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Frederico Varandas confirma muita inexperiência para a função de presidente neste processo de despedimento do treinador José Peseiro. As dificuldades em nomear o técnico seguinte, o primeiro do seu pontificado, denunciam uma gestão pouco racional.  

1 - A demissão surgiu dois meses fora de tempo. Sendo claro que Peseiro nunca foi o treinador do seu projecto, tema estrategicamente contornado na campanha eleitoral, a substituição teria sido melhor compreendida no dia a seguir à tomada de posse, 

2 - Não se entende, considerando as dificuldades da formação do plantel e dos sobressaltos da pré-temporada;

3 - É precipitada em função dos resultados, remetendo para a demissão de Bobby Robson há 25 anos, por Sousa Cintra;

4 - Pode compreender-se pelo fraco nível exibicional da equipa, ainda que tal nunca tenha sido questionado publicamente ou nos meios de comunicação do clube;

5 - Revela fraqueza da liderança perante os protestos de parte de uma das mais reduzidas assistências dos últimos anos num jogo em Alvalade, começando muito cedo a ceder aos caprichos do que resta da claque;

6 - Evidencia amadorismo na escolha do sucessor, ao não conseguir esconder que não existia uma real alternativa definida com antecedência, ao contrário do que seria de esperar de um presidente que não apoiava o treinador que “herdou”.

Em suma, uma decisão inesperada, aparentemente mais emotiva do que racional, mas irreversível e de consequências devastadoras.

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O Sporting elegeu e empossou o 43.º presidente, quinto dos últimos dez anos. Frederico Varandas ganhou as eleições com a proposta de unir o clube, um objectivo ambicioso num clube que ao longo das últimas décadas tem lutado desesperadamente contra um síndrome de autodestruição.

Inicia o mandato num momento delicado, mas pacífico em termos futebolísticos, na liderança do campeonato. O futebol é o fiel da paz interna do Sporting, mas só admite uma saída, a da vitória. 

Desde João Rocha, o último líder indiscutível, o Sporting elegeu com esperança e depôs sem clemência presidente a seguir a presidente, ao mesmo tempo que acumulava épocas e épocas de insucesso no futebol, com apenas dois campeonatos ganhos em 36 anos.

Com isso desenvolveu uma personalidade bipolar, unido para o exterior mas completamente fraccionado internamente. O Sporting, aos olhos da sua exigente massa associativa, tem uma honestidade à prova de bala na comparação com os clubes rivais,  mas há mais de vinte anos que não se orgulha  de um presidente - excepto, agora, Sousa Cintra pelo que fez nos últimos dois meses.

Um campeonato é perdido pela corrupção dos adversários, pela perseguição dos árbitros ou pela desonestidade do “sistema”, mas quem paga por incompetência ou, mesmo, gestão danosa é o próprio presidente e a sua equipa. Há um orgulho enorme pela diferença relativamente a Pinto da Costa e Luis Filipe Vieira, mas sem disfarçar a vergonha e o desespero por não conseguir vencê-los.

Para os sportinguistas que perseguem os seus ex-dirigentes com desconfianças públicas, auditorias forenses e assembleias destitutivas, não há piores presidentes que os dos adversários, apesar de nenhum outro clube mostrar uma estima tão baixa pelos respectivos líderes, a maioria dos quais (Porto, Benfica, Braga, Guimarães, Boavista, etc.) vão repetindo mandatos e mantendo a confiança dos respectivos adeptos há mais de uma década.

Isto é: um líder do Sporting teria um nível de integridade pessoal muito acima dos dirigentes dos outros clubes, mas inferior ao padrão dos seus próprios consócios. Assim se explica que um presidente idolatrado, com 90 por cento de apoio, possa ser expulso em menos de um ano pelos mesmos associados.

Chegar a presidente do Sporting é, portanto, candidatar-se a terminar destratado, porque o padrão de exigência é tão alto e intolerante. Basta recordar como foram afastados do clube Jorge Gonçalves, Santana Lopes, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt, Godinho Lopes ou Bruno de Carvalho, alguns até com pena de expulsão, todos culpados de não terem conseguido a conquista do título principal do futebol.

Mas até José Roquette e Dias da Cunha, os últimos campeões, viram o prestígio desgastar-se ao ponto de não retorno, com saídas nada consentâneas com o desempenho das suas gerências.

Este é o desafio de Frederico Varandas: unir os sportinguistas passa obrigatoriamente por ganhar o campeonato de futebol, exorcizar os fantasmas caseiros passando por cima dos adversários externos.

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