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E pronto. Quatro horas da tarde no meridiano de Greenwich e a proposta que o Manchester United estava “a preparar” por Bruno Fernandes não chegou a Alvalade. Neste tempo em que os jornalistas dão as notícias e depois ficam à espera que se confirmem, esta era claramente exagerada, apesar de repetida exaustiva e diariamente ao longo de cinco semanas. Exagerada a notícia e exagerados os valores pretendidos.
Nem o milagreiro Jorge Mendes conseguiu vender Bruno Fernandes pelos números sonhados pelo Sporting, ao ser arregimentado tardiamente e quando os cavalinhos e girafas do seu carrossel já estavam montados e sem dinheiro para mais voltinhas. Nem pela moeda oficial da Gestifute, os famosos “mendilhões”, o negócio rodou.
O capitão do Sporting não está sozinho, não foi caso isolado. Neymar, Pogba, Bale, Coutinho, Milinkovic-Savic, Dybala e Eriksen, todos candidatos a transferências milionárias num valor global projectado próximo dos mil milhões de euros, continuam na sala de embarque à espera que alguém se condoa da chatice das suas vidas nos clubes onde não se sentem bem. Aguentem firme.
Se pensarmos nos 10 por cento dos Mendes e Raiolas desta engrenagem, podemos calcular que haja por aí muita gente com as férias estragadas, em esforço extra para gerar uma nova onda de loucura, antes de setembro, na Europa sem Inglaterra.
Bruno Fernandes e o Sporting voltam-se agora para este segundo mercado, de valores significativamente mais baixos. Só restarão meia dúzia de clubes capazes de pagar 50 milhões por um jogador (Real, Atlético, Barcelona, Paris SG e Juventus, Inter), mas nenhum deles tem o português no azimute. O bluff de Frederico Varandas não virou a mesa.
Milhares de portugueses interrogam-se sobre a falta de interesse do mercado internacional por Bruno Fernandes. Não entendem que os grandes compradores de jogadores adolescentes com poucas provas dadas por verbas exorbitantes optem pela sensatez quando se trata de atletas experientes e de alto rendimento regular. E este primeiro grande fracasso de Jorge Mendes ainda engrossa o pessimismo e o temor de mais conspiração contra o Sporting e a sua recuperação.
O baixo sucesso dos jogadores portugueses que emigraram depois dos 24 anos por verbas elevadas pode ser um dos motivos desta desconfiança. Há a consciência, controversa mas real, de que Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo ou Bernardo Silva não teriam chegado ao topo se não tivessem emigrado tão cedo para ambientes muito mais competitivos e exigentes.
Um investimento de 50 milhões num jogador de 25 anos dificilmente gera retorno financeiro, crescendo a tendência para deixar terminar os contratos e sair a custo “zero”, como aconteceu este ano com os ex-portistas Herrera e Brahimi. Bruno Fernandes vai necessitar de repetir a época passada para voltar a valer metade da cláusula de rescisão, o que não deixa de constituir um teste aliciante para ele e para o clube, dando tempo ao superagente para montar uma operação que resgate honra e prestígio de todos os envolvidos.

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Há um português a dominar o Mercado do futebol europeu de quem pouco ou nada se fala, apesar dos extraordinários negócios que tem realizado. Trabalha em França desde 2013 e, apesar de aparentemente ninguém dar nada por ele, em termos mediáticos, nestes seis anos gerou mais-valias na ordem dos 500 milhões de euros 

O Lille acaba de vender Nicolás Pépé ao Arsenal por 80 milhões, Rafael Leão ao Milan por 30, Thiago Mendes e Ikoné ao Lyon por 31 e El Ghazi aos Aston Villa por 9 milhões. As mais-valias são de 98 milhões, em cima de um dos melhores anos desportivos de sempre, com o 2.º lugar na Liga e apuramento directo para a Champions League. Há um ano, o mesmo clube francês tinha investido 9 milhões de euros em aquisições, mas facturou 70 milhões em vendas. Performance nada má para um clube que estava sob vigilância do fair-play financeiro. 

O responsável por este fenómeno é o português Luís Campos, ex-treinador de pouco sucesso e com a nódoa de ter dirigido no mesmo ano duas equipas que desceram de divisão. Hoje, um jornal espanhol chamou-lhe “Monchi de França”, comparando-o ao admirável director desportivo do Sevilha. Em Portugal, tem passado à margem das notícias e, que eu tenha visto, nem nos cada vez mais e maiores espaços ligados ao “Mercado” as suas proezas têm merecido destaque.

