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Os amantes do futebol e os donos do negócio não podiam conceber um argumento melhor para o filme do Mundial de 2018: nunca um campeonato do Mundo teve tantos jogos decididos nos últimos minutos. E muito menos que tal fosse o cenário para a terceira eliminação consecutiva de um campeão mundial na primeira fase, a quarta em cinco Mundiais neste século.

No Rússia-2018, são já 13 os resultados alterados depois dos 87 minutos de jogo, com realce para os que implicaram decisões dramáticas nos países apurados para a segunda fase da prova, como aconteceu igualmente no grupo de Portugal e no da Argentina. Na fase de grupos do Mundial do Brasil, houve apenas seis resultados alterados nesse período.

Cerca de 20 por cento dos 110 golos marcados até agora ocorreram depois dos 85 minutos, e uma dúzia deles já nos minutos de compensação, como os dois da Coreia do Sul, em Kazan.  

Hoje, a Alemanha nunca esteve virtualmente nos lugares de apuramento, mas durante mais de meia-hora ficou a apenas um golo de o conseguir e mandar os mexicanos de volta a casa. Muito mal tem de estar uma equipa alemã (que já vencera a Suécia num estertor final, com o livre de Toni Kroos aos 90+5 minutos) para não conseguir marcar um golo à Coreia do Sul.

Em Yekaterinburg, os mexicanos sofreram desesperadamente ao longo de toda a segunda parte, à medida que os suecos iam goleando, mas em mais um golpe de teatro do roteiro dramático deste Mundial os alemães ofereceram-lhes em bandeja, pela segunda vez neste campeonato, a maior das alegrias.

A Coreia desperdiçou várias possibilidades de marcar, num jogo em que os alemães não tiveram intensidade nem coesão colectiva, muito idêntico ao primeiro, com o México, mas o golo só chegou no minuto 90 e com chancela do VAR, uma vez que o marcador estava deslocado, mas o video-árbitro descortinou que a bola vinha dos pés do alemão Kroos.

O final foi patético com o guarda-redes Neuer a actuar como centro-campista, a ser desarmado e  a dar a possibilidade de Son ficar sozinho no outro meio-campo para marcar o golo mais fácil da  carreira. 

Auf wiedersehen.

Pela primeira vez em 80 anos, a Alemanha sai do Mundial na primeira fase. Pela quarta vez em cinco Mundiais do século XXI o campeão não chega aos oitavos-de-final: França em 2002, Itália em 2010, Espanha em 2014, Alemanha em 2018 - uma maldição que, no século passado, só acontecera uma vez, ao Brasil em 1966.

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Talvez seja a maior sensação do Mundial, a selecção do México, ainda que tradicionalmente habituada a chegar aos oitavos-de-final. Num grupo dificilimo, duas vitórias categóricas, além de um naipe de soluções diversas que atraem as atenções.

Depois de um jogo lógico frente à Alemanha, apostando no contra-ataque e na desorganização do centro-defesa germânico, o México surgiu tacticamente transfigurado, como se colocasse uma daquelas máscaras aztecas da lucha libre.
Com os mesmos jogadores (apenas uma alteração na defesa, de Ayala por Alvarez), a selecção tricolor conseguiu jogar um futebol de posse, baseado em triângulos móveis em progressão lenta, troca constate de passes e posições com muita paciência na gestão da bola, um texi taka à mexicana - em contraste absoluto com a profundidade, velocidade e rapidez de processos do primeiro jogo.
Dos apenas 34 por cento de posse de bola frente à Alemanha, o México chegou a 71% na primeira parte com a Coreia.
No segundo tempo, recuou e concedeu a supremacia aos coreanos para se aproximar mais do modelo da primeira partida, o que lhe permitiu chegar ao 2-0 novamente em contra-ataque fulminante, com os mesmos protagonistas em função recíproca: Lozano a retribuir a Chicharito o golo com a Alemanha.

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E, no início, perdeu a Alemanha. Extraordinário jogo da selecção do México impôs uma derrota (0-1) aos campeões do Mundo, que podia ter atingido proporções catastróficas, tantas foram as ocasiões de golo desperdiçadas numa magistral demonstração de futebol de contra-ataque.
É incompreensível o equívoco táctico dos alemães, muito bem aproveitado pelos mexicanos, mas ainda mais inexplicável foi a incapacidade de corrigir e alterar. Raramente se vê uma equipa de primeiro nível não ser capaz de rectificar, mudar e, pelo menos, tentar alterar o rumo dos acontecimentos durante 90 minutos, cometendo perto do final os mesmos erros da primeira parte, que podiam ter custado uma desvantagem de três ou quatro golos ao intervalo.
Não é a primeira vez que os alemães entram mal e sabemos como acabam. Em 1982, perderam o primeiro jogo com a Argélia, mas chegaram à final de Madrid com a Itália.
O México, um cliente habitual dos oitavos-de-final, estará a apresentar a sua melhor selecção de sempre, com os portistas Herrera e Layún em posições de destaque. Foi brilhante o desempenho táctico a tirar todo o partido do espaço oferecido pelo arriscadíssimo 2-4-4 da Alemanha, sempre com um enorme buraco na frente dos defesas centrais, mas talvez nos jogos seguintes (Coreia do Sul e Suécia) não disponha de tanto espaço e condições para o contra-ataque.

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