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    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

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Três semanas depois de ter faltado com enorme estrondo à entrega de prémios da UEFA, que o humilhava com um segundo lugar atrás do croata Luka Modric, Cristiano Ronaldo sofreu esta noite uma expulsão absurda em Valência, a primeira em 154 jogos na Champions League, que transformou a raiva contida de Agosto em choro convulsivo.

Quem acredita em conspirações não deixará de pensar que se tratou de uma cruel vingança da UEFA e já saltou a terreiro uma porta-voz da família a gritar que (eles) “querem destrui-lo”.

Eu não relaciono directamente uma situação com a outra, relevando o prestígio e experiência do árbitro envolvido, o alemão Brych, mas acho que vai ser interessante acompanhar os próximos tempos desta relação, sobretudo se voltar a aparecer em palco o agente Jorge Mendes, cujas declarações após o sorteio do Monaco em nada ajudaram a posição do jogador perante a organização.

Depois, Cristiano optou por não prestigiar o arranque na nova prova da UEFA, a Liga das Nações, preferindo ficar em Turim a preparar-se para a estreia na Champions League pela Juventus, mas os planos sairam-lhe completamente furados, arriscando agora uma suspensão de duas jornadas, o habitual para um primeiro cartão vermelho directo, ou mesmo três por se tratar de jogada sem bola.

É evidente que se degradou perigosamente a relação do capitão da selecção campeã da Europa com a UEFA e, se o objectivo prioritário é conduzir a Juventus a ganhar a Champions, Cristiano tem de arrepiar caminho.

O que o ajudou muito nas conquistas internacionais pelo Real Madrid foi o apoio popular a nível europeu, com atitude sempre positiva, construindo uma imagem simpática e sociável, em contraponto com a ausência e falta de carisma de Lionel Messi fora das quatro linhas. Em teoria, com a camisola do clube espanhol, Cristiano não seria expulso por uma falta destas.

Um ambiente completamente virado do avesso poderia agora desviar-lhe a concentração.

Cristiano já deu mostras noutras ocasiões de ser capaz de dar um passo atrás, perante os acidentes de percurso, antes de retomar o seu caminho vitorioso. Se não se deixar tomar pela emoção e pela raiva e se for bem protegido pela Juventus, com Jorge Mendes reduzido ao seu papel de bastidores, tudo deverá voltar ao seu lugar. 

O inverso seria uma perigosa espiral de animosidade e deterioração da imagem pessoal, que não deixaria de ser alimentada e ampliada pelos meios de comunicação espanhóis, a qual surgiria numa fase irreversível da carreira, aos 33 anos.

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Não tenho memória de algum futebolista com impacto mediático se fazer acompanhar pela mãe na apresentação num novo clube. Quando são jovens, alguns aparecem com o pai, outros com a namorada, todos com o empresário, mas com a mãe não estou a ver. E, se algum houve, de certeza, não teria 33 anos.

A presença da senhora Dolores Aveiro hoje na sala de imprensa da Juventus a acompanhar a apresentação do filhinho, Cristiano Ronaldo, ofuscando até a presença da namorada, ajuda-nos a explicar a grande incógnita que paira sobre todas as mesas de discussão: como é possível um atleta de 33 anos olhar (e ser olhado por todos) para o futuro como se tivesse 23 e um horizonte de mais cinco ou seis ao mais alto nível e sem perspectivas de quebra de rendimento?

A companhia da mãe num momento tão importante significa que ela está presente em todos os momentos e decisões que conduzem a uma mudança tão complexa como esta.

Ela não estava ali como acompanhante, mas como matriarca - com a responsabilidade da pasta das emoções, a par de Jorge Mendes, o responsável da pasta das finanças.

Cristiano Ronaldo abdicou de muito para ter a vida que tem. Fez muitos sacrifícios e terá trabalhado mais, no aperfeiçoamento técnico e no desenvolvimento fisico, do que qualquer outro futebolista. Mas nunca abdicou da família, da mãe, dos irmãos, do sentido de prole, que agora prolonga para a sua própria família, já com quatro filhos.

É fácil concluir que muito do seu equilíbrio, da sua maturidade, da sua força mental, advém dessa dependência familiar e, até, da disciplina e ordem que a mãe, discretamente, lhe impõe.

Porque nem sempre foi assim. Durante uma década, toda a adolescência, viveu sozinho numa pensão de Lisboa, apartado de uma família madeirense por um oceano intransponível, com direito a um telefonema semanal. Ninguém saberá como isso deve ter sido difícil, embora seja uma situação comum a muitos aprendizes de futebolista, talvez a maioria dos que não tiveram a sorte de nascer nos grandes centros.

A diferença é que ao chegar à idade adulta, em vez de se emancipar definitivamente e usufruir do império desportivo e financeiro que foi erguendo, prosseguindo naturalmente essa vida à distância da família, Cristiano chamou de volta o colo da mãe, particularmente em Madrid, para os seus melhores anos.

Mas hoje, inesperadamente, a mãe de Cristiano anunciou que vai deixá-lo com a própria família na etapa de Turim e regressar à Madeira, cedendo espaço à companheira do filho. Foi talvez a maior revelação da apresentação à Juventus, a acentuar uma mudança substancial, relativamente à vida em Espanha, com consequências imprevisíveis no seu rendimento.

Para seguir, discretamente, mas com atenção.

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A indiferença de Florentino Perez ao capricho de Cristiano Ronaldo pode determinar o fim do ciclo dominante do Real Madrid no futebol europeu. É, pelo menos, uma ameaça real.

A mudança do português de Madrid para Turim representa um desafio grandioso, em coincidência com os investimentos de Manchester City, Paris Saint Germain e Bayern de Munique para serem a seguinte potência dominante da Champions.

A Juventus percebeu nos últimos três anos que lhe faltava uma dimensão superior para também chegar ao título europeu e esta oferta do português revigora uma vontade que ficou muito abalada pela diferença sentida nas meias-finais deste ano.

Cristiano é um jogador diferente de qualquer outro na sua capacidade de se reinventar e recomeçar. Procura desafios extremos e não se desvia. Agora, quer vencer a Champions com uma terceira camisola, algo que só o holandês Clarence Seedorf conseguiu, primeiro pelo Ajax (1995), e depois curiosamente também no Real Madrid (1998) e num clube italiano, o AC Milan (2002 e 2007).

O trajecto em Madrid estava concluído, não tinha qualquer estímulo especial, como também percebeu o treinador Zidane ao mesmo tempo. Além do pleno desportivo já alcançado, Cristiano nunca terá sentido um apoio sem reservas da parte da instituição, em particular no conflito com o fisco espanhol, mesmo que tão tivesse razão. Falta-lhe o apoio “paterno” que sempre sentiu da parte de Alex Ferguson, em Manchester, e sofre com a comparação à simbiose total entre o rival Lionel Messi e o Barcelona em todas as matérias, incluindo também o confronto com a autoridade fiscal. 

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