Com muita discrição, quase desconhecido, Luís Campos executa em Lille o que já tinha feito no Mónaco, onde gerou mais-valias superiores a 300 milhões de euros, com jogadores como Bernardo Silva, Fabinho, Martial, Lemar ou Mendy. 

Em seis anos, entre Monaco e Lille, as compras e vendas de Luís Campos conduziram a lucros de aproximadamente 500 milhões de euros. Outros fizeram mais dinheiro graças à formação, mas o Lille, tal como o Monaco, tornou-se num caso de estudo com a sua política de prospecção: compras baratas e vendas chorudas. Hoje mesmo, Luis Campos estava em Istanbul para comprar o médio Yusuf Yazici, do Trabzonspor.

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Quase sem se dar por isso, a geração dos jogadores de Football Manager atingiu a idade adulta e transformou o futebol real num jogo virtual de doidos. Sairam das telas de computador para os escritórios de agentes, depois alguns chegaram também ao empresariado e estão agora a aparecer nos clubes. O que eles dizem, por mais estranho ou inverosímil, tornou-se lei.

Os “scouters” são uma casta superior no mundo da boleiragem, capazes de transformar batatas em botas de cristal, até ao momento da cruel realidade em que o balneário dourado se transforma em abóbora, quando acaba o encantamento do “mercado” e é preciso jogar futebol.

Quando acontecem contratações mirabolantes como a de Nakajima ou a de Carlos Vinicius, não pela qualidade relativa dos atletas, mas pelos valores absurdos envolvidos, imagino que os relatórios de “scouting” sejam extraordinariamente ricos em ângulos cegos da trajectória dos jogadores. Os “scouters”, embora recusem ser chamados de olheiros, vêem o que ninguém mais vê e esmagam as dúvidas ao apresentarem argumentos com uma assertividade que não admite réplica.

Das últimas semanas, ouvi uma mão cheia de observações técnicas em comentários de futebol em directo nas diversas televisões que me reduziram à insignificância. Esmagadoras! E não falo de absurdos como “ainda me lembro de como Seferovic jogava nos juniores do Servette”, mas de pérolas verdadeiras como estas duas ouvidas na recente Taça de África: 

> sobre como o extraordinário Brahim Suleymane, guarda-redes do Tevragh Zeina, joga normalmente com os pés no campeonato da Mauritania;

> sobre como o fantástico queniano Michael Olunga se movimenta no ataque do Kashiwa da 2.ª divisão japonesa, pelo qual alinhou apenas uma dúzia de vezes.

Cito estes dois casos, não por duvidar dos conhecimentos de quem os proferiu, mas para mostrar como é necessária enorme credibilidade profissional para um dirigente aceitar colocar milhões de euros em cima de uma informação tão rebuscada. Ou será o contrário? Estas é que são as informações que valem o tal milhão de dólares? Gostava de ver um presidente de clube confrontado com a possibilidade de contratar o guarda-redes da Mauritânia ou o avançado do Quénia: acreditar no instinto, decidir à sorte ou confiar num olheiro maluco!

Quando surge um nome novo no mercado, a reacção é ir ao Youtube ver clips e resumos que, obviamente, nunca nos mostram os pontos fracos dos jogadores, mas garantem dois ou três parágrafos de conhecimento avulso e pronto a servir. É com base neste conhecimento de pantalha que nos chegam craques cada vez mais exóticos.

Pelo que percebo, já ninguém segue os métodos clássicos, uma enorme trabalheira que consistia em ver, tirar notas, acumular observações e formar uma opinião, durante um período relativamente alargado. Talvez seja uma forma menos esperta de agir neste tempo em que a velocidade informativa é muito mais importante do que o conteúdo. Mas é assim que gosto de me atualizar há décadas, tendo começado alguns anos antes da criação da primeira página regular sobre futebol internacional na imprensa portuguesa e quando as fontes eram toneladas de papel de revistas como Don Balon, France Football, Guerin Sportivo, Kicker e Placar, que chegavam com mais ou menos atrasos, acompanhadas de investimentos casuísticos no Times ou no Guardian, para sentir o ambiente da Liga inglesa só com ingleses, e no Globo, que trazia o ritmo do fascinante futebol carioca dos anos 80.

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