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Uma das consequências da insólita opção de Bruno Lage de não alinhar a melhor equipa do Benfica na Liga dos Campeões é a necessidade de esperar pelos suplentes de luxo para ver a equipa marcar um golo.

Quatro dos cinco golos do Benfica na Champions, em em cada jogo, foram apontados por suplentes e em alguns casos, até, a passe de jogadores igualmente saídos do banco. Suplentes que deviam ter sido titulares, portanto.

Frente ao Leipzig, Rafa e Seferovic entraram aos 76’ minutos: o português fez o passe, o suíço marcou.

Em São Petersburgo, De Tomás saltou do banco aos 80’ e marcou com um remate de longe.

Na recepção ao Lyon, Pizzi substituiu Rafa aos 20 minutos, por lesão, e apontou o tento do triunfo, aproveitando um erro do guarda-redes.

Ontem em Lyon, Seferovic e Pizzi entraram só na segunda parte: o português fez o lançamento e o suíço voltou a marcar.

Normalmente, os suplentes são responsáveis por menos de 20 por cento dos golos de uma equipa de futebol. Aliás, no campeonato, apenas dois dos 23 golos apontados até agora, ambos por Carlos Vinicius, resultaram de substituições.

Neste caso do Benfica “europeu” de Bruno Lage, a percentagem está invertida: 20 por cento dos titulares, 80 por cento dos substitutos.

Dá para concluir que, se os titulares fossem do mesmo nível dos suplentes, talvez a campanha fosse melhor…

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Tavares pobre

18.09.19

Se o futebol do Benfica fosse um restaurante, pela sua grandeza, tradição e qualidade, seria o Tavares Rico. Mas quando chega a hora europeia, das noites de gala, as pratas enferrujam, o cardápio esturra e a adega envinagra.

O Benfica europeu vira Tavares Pobre e serve azias agudas.

O treinador Bruno Lage trocou os papéis na preparação do jogo com o adversário mais forte da Liga dos Campeões, ao escolhê-lo para prosseguir a sua saga de lançamento de jovens da formação do Seixal. A atracção da primeira noite europeia na Luz foi a resposta à pergunta “mas afinal quantos Tavares tem o Benfica?”, em vez de uma equipa bem preparada e confiante, para ganhar os três pontos e os milhões em jogo.

Com duas semanas para preparar o recomeço das competições, o treinador deu prioridade ao Gil Vicente sobre o Leipzig, o que veio a redundar num erro crasso. Se André Almeida, Rafa e Seferovic não aguentavam dois jogos consecutivos, o normal seria que fossem poupados frente ao adversário mais fraco, da Liga Portuguesa, para poderem surgir na máxima força frente aos alemães.

Se a Liga dos Campeões fosse realmente importante para o Benfica, o seu treinador não teria apresentado nesta sétima partida da temporada o onze mais fraco e de menos garantias.

Depois de várias semanas a resistir e responder às críticas sobre a fraca produtividade dos avançados, um jogo de Champions também não seria o mais adequado a mudanças de individualidades e, até, de sistema de jogo, devido às diferentes características de Cervi e Jota, relativamente aos habituais titulares. Não foi, aliás, à toa que Rafa e Seferovic demoraram apenas oito minutos a construir e concretizar o golo de honra.

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Se Éber Bessa fosse jogador de um grande, estaríamos hoje a discutir acaloradamente por que razão ele é, de longe, quem sofre mais faltas no campeonato português e não se queixa nem insulta a inteligência de ninguém. Estou solidário com o n.º 10 brasileiro do Vitória e aos outros digo o mesmo que as claques quando estão chateadas com a qualidade do futebol: “joguem à bola, artistas, joguem à bola!”.

O Benfica começou por se queixar da pressão sobre Rafa no jogo com o Belenenses e, agora, o Sporting revolta-se contra um número mal determinado de infracções sobre Bruno Fernandes no Bessa. Num caso, foi um aviso à navegação que acabou por redundar num abrandamento de forma do internacional benfiquista, neste último, é mais uma justificação para o mau futebol e para a crise de resultados que retém o Sporting na classificação.

Os jogadores mais influentes (e, sobretudo, os das equipas melhores) sempre foram os mais castigados. Deve ter sido também por isso que o bom do Éber Bessa, até na inócua deslocação do Vitória ao Dragão, sofreu três faltas.

Comparar as estatísticas de apenas cinco jornadas e descobrir nelas um padrão de desvio significativo é exercício tonto para quem nunca lidou com números e anda à procura de justificações como uma avestruz na areia da savana. Não existe acumulada suficiente matéria de campo, o que gera diversos factores desviantes.

Mas as tendências apontam para a grande pressão dos jogadores de meio-campo do Benfica, que cometem 75% das faltas da equipa e para os fenómenos de aflição defensiva do Porto e do Sporting em alguns jogos, de que resulta uma evidente maioria de faltas cometidas no sector recuado do campo, conduzindo até a invulgares expulsões em acções extremas (Coates e Telles).

Surgiu entre os porta-vozes dos clubes nas televisões a informação de que é muito mais difícil mostrar um cartão amarelo a jogadores do Benfica do que aos seus homólogos. Certo. Mas como justificar que Pepe não tenha visto qualquer cartão em seis faltas e Marcano tenha dois amarelos em apenas cinco faltas? Como explicar que Bruno Fernandes, Baró e Pizzi estejam entre os jogadores mais faltosos da equipa respectiva (8 faltas cada um) e que só o capitão do Sporting já tenha sido advertido? Basta rever os lances, a reduzida agressividade do contacto, o local da falta e o enquadramento táctico para perceber os motivos da condescendência para com estes jogadores.

Nesta altura da competição conta mais a incidência particular do que o número global, com distorções pontuais que não permitem analisar correctamente a globalidade. Por exemplo, o guarda-redes do Porto já viu dois cartões amarelos por anti-jogo e isso influencia drasticamente uma análise geral à equipa, com tão poucos dados acumulados.

Os defesas do Porto (Corona, Pepe, Marcano e Telles) somam 26 faltas para 4 amarelos e um vermelho. Os do Sporting (Thierry/Rosier, Coates, Mathieu e Acuna) fizeram 23 faltas e viram 5 amarelos e um vermelho. Os do Benfica (Tavares/Almeida, Dias, Ferro e Grimaldo) cometeram 14 e viram apenas um amarelo.

No ataque é tudo muito semelhante: Porto 21/3 (faltas/amarelos), Sporting 17/3, Benfica 17/2.

Mas no meio-campo, a pressão do Benfica pela rápida recuperação da bola, grande factor distintivo da equipa de Bruno Lage, gera um número de faltas anormal, gera um número de faltas anormal, bastante acima dos adversários: 41, contra 28 e 24, respectivamente.

E se considerarmos apenas os pontas-de-lança, essa tendência ainda é mais notória: De Tomas e Seferovic cometeram 15 infracções, contra apenas 9 de Marega e Zé Luis e 7 de Luiz Phellype e Vietto.

Isto apenas confirma o que se sabe da história do futebol, que as faltas no ataque são, em geral, menos penalizadas disciplinarmente, e acaba por desmistificar este alarme falso que surgiu depois dos jogos do fim-de-semana. As equipas que atacam mais cometem menos faltas a defender: nas primeiras 4 jornadas, o extremo defensivo do Benfica (Ruben Dias-Ferro) tinha cometido apenas uma, porque na maioria do tempo os médios e os laterais matam o jogo muito mais à frente, na chamada pressão adiantada. 

 

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