Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds



Há um português a dominar o Mercado do futebol europeu de quem pouco ou nada se fala, apesar dos extraordinários negócios que tem realizado. Trabalha em França desde 2013 e, apesar de aparentemente ninguém dar nada por ele, em termos mediáticos, nestes seis anos gerou mais-valias na ordem dos 500 milhões de euros 

O Lille acaba de vender Nicolás Pépé ao Arsenal por 80 milhões, Rafael Leão ao Milan por 30, Thiago Mendes e Ikoné ao Lyon por 31 e El Ghazi aos Aston Villa por 9 milhões. As mais-valias são de 98 milhões, em cima de um dos melhores anos desportivos de sempre, com o 2.º lugar na Liga e apuramento directo para a Champions League. Há um ano, o mesmo clube francês tinha investido 9 milhões de euros em aquisições, mas facturou 70 milhões em vendas. Performance nada má para um clube que estava sob vigilância do fair-play financeiro. 

O responsável por este fenómeno é o português Luís Campos, ex-treinador de pouco sucesso e com a nódoa de ter dirigido no mesmo ano duas equipas que desceram de divisão. Hoje, um jornal espanhol chamou-lhe “Monchi de França”, comparando-o ao admirável director desportivo do Sevilha. Em Portugal, tem passado à margem das notícias e, que eu tenha visto, nem nos cada vez mais e maiores espaços ligados ao “Mercado” as suas proezas têm merecido destaque.

Com muita discrição, quase desconhecido, Luís Campos executa em Lille o que já tinha feito no Mónaco, onde gerou mais-valias superiores a 300 milhões de euros, com jogadores como Bernardo Silva, Fabinho, Martial, Lemar ou Mendy. 

Em seis anos, entre Monaco e Lille, as compras e vendas de Luís Campos conduziram a lucros de aproximadamente 500 milhões de euros. Outros fizeram mais dinheiro graças à formação, mas o Lille, tal como o Monaco, tornou-se num caso de estudo com a sua política de prospecção: compras baratas e vendas chorudas. Hoje mesmo, Luis Campos estava em Istanbul para comprar o médio Yusuf Yazici, do Trabzonspor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Captura de ecrã 2019-06-13, às 19.07.53.png

