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Os sportinguistas estão chocados com a dispensa de mais três pérolas de Alcochete em contraciclo com a afirmação nacional e internacional dos prodígios do Seixal. Para lá do desaproveitamento desportivo, ainda se somam cada vez mais milhões de euros ao negócio de formação e venda dos jovens do Benfica, em contraste com o reduzido interesse dos mercados mais abonados pelos formandos do Sporting.

No jogo cerrado entre os grandes rivais da formação, o Seixal está a ganhar de goleada a Alcochete, invertendo em poucos anos uma diferença que era diametralmente oposta. Todavia, ainda se nota uma atitude de negação e outra de desconfiança em relação a estes indícios de mudança.

Num lado, acredita-se que Francisco Geraldes, João Palhinha, Matheus Pereira e mais dois ou três deviam fazer parte do plantel que quer discutir o título. A crença absoluta dos adeptos nos valores de Alcochete contrasta com a falta de convicção manifestada por treinadores consecutivos, que sempre preferiram soluções compradas aos mercados externos.

No outro, quase não se acredita que Ruben Dias ou Gedson Fernandes, e previsivelmente João Felix, peguem de estaca e cheguem à selecção principal com poucos meses, ou apenas semanas, de experiência na equipa principal. 

Há aqui algo que não faz sentido. A diferença de qualidade de trabalho entre Alcochete e Seixal não pode ou não devia ser tão acentuada.

Bernardo Silva, João Cancelo, Renato Sanches, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes, sairam prematuramente do Benfica para os principais clubes europeus em operações eventualmente inflacionadas pela mediação de Jorge Mendes, mas quase todos conseguiram confirmar e trepar nas listas dos mais procurados, proporcionando ainda mais valias ao Benfica pelas réplicas contratuais que conseguem realizar.

Ora, com as excepções de Bruma, que saiu em litígio, e de Dier, que foi dado ao Tottenham, os jovens leões da mesma geração não estão a competir neste campeonato, só conseguem lugares por empréstimo em clubes europeus de terceiro plano, pelo que tem de ser uma prioridade dos futuros dirigentes do Sporting perceber como se caiu tanto em tão pouco tempo.

Muito mais do que supor que se pode ser campeão com Geraldes ou Matheus, há que fazer contas ao dinheiro que se perde na passagem da formação para o profissionalismo, de que a extinção da equipa B leonina foi um erro crasso.

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E agora ninguém aposta nos putos campeões europeus, só gostam de argentinos e paraguaios, de nomes terminados em ov e em ic, mais suecos e mexicanos. Esta foi a reacção generalizada após o espanto da descoberta de uma selecção de portugueses que joga ao ataque e não tem complexo perante nenhum adversário.

Campeão da Europa de sub-19 com a maioria dos que já tinham sido campeões de sub-17, Portugal apresenta uma geração de talentos, mais uma, que vai seguramente ter sucesso nos próximos anos. O que não quer dizer que tenham de ingressar todos de supetão nas principais equipas nacionais ou que tenham sequer qualidade e experiência para tal. A verdade é que não têm e muitos não resistirão às dificuldades da mudança de idade e aos desafios do futebol profissional.
Se tudo correr normalmente, a maioria destes jovens jogadores vai estar no próximo Mundial de sub-20 e muitos farão parte da futura selecção de sub-23. Muito menos serão os que vão jogar em clubes de primeira linha. É o processo de selecção natural.
Dos campeões mundiais da chamada geração de ouro, só Figo, Rui Costa, Jorge Costa, João Pinto e Abel Xavier se tornaram regulares na selecção A - e mesmo assim já foi um aproveitamento muito superior ao de todas as outras gerações.
Os grandes clubes têm a prioridade de lutar pela conquista de títulos e para isso necessitam de jogadores adultos, não tendo tempo nem crédito desportivo para apostas que necessitem de muitos jogos para alcançarem tal nível, mas nunca deixarão de desenvolver e aproveitar os que conseguirem responder à exigência. São até cada vez mais competentes nessa avaliação.
Os adeptos que hoje reclamam um lugar na equipa do Benfica para João Filipe talvez nem saibam que ele está na fila de espera, um lugar atrás de João Félix, que também podia ser campeão europeu se não tivesse já atingido o patamar superior, tal como Gedson e mais alguns de outros clubes (Dalot, Leite ou Leão). Nem os campeões europeus do Sporting de Braga terão essa facilidade. Nem os do Porto, os do Sporting, o do Arsenal, o do Wolverhampton. Terão oportunidades, mas não facilidades.
Excepto raríssimas excepções, um jovem de 19 anos está ainda longe de poder render ao nível de uma equipa de alta competição. Por isso há escalões intermédios, equipas B, equipas sub-23 e toda uma sequência de etapas que confirmem os indicadores fornecidos nos escalões mais jovens, com a certeza absoluta de que muito poucos, talvez dois ou três, vão ter dias ainda mais felizes do que o de ontem. Um enorme desafio, portanto, e não uma vida de facilidades, eis o que espera a todos.

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Os adeptos do Sporting que sentiram tanto orgulho pelo número de jogadores da sua formação que fizeram parte das selecções do Euro-2016 e do Mundial-2018, estão agora confrontados com uma autêntica purga a acontecer neste defeso, com 10 atletas já afastados da equipa principal, seja pelo processo de rescisões, seja pela selecção desportiva de José Peseiro.

O Sporting 2018-19 poderá ser o que menos jogadores formados na Academia apresenta na história do clube. Para já, apenas cinco: Maximino, Matheus Pereira, Mané, Jovane e Nani, dos quais nenhum esteve no plantel da última época.
De saída, os dissidentes Rui Patrício, William Carvalho, Gelson, Podence e Rafael Leão, mais os emprestados Geraldes, Gauld, Palhinha, Demiral e Domingos Duarte.
É uma marca que desaparece na equipa leonina, agora com uma prevalência de jogadores estrangeiros, na esteira dos seus principais rivais. E com os problemas evidentes no sector da formação, com a equipa B a ser extinta depois de ter descido de divisão, bem podemos estar perante uma mudança de paradigma e não apenas uma situação conjuntural.

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