que obrigou a uma aceleração do processo normal de crescimento de forma, e está também no topo da Liga, mais ponto menos ponto.

Embora muitos tenham visto nos últimos jogos um prenúncio de crise, os índices exibicionais em Chaves (empate), Atenas (vitória), com o FC Porto (vitória), em Amesterdão (derrota) e no Jamor (derrota) foram positivos em muitos parâmetros, com a excepção da finalização. No que toca à eficácia ofensiva, a produção foi claramente insuficiente, sem qualquer golo nas últimas duas partidas, um total de 37 remates sem efeito.

Não me surpreende esta situação, que diz muito sobre os critérios de Rui Vitória, um “homem bom e honrado”, com dificuldade em hipotecar a sua humanidade ao instinto “assassino” necessário ao êxito no desporto de alta competição. Os treinadores que ganham são os que tomam decisões difíceis.

Ora, o treinador do Benfica mostra-se até incapaz de tomar uma decisão facílima de justificar, a rendição de Seferovic, após uma comissão de serviço de urgência.

Já por aqui comentei a impossibilidade de associar um avançado como o suíço do Benfica ao índice goleador necessário a uma equipa que lute pelo título. Bom jogador, excelente atleta profissional, mas quem confiaria nele para uma reviravolta com a equipa a perder por dois golos, como aconteceu frente ao Belenenses? Quem terá conseguido imaginar, ao intervalo do Jamor, que o Benfica iria salvar pelo menos um ponto pela acção decisiva do seu ponta-de-lança? Ninguém. Nem mesmo o próprio Rui Vitória, que acabou por ceder à pressão e passou a segunda parte a insuflar a equipa com mais avançados, matando por asfixia os processos de jogo habituais, não conseguindo construir qualquer situação de golo a partir do momento em que ficou com três dianteiros em campo.

Agradecido pelo socorro que o suíço lhe prestou o melhor que pôde num período de dificuldades, pelas lesões dos outros avançados, Rui Vitória não teve coragem de o afastar do onze inicial, mas a realidade, ao fim de dois meses é esta: 3 golos em 12 jogos. Não é produção que justifique a sua escolha como titular num esquema de avançado único e a equipa pode ter sido seriamente prejudicada.

A propósito, recordo o que escrevi aqui a 30 de Agosto: “Os golos do Benfica surgem nos pés e cabeças de médios e defesas, o que nada tem de errado, mas nunca pode ser tomado como uma garantia de futuro: não dispor de um avançado goleador é caminho para uma crise de resultados.”

Portanto, a primeira resposta de Rui Vitória, já contra o Moreirense e a seguir com o Ajax, passa pela rendição de Seferovic se quiser continuar a teimar no 4x3x3 que tão maus resultados lhe tem dado nos últimos dois anos. Na verdade, uma decisão fácil para um treinador consciente e que só peca por tardia.

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Poucos clubes do Mundo têm cinco avançados como o Benfica, cujas cláusulas de rescisão ascendem, em conjunto, a 300 milhões de euros. Talvez fosse de lhes exigir que jogassem mais tempo e marcassem mais golos.

O clube de fãs de Seferovic teve esta noite momentos de enorme felicidade em dois lances magistrais. Pego nas descrições dos experts tácticos para sublinhar o trabalho do suíço: “baixou” ao meio-campo para fazer um passe ao jogador que havia de fazer o cruzamento para o primeiro golo e fez um “túnel” para deixar passar o lançamento “vertical” de que resultou o segundo golo.

Pouco de Cervi, quase nada de Ruben Dias, que só fizeram as assistências, nada de nada de Rafa, num jogo raríssimo em que acertou duas vezes na baliza. Seferovic é que foi decisivo: um passe a meio-campo e um túnel.

O treinador do Benfica derreteu-se, perante as câmaras, em polegares acima ao suíço depois do primeiro golo e provavelmente também do segundo. Seferovic em altas dá “razão” a quem o mantém no centro de um ataque que está longe de fazer os golos de que um candidato ao título necessita!

Aos 60 minutos do jogo, entre um golo e outro, o bom do suíço esteve duas vezes cara a cara com o guarda-redes do Chaves, a três metros da baliza, e acertou no boneco. Não fez golo, mas também não é para isso que lhe pagam.

Seferovic é um bom profissional, que dá o que tem e se aplica em campo. Sua a camisola, como se dizia nos tempos dos equipamentos de malha. Joga no Benfica. Só não marca golos. É um paradigma dos equívocos constantes de Rui Vitória. É o reflexo de uma abordagem ao jogo que fica muito exposta ao azar. E aos empates, que já são quatro em 12 partidas oficiais, contra adversários inferiores.

 

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O nome bósnio Haris, palavra de origem árabe que, segundo a wikipedia, significa guardião, podia ser o do quarto mosqueteiro, pela sonoridade compatível com Porthos, Athos e Aramis, o D’Artagnan que me perdoe. Porque, afinal, os famosos 3 pontas-de-lança do Benfica também são 4, como os guardas do Rei: Jonas, Ferreyra, Castillo e… Seferovic.

O treinador diz que o avançado suíço segura bem a bola em zonas “altas”. Ao fim de mais de um ano, fica explicado o motivo da contratação de Seferovic, com uma longa carreira de poucos golos, mas poderoso fisicamente e trabalhador em campo, uma espécie de guarda avançado de robusta constituição física mas sem armas sofisticadas, como os autênticos guardas suíços mercenários que prestam serviço nos portões do Vaticano.

Sempre em guarda, foi na porta central do castelo encarnado em Salónica que ele cometeu a falta defensiva de que resultou o golo do PAOK.

No entanto, esta foi uma missão nova, uma vez que normalmente era chamado em situações aflitivas com o Benfica à procura de um golo em apuro de tempo - o que ele logrou duas ou três vezes na época passada, mas está longe de ser a sua especialidade.

O registo curricular com os seus 4 ou 5 golos da praxe, por cada época, é claro na identificação das suas características.  É um avançado de poucas finalizações e poucos golos, muito mais útil a uma equipa de segunda ordem, inclusive a nível internacional no contributo para a melhor fase da selecção da Suíça em mais de 50 anos,.

Ver-se-á em breve se esta “fantástica exibição” em Salónica lhe vai permitir jogar mais vezes pelo Benfica - não estando os três mosqueteiros impedidos, por lesão ou outro motivo. Os objectivos do clube não se compadecem da baixa produtividade dos dianteiros, muito pelo contrário, e em muitos poucos jogos precisará de incumbir o seu único avançado de funções prioritariamente defensivas.

Parece que foi Rui Vitória a opor-se à dispensa de Seferovic há duas ou três semanas, quando a equipa já se debatia com um problema de eficácia, e na Grécia, contra todas as previsões, fabricou a primeira goleada da época com o avançado menos realizador. Os golos do Benfica surgem nos pés e cabeças de médios e defesas, o que nada tem de errado, mas nunca pode ser tomado como uma garantia de futuro: não dispor de um avançado goleador é caminho para uma crise de resultados.

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