Hoje após marcar de pénalti o golo que iguala o recorde de Mundiais que pertencia ao alemão Miroslav Klose, a brasileira Marta, seis vezes melhor jogadora do Ano para a FIFA, apontou para a chuteira sem patrocinador e com um símbolo de igualdade homem-mulher no desporto, duas listas azul e rosa iguais em formato e tamanho. O símbolo da eterna utopia feminina, do salário igual para desporto igual, se nos lembrarmos de que há apenas uma mulher, a tenista Serena Williams, entre os cem desportistas mundiais mais bem pagos da actualidade. Marta deu visibilidade ao movimento #GoEqual e colocou-se perigosamente sob alçada disciplinar da FIFA, que nada aprecia este tipo de manifestações.
Antes de Marta, já a norueguesa Ada Hegerberg, melhor jogadora europeia, se recusara a disputar o Mundial por causa das diferenças de tratamento de género na sua própria Federação e quase todas as selecções presentes em França arrastam históricos de discriminação e diferenças, como é o caso da Argentina, constituída às custas das próprias jogadoras. Mesmo no país de maior desenvolvimento do jogo feminino, os Estados Unidos, é impossível organizar uma Liga profissional e a forma de manter o nível da selecção é pagar às jogadoras como funcionárias a tempo inteiro da Federação.
É neste clima de incerteza e dificuldades que decorre o campeonato mais visto de sempre, seguido com enorme interesse em partes substanciais do mundo desenvolvido. O Mundial que começou esta semana em França é um evento apaixonante, que quebra recordes de audiência e marca a definitiva emancipação deste desporto a uma escala global, após um crescimento lento e turbulento desde os primeiros sinais de ilusória expansão dados pelo campeonato de 1999, disputado nos Estados Unidos.
As imagens dos estádios franceses mostram um ambiente de festa no dia a dia das equipas e um elevado nível competitivo entre a maioria das selecções, com um desfecho imprevisível para a prova, tendo alargado significativamente o número de candidatas ao título, relativamente a provas anteriores. Sem esquecer o uso exemplar e didáctico do VAR, a um nível bem superior e clarividente, relativamente ao que se viu há um ano no Mundial masculino.
Os jogos femininos são orientados para o golo, têm menos paragens, menos faltas, mais tempo útil, menos condicionantes tácticas, mais espaço para o talento individual. E vão desenvolver uma nova economia desportiva, novos mercados, novas marcas, como se vê em França por estes dias, com o eixo do campeonato do Mundo a derivar dos grandes centros tradicionais para as cidades onde o futebol feminino já estava mais implantado localmente.
É o que de passa em França, Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Noruega, Suécia, nos Estados Unidos, China, Japão, Austrália, Brasil ou África do Sul. O futebol feminino gera entusiasmo e admiração, não tardará a gerar dinheiro também, nunca como Marta e Hegerberg desejariam, mas na sua própria escala.
Com um atraso de mais de vinte anos, Portugal só recentemente começou a despertar para esta proposta desportiva e é uma pena que tão importante evento passe ainda à margem dos nossos meios de comunicação e não seja visível para milhares de raparigas.
Com a entrada do Benfica no espectro competitivo, iniciou-se uma nova fase, provavelmente imparável, apesar de o projecto profissional ser alicerçado em jogadoras estrangeiras, duas das quais estão, aliás, no Mundial de França. Deve ser preciso esperar por pelo menos mais uma geração até Portugal dispor da massa crítica indispensável à sublimação de uma selecção competitiva a nível mundial, depois de já ter conseguido disputar o último Europeu.
Como diria Pessoa, se hoje vivesse aos 131 anos, sobre esta última Coca-cola a chegar ao enorme deserto do panorama desportivo português, o futebol feminino primeiro estranha-se, mas depois entranha-se. É irresistível.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Diz-se que o ataque ganha jogos e a defesa ganha campeonatos. A França juntou os dois melhores atacantes do campeonato, Griezmann e Mbappé, à melhor organização defensiva e por isso é a indiscutível campeã mundial, numa final de resultado mais desnivelado do que seria expectável.

Griezmann e Mbappé acabam o Mundial com 4 golos cada um, contribuindo para todas as vitórias, excepto a meia-final com a Bélgica, decidida por Umtiti, numa bola parada.

Ter bons avançados e uma organização defensiva muito solida, embora com um guarda-redes mediano, parece ser o indicador de uma nova mudança do paradigma futebolístico. Ganhar com menos bola parecia impossível à medida que se desenvolveu nos últimos anos a obsessão pelo seu controlo, com seus titkitakas e derivados, mas depois deste Mundial tudo é possível - o Guardiola que se cuide. Na final, repetiu-se: França 34, Croácia 66% - e daí?

Com os dois primeiros golos em lances de bola parada, tal como na decisão da meia-final, os franceses executaram o seu plano na perfeição, juntando a segurança defensiva à eficácia atacante. Este foi o campeonato com maior percentagem de sempre dos lances de bola parada e a França também esteve dentro da média geral, com seis golos em 14.

Para ter a melhor defesa não é preciso ter o melhor guarda-redes, se todos os outros forem de nível superior. Lloris fica bem atrás de Courtois e de mais alguns. Mas Varane e Umtiti foram os melhores centrais do campeonato, Hernandez o melhor lateral esquerdo e Pavard o segundo melhor lateral direito, depois do belga Meunier.

Junte-se o melhor médio recuperador, Kanté, e um volante poderoso como Pogba e está explicada a solidez dos franceses, completada com peões de brega como Matuidi e Giroud, além de três ou quatro suplentes do mesmo nível, em particular NZonzi e Fekir.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)




Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds