Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





Uma das consequências da insólita opção de Bruno Lage de não alinhar a melhor equipa do Benfica na Liga dos Campeões é a necessidade de esperar pelos suplentes de luxo para ver a equipa marcar um golo.

Quatro dos cinco golos do Benfica na Champions, em em cada jogo, foram apontados por suplentes e em alguns casos, até, a passe de jogadores igualmente saídos do banco. Suplentes que deviam ter sido titulares, portanto.

Frente ao Leipzig, Rafa e Seferovic entraram aos 76’ minutos: o português fez o passe, o suíço marcou.

Em São Petersburgo, De Tomás saltou do banco aos 80’ e marcou com um remate de longe.

Na recepção ao Lyon, Pizzi substituiu Rafa aos 20 minutos, por lesão, e apontou o tento do triunfo, aproveitando um erro do guarda-redes.

Ontem em Lyon, Seferovic e Pizzi entraram só na segunda parte: o português fez o lançamento e o suíço voltou a marcar.

Normalmente, os suplentes são responsáveis por menos de 20 por cento dos golos de uma equipa de futebol. Aliás, no campeonato, apenas dois dos 23 golos apontados até agora, ambos por Carlos Vinicius, resultaram de substituições.

Neste caso do Benfica “europeu” de Bruno Lage, a percentagem está invertida: 20 por cento dos titulares, 80 por cento dos substitutos.

Dá para concluir que, se os titulares fossem do mesmo nível dos suplentes, talvez a campanha fosse melhor…

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tavares pobre

18.09.19

Se o futebol do Benfica fosse um restaurante, pela sua grandeza, tradição e qualidade, seria o Tavares Rico. Mas quando chega a hora europeia, das noites de gala, as pratas enferrujam, o cardápio esturra e a adega envinagra.

O Benfica europeu vira Tavares Pobre e serve azias agudas.

O treinador Bruno Lage trocou os papéis na preparação do jogo com o adversário mais forte da Liga dos Campeões, ao escolhê-lo para prosseguir a sua saga de lançamento de jovens da formação do Seixal. A atracção da primeira noite europeia na Luz foi a resposta à pergunta “mas afinal quantos Tavares tem o Benfica?”, em vez de uma equipa bem preparada e confiante, para ganhar os três pontos e os milhões em jogo.

Com duas semanas para preparar o recomeço das competições, o treinador deu prioridade ao Gil Vicente sobre o Leipzig, o que veio a redundar num erro crasso. Se André Almeida, Rafa e Seferovic não aguentavam dois jogos consecutivos, o normal seria que fossem poupados frente ao adversário mais fraco, da Liga Portuguesa, para poderem surgir na máxima força frente aos alemães.

Se a Liga dos Campeões fosse realmente importante para o Benfica, o seu treinador não teria apresentado nesta sétima partida da temporada o onze mais fraco e de menos garantias.

Depois de várias semanas a resistir e responder às críticas sobre a fraca produtividade dos avançados, um jogo de Champions também não seria o mais adequado a mudanças de individualidades e, até, de sistema de jogo, devido às diferentes características de Cervi e Jota, relativamente aos habituais titulares. Não foi, aliás, à toa que Rafa e Seferovic demoraram apenas oito minutos a construir e concretizar o golo de honra.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quando os sorteios da UEFA ainda não se tinham transformado no evento formatado para os burocratas da bola que são hoje, ser “enviado especial” a Zurique para acompanhar o pontapé de saída das competições europeias era uma oportunidade rara e soberana para a carreira de qualquer jornalista desportivo. 

Em nenhum outro momento era possível reunir à mesa, no então chamado jantar dos presidentes, os líderes do futebol português Fernando Martins, Pinto da Costa, João Rocha, Valentim Loureiro, Pimenta Machado, os primeiros empresários, Manuel Barbosa e Lucídeo Ribeiro, o presidente da FPF, Silva Resende, e os jornalistas, com realce para o João Alves da Costa.

Confesso uma indisfarçável nostalgia nesta evocação por dois motivos nobres que a própria UEFA destruiu ao transformar as competições de clubes no negócio que hoje é: o destaque premiado aos melhores de cada país e a convivência entre dirigentes, jornalistas e às vezes treinadores de todos os países em encontros informais sem o verniz das galas para elites.

Quando se assiste agora aos sorteios de pré-pré-eliminatórias, 2ª pré-eliminatória, 3.ª pré-eliminatória, e, em exclusivo surreal da UEFA, a playoffs antes de começarem as competições propriamente ditas, entende-se que isto nada tem a ver com a essência destas provas, agora sexagenárias como eu.

A necessidade de distribuir o excesso de lucros que os direitos televisivos estão a gerar, contentando as federações menores com uma parte do bolo, criou este monstruoso “verão de malucos” que faz movimentar dezenas e dezenas de clubes nestes 45 dias de Julho e Agosto, quando os melhores jogadores ainda estão de férias, em disputas cuja única consequência desportiva é provocar dissabores e graves problemas de equilíbrio para resto da época aos clubes grandes inadvertidamente envolvidos, como acontece com o Benfica na Champions e com o Braga na Europa League.

Nos bons velhos tempos, todos sabíamos quem eram os campeões, quem eram os vencedores das Taças e quais tinham ficado nos lugares de honra dos respectivos campeonatos. Não havia campeões faz de conta como acontece com mais de metade dos participantes na Liga dos Campeões actual. Era inimaginável alguém estar a assistir a um sorteio sem saber se determinado clube é campeão ou está de favor, como me interrogava eu perante o desfilar de emblemas no sorteio de hoje.

Parece-me necessário (e inevitável) que a UEFA regresse ao seu lugar de confederação continental e se concentre na parte desportiva que é a sua razão de existir. A UEFA tem de voltar a promover uma prova só com os campeões de todos os países e deixar a organização de uma Superliga comercial aos próprios clubes. 

No fundo, sinto saudades do tempo em que, no primeiro sorteio, se usava a designação de “pêra doce” para quase todos os adversários iniciais dos clubes portugueses. Agora, não há pêras doces, só ovos de ouro.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...