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  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

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    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

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    Lúcido, como sempre. Parabéns.

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    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

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    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...






O Mundial entrou na fase do empata-empata, outrora conhecida como do mata-mata. Ninguém quer perder e poucos têm capacidade de correr riscos para chegar ao triunfo. Os jogos transformam-se em exercícios de xadrez, com a proposta de empate sempre presente nas acções colectivas e nas directrizes dos treinadores. Muita cabeça, muita concentração, nada de erros - que o guarda-redes depois resolve nos penaltis.



E assim, depois do feito do russo Akinfeev, foi o croata Subasic quem acabou por vencer o dinamarquês Schmeichel, numa decisão em que foram defendidos cinco pontapés em nove. É desta forma que, provavelmente, se vai eleger o melhor guarda-redes do Mundial, depois de uma primeira fase em que nenhum brilhou a grande altura. A fase eliminatória tornou-se no tempo dos guarda-redes e as emoções extremas que os desempates provocam acabam por salvar os jogos.



Leio em outras línguas algumas referências elogiosas aos jogos de sábado em comparação com as xaropadas servidas no domingo. Quem criticou a lentidão e falta de criatividade da seleção portuguesa, contrapondo o futebol espectacular da Croácia, por exemplo, deve ter ficado à beira de cortar os pulsos.



Como dizia um filósofo antigo, “o futebol é isto mesmo”. Um jogo pode começar a todo o vapor, com dois golos no primeiros 4 minutos, e depois fechar-se numa concha e fingir-se de morto até à hora do desempate final. Muita gente por esse mundo fora deve ter dormido uma bela sesta, embalada por narradores e comentadores monocórdicos, para acordar fresquinha a tempo das grandes emoções dos penaltis.



Do Croácia-Dinamarca recordaremos apenas os lançamentos laterais de Knudsen, autêntico mestre do arremesso, capaz de colocar a bola a mais de 40 metros, do que, aliás, resultou o golo nórdico. E, claro, o penalti roubado por Schmeichel a Modric, a minutos do final do prolongamento, dando o mote para o que iria acontecer pouco depois.

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A eliminação do Peru, consumada ao som de olés, é um atentado ao Mundial. Sai não só uma das equipas que melhor jogou, com mais paixão, mais espontaneidade, mais virtuosismo, como sai igualmente o melhor público, os adeptos mais expansivos, alegres e contagiantes: eu fiquei peruano, acho que todos ficámos, sinto-me um "incha" inca.

Diz-se que mais de 40 mil peruanos foram à Rússia viver uma experiência que sonhavam há 36 anos, com montes de histórias incríveis que hão-de suportar a memória de uma expedição lendária, como a daquele adepto que vendeu a casa para subsidiar a viagem. Hoje no jogo de despedida eram mais de 20 mil.

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 O Peru tem um rendimento per capita de 1/6 da Australia, mas hoje em Sochi a proporção era de dez peruanos para cada “socceroo”. E se pensarmos que havia menos de 500 portugueses no jogo com o Irão, o que dizer desta paixão peruana pelo futebol?

Já eliminada, a selecção tão bem dirigida pelo argentino Gareca não quis saber das hipóteses da Austrália e vingou a injustiça das duas primeiras partidas, com um golo de André Carrillo, um dos muitos patinhos feios que se valorizaram imenso neste Mundial, e outro de Paolo Guerrero, cuja carreira internacional manchada pelo estranho caso de doping bem mereceu esta despedida em glória.

Ao mesmo tempo da “fiesta” de Sochi, havia bronca em Moscovo, com França e Dinamarca a empatarem 90 minutos à maneira do “Jogo da Vergonha” (entre Alemanha e Áustria, em 1982). Foi a primeira partida sem golos do Mundial da Rússia e bem mereceu as vaias e apupos com que os adeptos assinalaram o apuramento de mais duas selecções europeias, jogando pior que Portugal.

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As hipóteses de um avançado cometer duas grande penalidades numa grande competição como o campeonato do Mundo são baixíssimas. E as possibilidades de ambas as faltas não serem vislumbradas pelo árbitro mas detectadas à distância pelo video-árbitro seriam impensáveis. Pois bem, no futebol tudo é possível e foi isso que aconteceu com o jovem Poulsen, da Dinamarca.

Depois de ter sido denunciado no primeiro jogo por uma falta sobre o peruano Cueva, o norte-americano que preferiu representar a pátria materna voltou hoje a ser “apanhado” pelo VAR, frente à Austrália, depois de o árbitro espanhol ter revertido a decisão inicial de validar o lance como uma mão acidental.
E a Dinamarca perdeu dois pontos depois desta nova decisão controversa do VAR, dado o cariz involuntário do lance, agravado por um cartão amarelo que também afasta Poulsen da próxima partida.
Não pareceu penalti nem merecedor de cartão amarelo, mas já se detecta a “condenação” dos lances de cada vez que o árbitro é chamado pelo VAR a rever as imagens. Até agora, nenhum manteve o julgamento inicial e todos se inclinaram ao veredicto digital.
São já cinco os penaltis assinalados pelo VAR, quatro dos quais transformados em golo. Com esta ferramenta, tudo indica que não tarda a ser batido o numero máximo de penaltis num Mundial, que está fixado em 18. Neste momento, estamos em 11 e ainda nem chegámos a meio da fase de grupos.

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