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Dia após dia, há pelo menos três semanas, temos ouvido que o Manchester United está a preparar uma proposta, que a proposta chega dentro de dias, que os dirigentes do Sporting foram a Inglaterra, que Bruno Fernandes está de corpo e alma nos trabalhos de preparação da nova temporada leonina. É um sem-fim a rodar no éter enquanto não chega a hora que nunca mais chega.

Por piedade aos que sonham com uma venda milionária, ninguém se atreve a explicar que simplesmente não há dinheiro para comprar o melhor jogador da Liga portuguesa por valores semelhantes ou acima do que custaram De Jong, Kovacic, Ndombelé, Tielemans, ou mesmo o dobro de Fornals, Sarabia, Vlasic ou Lo Celso.

Para uma grande transferência ser possível é preciso fazer convergir o valor real, o preço na etiqueta e o dinheiro disponível - e neste caso as duas primeiras condições não se acertam e a terceira está claramente em falta. Já se percebeu em várias operações, incluindo as mais chorudas, de João Félix e Griezmann, que a falta de liquidez atrapalha até os mais poderosos.

Mesmo após a actualização do valor de Bruno Fernandes no final da época passada para 55 milhões no site de referência transfermarkt, cinco vezes mais que há um ano e já entre os 100 mais custosos do Mundo, os mercados internacionais continuam em negação, reservando-o eventualmente para uma época de saldos ou de vendas forçadas, mais perto do fecho deste período. E está longe de ser o médio de ataque mais desejado: Eriksen, Dele Alli, Havertz,  Fekir, Isco, James Rodriguez ou van de Beek são concorrentes directos e com mais procura.

O melhor jogador do campeonato português nunca foi considerado prioritário nem causou qualquer corrida desenfreada e só poderia entrar no primeiro mercado europeu depois de Neymar, Pogba ou Bale serem transaccionados e insuflarem liquidez nos possíveis compradores, em particular o Manchester United. Outra dificuldade, porém, é que estes “centenários” também estão cotados muito acima do que valem realmente para os treinadores e, no fundo, colocados na mesma prateleira do capitão do Sporting, à espera que os apertos do final do prazo façam cair drasticamente os preços para o valor real perceptível, talvez menos de metade do que está a ser pedido por qualquer um.

São muito poucos os clubes europeus que podem pagar 50 milhões por um futebolista e quase todos já o fizeram neste defeso. Por 70 ou 80 milhões, como gostaria o Sporting, parece impossível.

Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Bayern, Dortmund, Manchester City, Manchester United, Tottenham e Juventus já realizaram as suas compras acima dessa fasquia e só poderão fazer outras depois de vendas que tardam em conseguir concretizar.

Restam Paris SG, Liverpool, Arsenal e Inter com algum “desafogo”, mas todos fortemente apertados pelo controlo financeiro, sem esquecer os impedidos de comprar ou sem acesso aos fundos da UEFA, como Chelsea ou Milan.

Até a antecipação financeira das receitas da Champions ainda depende da definição do quadro final de participantes e da repartição das quotas de mercado televisivo, processo que também só fica concluído no final de Agosto.

E é este o problema de Bruno Fernandes. Teria mercado “fácil” por uma verba até aos 35 milhões da cláusula base do seu acordo com o Sporting, mas parece sem crédito entre os poucos que podem pagar muito acima disso. Como na fábula da raposa e das uvas, “está verde…”

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Don Jose Mourinho a erguer o seu tridente de títulos frente à matilha de repórteres lembra Don Quixote a levantar a lança contra o moinho de vento, sendo que La Mancha, neste caso, é a sequência bem real de derrotas na Liga Inglesa.

O discurso fantasioso, a linguagem corporal desafiadora para uma batalha que só existe na cabeça dele e o ambiente de dúvida que se instalou em Old Trafford remetem para as aventuras inglórias do Cavaleiro da Triste Figura, de Cervantes. Com uma diferença: não há maneira de minorar o estrago com os conselhos do seu Sancho Pança, o fiel escudeiro Rui Faria que tanta influência teve nas conquistas de outros tempos e decidiu seguir outro caminho.

Mourinho lembrou que tem mais títulos sozinho do que todos os outros treinadores juntos, uma meia falácia só possível pelos abandonos de Arsène Wenger e António Conte há poucos meses.

Também recordou que os adeptos o aplaudiram, sugerindo que estão satisfeitos com o seu trabalho. E foi absolutamente quixotesco naquela alusão a uma superioridade sobre o Tottenham, acabando a pedir a um jornalista que se decidisse sobre o seu dilema: obter resultado ou jogar bem?

Para este Manchester United, ganhar e jogar bem seria como derrubar um moinho e conquistar Dulcinea - um desejo irrealista nesta guerra e um amor apenas platónico.

É o próprio inventor do “resultadismo” a trazer agora à colação um tema que o persegue desde que deixou o FC Porto, talvez a única equipa em que conseguiu juntar a eficácia à qualidade de jogo, com os jogadores mais baratos que alguma vez teve às ordens.

Compreensivelmente, sempre que foi subindo o padrão de exigência e a factura das contratações, baixou o nível de jogo, em função dos resultados. Em pouco mais de dois anos em Manchester, já gastou 432 milhões de euros em apenas nove jogadores, menos 170 milhões do que o “caballero" inimigo, Pep Guardiola, do outro lado da cidade. Como se 170 milhões fizessem a diferença para um título e, sobretudo, para um grande futebol, a diferença entre o Russo, bem realista, que vagueia meio perdido por Old Trafford e o garboso Rocinante, das fantásticas vitórias do nosso herói.

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