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O próximo jogo europeu do Benfica, com o Fenerbahce, das pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, será transmitido na televisão do clube, BTV, uma situação inédita em Portugal, embora já não seja a primeira a nível continental: ontem, o jogo Celtic-Rosenborg, da segunda pré-eliminatória, foi transmitido também na Celtic TV, constituindo um marco na história do futebol profissional, ao mais alto nível.

Com esta permissão, está, portanto, a UEFA a chancelar uma situação absolutamente normal em muitas outras modalidades a nível mundial e mesmo em Portugal, onde cada vez mais clubes promovem as suas edições de streaming, para lá dos canais já existentes no cabo que transmitem todo o tipo de jogos, excepto os da equipa principal, cujos direitos não lhes pertencem, por opção económica.

É também uma derrota para os monitores de escândalos, que vislumbram indícios de corrupção em tudo o que não controlam e contestam quotidianamente essa opção do Benfica, sugerindo favorecimento e até manipulação desportiva, pondo em causa o profissionalismo e independência dos produtores que também trabalham para eles nas transmissões das equipas B ou do futebol juvenil ou modalidades.

Não há nada de desportivo ou antidesportiva neste negócio. Apenas economia.

Por mais benefícios comuns que se possa ver na venda de direitos em conjunto, pelas Ligas, alguns clubes são tão grandes em relação ao mercado em que se inserem, que nunca poderiam ser ressarcidos dos montantes de que teriam de abdicar e, pelo contrário, estariam a inflacionar o mercado com valores incomparavelmente acima do que se justifica para os clubes mais pequenos.

É o caso do Benfica em relação ao mercado português e do Celtic em relação ao mercado escocês e irlandês.

A evolução dos direitos televisivos do futebol e do desporto em geral vai, necessariamente, ter uma inversão dentro de poucos anos, pois a concorrência da distribuição dos canais de streaming, em Portugal conhecidos por “canal Inácio”, está a subverter completamente a lógica de cobrar ao consumidor o valor entregue aos clubes. O consumidor faz tudo para não pagar nada e ter à disposição muito mais do que qualquer canal comercial pode oferecer e está a vencer esta batalha, com a ajuda dos sites de apostas, estes sim financeiramente fortes para suportarem o pagamento dos direitos.

Por outro lado, os custos de produção baixam de tal forma que qualquer um hoje pode fazer uma transmissão e até já começam a surgir no Facebook e no Instagram directos selvagens que se tornaram igualmente impossíveis de controlar e que não visam outros objectivos que não sejam os de divulgar para nichos de mercado ou núcleos de simpatizantes.

 

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Tensão, acusação, traição, vingança, crime - eis as últimas horas do futebol em Portugal em episódios, mais ou menos cronológicos e pormenorizados.



Ontem, ao final do dia:



> um advogado a chamar a polícia porque não lhe aceitam uma caixa de papéis num estádio



> o presidente da assembleia geral a destratar o tal advogado e a referir como ex-sócio o ex-presidente do seu clube



> uma advogada a explicar que o tal presidente lhe prometeu uma verba choruda para encabeçar uma estrutura ilegal e lançar a confusão na ordem estatutária da sociedade, mas que o considera agora um “aldrabão”



> o ex-presidente do clube em causa a garantir que vai ser candidato às eleições não obstante estar legalmente impedido de o ser e a dizer-se vítima de vingança.



Hoje de manhã:



> um clube a chamar “porta-voz de organização criminosa” a um dirigente do rival.



O adepto tenta concentrar-se nos jogadores, nas novas contratações (este ano, com a novidade das recontratações), nas opções tácticas dos treinadores e na observação dos primeiros jogos, mas há um resguardo sistemático da parte dos clubes, viciados em portas fechadas com janelas de quinze minutos para visibilidade dos patrocinadores, que acaba por desviar as antenas para esta marginalidade.



Com a digestão da overdose do Mundial completamente feita, quase nos esquecíamos que estamos em Portugal. Com o prazer do gosto pelos jogos, sem acesso às trapalhadas dos bastidores, que também terá havido, não são precisos muitos dias para acordarmos para a nossa realidade e desejar que o Mundial começasse outra vez amanhã.

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