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  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





Não que as notícias da queda anunciada de Lionel Messi e da Argentina fossem exageradas, mas nunca se pode negligenciar o factor histórico. As grandes equipas contam muitas vezes com uma pequena vantagem que advém do seu passado e do respeito que inspiram aos adversários, aos árbitros e ao cenário das grandes batalhas.

E foi assim que a Argentina derrubou a Nigéria mais uma vez: cinco vitórias, 100 por cento de triunfos, naquele que é o confronto mais vezes realizado na história dos Mundiais; uma decisão arbitral contra a jurisprudência do campeonato; e um estádio transformado em barra brava com Maradona como chefe de claque. Impossível resistir.

Com o relógio a aproximar-se do fim, a Nigéria sofreu um ataque de ansiedade perante a a decisão do árbitro turco Çakir, uma velha peça, que pela primeira vez deu nega ao VAR num lance de possível pênalti. A mão de Rojo foi em tudo semelhante à de Cedric frente ao Irão e à de Poulsen no Dinamarca-Austrália, talvez até mais clara porque o argentino não estava pressionado por adversários, mas desta vez o árbitro contrariou o video-árbitro. Respeitou o protocolo, mas contrariou duas decisões anteriores, o que não abona a favor do VAR.

A Nigéria estava a fazer um jogo muito bom, desperdiçou duas oportunidades de fazer o 2-1, mas descompôs-se perante a última vaga argentina, que atacou com tudo: Aguero ao lado de Higuain, dois extremos, Lionel Messi por todo o lado e um defesa central, Rojo, a fazer o golo no centro da área. Curiosamente, há quatro anos, também tinha sido Rojo a marcar o golo da vitória da Argentina sobre a Nigéria, então por 3-2.

Com Sampaoli discreto, escondendo as tatuagens dentro de um fato de treino atafulhado até ao queixo, a Argentina regressou ao 4x3x3 e realizou o seu melhor jogo, apesar do sofrimento de todo a segunda parte. A diferença esteve na incorporação de Banega, que libertou Messi do fardo de carregar a equipa nas costas e ainda colocou o capitão na frente da baliza para finalmente, após 24 remates a seco desde esse jogo com a Nigéria em 2014, voltar a marcar num Mundial.

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O clichê do “perfume do futebol africano” faz cada vez menos sentido, como se observou neste último encontro de hoje, em que uma Nigéria, resignada e mal formatada a um modelo de jogo europeu, perdeu (0-2) sem remissão com uma Croácia adulta e focada na oportunidade de ganhar avanço e criar pressão sobre a Argentina, seu próximo adversário. As outrora Super Águias pareceram também afectadas pelo blackout total de energia eléctrica que paralisou o grande país africano desde ontem.
A irreverência do jogador africano, feita de dribles, piques, golpes surpreendentes e muita anarquia táctica, foi substituída por um modelo rígido, um ritmo baixo e muito medo de errar - total ausência de estratégia e identidade. Talvez faça sentido que jogadores que não vivem nem trabalham em África actuem como se fossem uma equipa europeia, mas neste contexto a Croácia tem melhores intérpretes e impôs-se sem dificuldade, apesar de os golos terem nascido em cantos e de não ter havido muitas ocasiões nem espectacularidade.
A Nigéria, que nunca tinha perdido um jogo de abertura com adversário europeu, entrou derrotada em campo. A lentidão dos movimentos foi exasperante, com aquele constante recuo dos médios para trocar a bola no meio dos defesas centrais - um dos clássicos sintomas das equipas que não sabem o que fazer com a posse.
A Croácia é a selecção de Modric, Rakitic e Perisic - muito bons, maduros e rigorosos, podem e devem chegar longe.

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