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A profissão de futebolista é das poucas em que se pode ganhar uma fortuna antes de apresentar serviço e em que as expectativas de um futuro currículo podem valer mais do que o currículo em si. João Felix, de 19 anos e seis meses como “estagiário”, vale mais para os empregadores do que Eden Hazard, de 28 e profissional de classe mundial com dezenas de títulos colectivos e individuais.
Os espectadores, estupefactos ou incrédulos, dividem-se entre o orgulho e a inveja, consoante a proximidade com os protagonistas, mas, no fundo, tendem a acreditar que existe uma lógica para as loucuras do mercado dos dirigentes, apesar de nenhum negócio poder prosperar com este sistema. Nenhum negócio normal, quero dizer, o que não inclui o dos agentes, também conhecidos como "empresários".
Os media ampliam este frenesim e, ao fim de quase trinta anos de mercado de verão, continuam na mesma lógica insana de considerar e apresentar ao público qualquer candidato como excelente, evitando o odioso da dúvida metódica. Os jogadores, por menos qualidade que possam ter, são todos apresentados como “reforços”: no Atlético de Madrid ninguém duvida neste momento que João Félix seja um reforço e ai de quem ouse duvidar.
E não devia ser assim. Mesmo correndo o risco de perder alguns achados, a lógica de gestão de um clube profissional devia reger-se por objectivos e premiação, como na maior parte das carreiras profissionais. Porque a taxa de sucesso relativo das novas contratações não ultrapassa os 20 por cento, o que equivale a dizer que são muito mais os falhanços do que as boas operações desportivas e financeiras e que 80 por cento dos jogadores valem menos na venda do que na compra.
Tomemos como exemplo o mercado português de há um ano. O Benfica contratou Vlachodimos, Corchia, Ebuhei, Conti, Lema, Alfa Semedo, Gabriel, Ferreyra e Castillo. O FC Porto reforçou-se com João Pedro, Janko, Jorge, Mbemba, Eder Militão, Bazoer e Paulinho. O Sporting adquiriu Renan, Viviano, Bruno Gaspar, Marcelo, Gudelj, Nani, Raphinha e Diaby.
Neste conjunto de promissoras estrelas gastaram os três clubes 80 milhões de euros, que teriam redundado em perda quase total, não tivesse havido o milagre Militão, graças à incompetência do “scouting” do Real Madrid, que podia tê-lo adquirido um ano antes por seis vezes menos. Para lá do defesa brasileiro, só Vlachodimos, Gabriel, Renan, Gudelj e Raphinha se encontram, ao fim de um ano, numa linha de evolução desportiva que justifique a aposta. Tudo o resto, com o devido respeito, foram erros de casting ou de incompatibilidades com os objectivos - dentro da média habitual de apenas um acerto por cada cinco contratos.
Quando são cada vez mais e maiores os espaços mediáticos dedicados ao tema em época de defeso, um trabalho dos mais difíceis e complexos, devido aos evidentes riscos permanentes de especulação (dos jornalistas), manipulação (pelos agentes) e propaganda (dos clubes), em que o sentido da abordagem é sempre positiva, alimento a expectativa de um especialista que seja capaz de vaticinar fracassos e que entre em contraciclo com a tendência de que tudo o que vem ao mercado é craque.
E esta transferência de João Félix para o Atlético de Madrid tem muitas possibilidades de redundar num erro de casting também, desde a relação custo-rendimento, à adequação equipa-jogador: o Atlético não é, seguramente, o clube indicado para quem queira tornar-se no melhor jogador do Mundo.

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Filipe Coutinho foi o melhor jogador da primeira fase do Mundial, a par de Modric, da Croácia, e de Hazard, da Bélgica. Cada um a seu jeito, mas os três com essa característica cada vez mais rara de nunca atrasarem o jogo e de correrem sempre em frente, resolutos, bola no pé, visão periférica, controlo do espaço, pensamento no golo, tempo de definição e capacidade de remate. Curiosamente, todos têm dois golos marcados e uma assistência e cinco prémios de “Man of the Match” em oito possíveis, faltando ainda uma partida ao belga para igualar os rivais.

Coutinho tornou-se no primeiro jogador brasileiro em 60 anos, desde Pelé no Mundial da Suécia, a marcar ou assistir para golo em cada um dos três jogos da primeira fase. Não é comum (nem fácil), um centro-campista ter essa influência directa no jogo e no resultado.

Hoje, não marcou, mas o passe longo que deixou Paulinho isolado frente a Stojkovic foi mais de meio golo. Um lançamento de 25 metros teleguiado para um golo 100 por cento do Barcelona, a equilibrar essa estranha estranha competição a decorrer em Espanha sobre qual o clube que marca mais golos no Mundial: neste momento o Real Madrid vence o Barcelona por 9-8.

No caminho de Portugal, nas meias-finais, o Brasil está a chegar ao ponto, subindo de jogo para jogo, equilibrando-se cada vez melhor (Neymar só foi ao chão quatro vezes hoje), apesar das más notícias da lesão de Marcelo, depois de Danilo, reduzindo o quadro de laterais já empobrecido pela ausência de Dani Alves.

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Com De Bruyne e Hazard a construir, Lukaku e Mertens a concluir, muitos golos vai a Bélgica marcar neste campeonato.
Ao Panama foram 3, depois de uma primeira parte ainda perra e de baixa velocidade, que deu aos centro-americanos uma falsa sensação de segurança, rapidamente destruída pelo míssil de Mertens no recomeço.
A Bélgica está entre as 4 favoritas do Mundial e o estreante Panama é uma das três seleções mais fracas - confronto de que em 90 por cento dos casos resulta a consagração da lei do mais forte, mais golo, menos golo.
Jogos assim têm reduzido interesse para a competição, mas a FIFA parece pensar o contrário, ao adicionar mais 16 seleções em figurinos futuros: talvez a Itália e a Holanda encontrassem o seu espaço nesse alargamento, mas a maioria dos lugares vão ser ocupados por outros Panamas.

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