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Chegou ao debate televisivo, como uma querela clubística, a queixa do Benfica contra alguns bloggers anónimos que divulgaram correio electrónico devassado e alegadamente comercializado por hackers.

Há clubes, ou pelo menos alguns porta-vozes de clubes, que defendem a manipulação de informação na rede, se for em sentido contrário ao clube rival, nesses sites de nomes difusos e sem autor identificado.

Defendem, 44 anos depois do fim da censura em Portugal, uma prática de guerrilha clandestina, completamente à margem da lei e da democracia. Pessoas muito conhecidas e com grandes responsabilidades sociais aparecem a defender a irresponsabilidade de desconhecidos! Mas com argumentos absolutamente contraditórios e incompreensíveis.

Por um lado, censura-se com veemência a investida do Benfica contra “pequenos” bloggers, uma luta, sem dúvida, desproporcional, que chegou à Justiça norte-americana porque em Portugal não existem mecanismos judiciais efectivos contra a difamação através da internet.

Por outro, alega-se que não existe qualquer anormalidade, muito menos ilegalidade, porque a informação em causa já teria sido divulgada antes nos meios de comunicação, jornais e televisões.

Se os dados da equação fossem estes, não veria razão para a queixa do Benfica, que seria indeferida, mas ainda vejo menos justificação para tanto receio da parte dos bloggers em causa e dos seus defensores.

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Pontapé para a frente e para o ar, incapacidade de ligar três passes consecutivos, duelos aéreos a todo o momento, número de faltas muito acima da média e do aceitável. 

O estudo aos 90 minutos do último Benfica-Porto confirma o que a olho nu já se tinha percebido: um dos clássicos mais mal jogados de sempre, do pior futebol que se tem assistido em Portugal neste século.

De parte a parte, embora talvez tenha sido a estratégia portista a primeira responsável pelo que se passou, a par da incapacidade do Benfica para transformar a posse de bola em futebol ligado. Mas ambos os clubes têm jogadores, a quem pagam fortunas, para apresentarem um modelo de jogo mais espectacular e de qualidade, sem sacrificarem o resultado.

Segundo os dados do goalpoint.pt houve 66 duelos aéreos (28 ganhos pelos encarnados, 38 pelos azuis), mais do que um por minuto útil de jogo, o dobro da média histórica deste tipo de lances entre candidatos ao título.

Nenhum outro jogo até agora teve maior percentagem de passes errados, mais do dobro do normal a este nível: 30% para o Benfica, 36% para o Porto, num total de mais de 200 perdas de bola.

Nas bolas longas, o Benfica teve apenas 35% de precisão, o Porto 43%.

Dos cruzamentos, o Benfica concretizou apenas 2 em 16 (13%), o Porto 6 em 19.

Como se a bola queimasse nos pés dos artistas!

No capítulo das faltas, o Porto foi a equipa que assumiu, de início, o jogo mais duro, nos limites, e chegou ao intervalo tendo cometido o dobro das assinaladas. Mas depois do golo de Seferovic a tendência inverteu-se completamente, com o Porto a passar a ter mais posse de bola e o Benfica a calçar as botas cardadas para terminar com mais infracções (24-20) no total da partida.

Estas 44 faltas excedem em quase uma dezena a média geral do campeonato, que já é a mais elevada das principais ligas europeias.

Já sabemos que esta análise interessa muito pouco a quem ganhou e é para ser rapidamente esquecida por quem perdeu. Mas não foi, de todo, uma vitória à Benfica, nem uma oposição à Porto. Ambas as equipas valem muito mais do que quiseram ou conseguiram exibir, num confronto em que prevaleceu a força, o foco no adversário e a concentração absoluta na ocupação dos espaços. Sobrou muito pouco, de talento e de inspiração, para a essência de um jogo de futebol.

Só o resultado conta e até foi justificado pelo que as equipas conseguiram realmente produzir, com o Benfica ligeiramente superior e o FC Porto castigado pela estratégia prioritária de tentar impedir a todo o custo que o adversário jogasse como gosta.

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Um dia depois de Rui Vitória ter declarado a ameaça de extinção ao tradicional “inferno da Luz”, chamando a atenção para a sina de maus resultados obtidos pelo Benfica frente ao FC Porto nos últimos 15 anos e colocando a sua dificuldade de inverter a lógica ao nível de um Camacho ou de um Quique Flores, a equipa respondeu com uma vitória de entrega, luta e determinação. Pouco e pobre futebol, mas finalmente o resultado que Rui Vitoria procurava há mais de uma década.

O jovem Ruben Dias e o próprio treinador, ainda que induzidos pela pergunta do repórter da BTV, empolgado pela emoção de um triunfo raro, acharam por bem etiquetar o que acontecera como uma “vitória à Benfica”. E ao mesmo tempo, dentro do recinto, ouvia-se um pasodoble, gentilmente cedido pela filarmónica do Campo Pequeno - só faltou quem lhe chamasse uma "comemoração à Benfica".

A emoção à solta, os desejos reprimidos, a falta de respeito, o amadorismo - há diversas justificações fáceis para as surpreendentes reacções negativas que uma vitória tão importante pode suscitar.

Os adversários de ocasião também gostam de chamar “salão de festas” ao outrora temido recinto. E quando o debate desce o nível, cada resposta consegue ser mais lamentável. Entre gente que se detesta, o mau humor não é uma indisposição momentânea, é um estado de espírito.

Os gostos musicais duvidosos dos anunciantes do estádio da Luz vêm de longe. Reza a lenda que uma vez receberam Pinto da Costa ao som de “Bamboléo”, dos Gipsy Kings, porque achavam que se percebia “Bandoleiro” e a música assim chamada, de Ney Matogrosso, não seria tão propícia à dança.

Há provas de que a música e o desporto andam de mãos dadas desde os Jogos da Antiguidade, exactamente pelo sentido de festa e alegria do espectáculo desportivo. Os clubes da NBA, por exemplo, facturam imenso com os discos da banda sonora dos respectivos jogos, que incluem sempre o toque da carga da Cavalaria, quando a equipa precisa de um suplemento de energia para suplantar a resistência adversária. Mas nunca lá ouvi qualquer som desrespeitoso para os visitantes no final dos jogos, fosse qual fosse o resultado.

Durante largos momentos do jogo de domingo, a minoria de adeptos do FC Porto fez-se ouvir mais que os 50,000 benfiquistas. Até ao golo de Seferovic, aquilo foi mais o “salão de festas” do que o “inferno”, mas ninguém podia esperar que acabasse com a música ambiente da recolha das chocas no Campo Pequeno.

Um golo e uma vitória alcançados na luta mereciam, não digo um “We are the champions”, exagerado nesta altura do campeonato, mas, pelo menos um “Highway to Hell”, que o autor, Bon Scott, remetia para a travessia do deserto (australiano), e que portanto teria duplo significado: que a A1 do Porto a Lisboa voltasse a ser o caminho para o Inferno (da Luz) e também o simbólico trajecto que os benfiquistas certamente desejam aos portistas nos próximos tempos, uma longa travessia de um deserto de títulos.

Mostrar bom gosto musical, sem ofensas e com espírito positivo, seria muito mais “à Benfica” do que qualquer investida tauromáquica. Tal como jogar bom futebol, espectacular e prolífico, também será muito mais “à Benfica” do que o pontapé para a frente e fé em Seferovic que se viu neste confronto entre as melhores equipas do país.

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