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Diz-se que o ataque ganha jogos e a defesa ganha campeonatos. A França juntou os dois melhores atacantes do campeonato, Griezmann e Mbappé, à melhor organização defensiva e por isso é a indiscutível campeã mundial, numa final de resultado mais desnivelado do que seria expectável.

Griezmann e Mbappé acabam o Mundial com 4 golos cada um, contribuindo para todas as vitórias, excepto a meia-final com a Bélgica, decidida por Umtiti, numa bola parada.

Ter bons avançados e uma organização defensiva muito solida, embora com um guarda-redes mediano, parece ser o indicador de uma nova mudança do paradigma futebolístico. Ganhar com menos bola parecia impossível à medida que se desenvolveu nos últimos anos a obsessão pelo seu controlo, com seus titkitakas e derivados, mas depois deste Mundial tudo é possível - o Guardiola que se cuide. Na final, repetiu-se: França 34, Croácia 66% - e daí?

Com os dois primeiros golos em lances de bola parada, tal como na decisão da meia-final, os franceses executaram o seu plano na perfeição, juntando a segurança defensiva à eficácia atacante. Este foi o campeonato com maior percentagem de sempre dos lances de bola parada e a França também esteve dentro da média geral, com seis golos em 14.

Para ter a melhor defesa não é preciso ter o melhor guarda-redes, se todos os outros forem de nível superior. Lloris fica bem atrás de Courtois e de mais alguns. Mas Varane e Umtiti foram os melhores centrais do campeonato, Hernandez o melhor lateral esquerdo e Pavard o segundo melhor lateral direito, depois do belga Meunier.

Junte-se o melhor médio recuperador, Kanté, e um volante poderoso como Pogba e está explicada a solidez dos franceses, completada com peões de brega como Matuidi e Giroud, além de três ou quatro suplentes do mesmo nível, em particular NZonzi e Fekir.

 

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Antoine (Lopes) Griezmann é neto de um português, por parte da mãe, filha mais nova do emigrante Amaro Lopes, já nascida em França. Amaro “da Cavada” foi também jogador de futebol, destacado no Vasco da Gama, o clube que deu origem ao actual Paços de Ferreira, nos anos 50 do século passado. Houve até uma fase na carreira do jovem Antoine em que alguns problemas com a Federação francesa o levaram a cogitar a possibilidade de representar Portugal a nível de selecções, um pouco por pressão dos tios mais velhos, que nasceram por cá.

É por casos como este, comuns à maioria dos jogadores franceses, que podemos considerar a selecção de Deschamps uma espécie de equipa de todos nós, de “tout le monde”, como eles dizem - por tão ecuménica e plural ser a sua genética.
Neste Mundial, a França esteve longe de encantar, mas foi a única que venceu os cinco jogos e tem alguns dos melhores jogadores do Mundial, como Varane, Kanté e Mbappé, todos já com lugar assegurado no onze de honra. Por ser forte e muito habituada a estas andanças é a favorita, o que também ajuda ao apoio romântico de meio Mundo à Croácia, que não sendo melhor que a França praticou um futebol mais entusiasmante.
Acredito que a maioria dos adeptos de todo o Mundo estarão do lado croata, quanto mais não seja pela poesia de ver um país tão pequeno, com menos de cinco milhões de pessoas e muito poucos futebolistas profissionais, voltar a desafiar os mais poderosos e em particular a poderosíssima França, que tem disputado à Alemanha a hegemonia do futebol europeu dos últimos 20 anos.
Mas se verificássemos bem a composição da multifacetada selecção francesa era do lado dela que todos devíamos estar. Nós e a maior parte do Mundo.
Contada a história do português Griezmann, vejamos as raízes do resto da selecção de Deschamps:
Lloris, Pavard, Varane, Giroud e Thauvin são franceses sem influências estrangeiras e Lemar um francês das Caraíbas. Todos os outros são filhos ou netos das migrações do pós-Guerra e a maioria tem dupla nacionalidade.
Mandanda - nasceu no Congo (dupla-nacionalidade)
Aréola - tem nacionalidade filipina
Kimpembe - tem nacionalidade congolesa
Umtiti - nasceu nos Camarões (dupla-nacionalidade)
Rami - tem nacionalidade marroquina
Sidibé - filho de um maliano
Hernandez - tem nacionalidade espanhola
Mendy - tem nacionalidade senegalesa
Pogba - tem nacionalidade guineense
Tolisso - filho de um togolês
Kanté - tem nacionalidade maliana
Matuidi - tem nacionalidade angolana
Nzonzi - filho de congolês
Mbappé - tem nacionalidade camaronesa
Dembelé - tem nacionalidade mauritana
Fekir - tem nacionalidade argelina

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Mbappé é o futuro rei do futebol moderno, em breve será entronado como líder da geração que se se segue aos tempos de Cristiano e Messi. Nas meias-finais do Mundial, num confronto pelo estrelato com o maduro Eden Hazard, o francês ganhou largamente aos pontos e esteve perto de vencer por KO, faltando-lhe apenas algum lance de maior proximidade da baliza que lhe permitisse voltar a marcar.

Criou três oportunidades de golo para os colegas, uma das em dois toques de génio a deixar o perdulário Giroud frente a frente com o golo, fez seis passes-chave, um numero excepcional para uma competição tão nivelada e frente a adversários de tamanha categoria.

Com muitas responsabilidades defensivas, entregue ao trabalho solidário que caracteriza esta selecção francesa, com algumas restrições territoriais no flanco direito, ainda não tem estatuto de poder escolher o que faz em campo.

Só tem 19 anos, tem de manter a disciplina e conter a ambição. Mas é evidente que renderá muito mais, sobretudo na concretização, quando a equipa for formatada em função das suas qualidades e não o contrário. Um avançado com a velocidade, o instinto e a classe de Mbappé não pode sair de um relvado sem ter feito um remate em 90 minutos. Quando isso acontecer deixará de ser príncipe.

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