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    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





A eliminação do Peru, consumada ao som de olés, é um atentado ao Mundial. Sai não só uma das equipas que melhor jogou, com mais paixão, mais espontaneidade, mais virtuosismo, como sai igualmente o melhor público, os adeptos mais expansivos, alegres e contagiantes: eu fiquei peruano, acho que todos ficámos, sinto-me um "incha" inca.

Diz-se que mais de 40 mil peruanos foram à Rússia viver uma experiência que sonhavam há 36 anos, com montes de histórias incríveis que hão-de suportar a memória de uma expedição lendária, como a daquele adepto que vendeu a casa para subsidiar a viagem. Hoje no jogo de despedida eram mais de 20 mil.

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 O Peru tem um rendimento per capita de 1/6 da Australia, mas hoje em Sochi a proporção era de dez peruanos para cada “socceroo”. E se pensarmos que havia menos de 500 portugueses no jogo com o Irão, o que dizer desta paixão peruana pelo futebol?

Já eliminada, a selecção tão bem dirigida pelo argentino Gareca não quis saber das hipóteses da Austrália e vingou a injustiça das duas primeiras partidas, com um golo de André Carrillo, um dos muitos patinhos feios que se valorizaram imenso neste Mundial, e outro de Paolo Guerrero, cuja carreira internacional manchada pelo estranho caso de doping bem mereceu esta despedida em glória.

Ao mesmo tempo da “fiesta” de Sochi, havia bronca em Moscovo, com França e Dinamarca a empatarem 90 minutos à maneira do “Jogo da Vergonha” (entre Alemanha e Áustria, em 1982). Foi a primeira partida sem golos do Mundial da Rússia e bem mereceu as vaias e apupos com que os adeptos assinalaram o apuramento de mais duas selecções europeias, jogando pior que Portugal.

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As hipóteses de um avançado cometer duas grande penalidades numa grande competição como o campeonato do Mundo são baixíssimas. E as possibilidades de ambas as faltas não serem vislumbradas pelo árbitro mas detectadas à distância pelo video-árbitro seriam impensáveis. Pois bem, no futebol tudo é possível e foi isso que aconteceu com o jovem Poulsen, da Dinamarca.

Depois de ter sido denunciado no primeiro jogo por uma falta sobre o peruano Cueva, o norte-americano que preferiu representar a pátria materna voltou hoje a ser “apanhado” pelo VAR, frente à Austrália, depois de o árbitro espanhol ter revertido a decisão inicial de validar o lance como uma mão acidental.
E a Dinamarca perdeu dois pontos depois desta nova decisão controversa do VAR, dado o cariz involuntário do lance, agravado por um cartão amarelo que também afasta Poulsen da próxima partida.
Não pareceu penalti nem merecedor de cartão amarelo, mas já se detecta a “condenação” dos lances de cada vez que o árbitro é chamado pelo VAR a rever as imagens. Até agora, nenhum manteve o julgamento inicial e todos se inclinaram ao veredicto digital.
São já cinco os penaltis assinalados pelo VAR, quatro dos quais transformados em golo. Com esta ferramenta, tudo indica que não tarda a ser batido o numero máximo de penaltis num Mundial, que está fixado em 18. Neste momento, estamos em 11 e ainda nem chegámos a meio da fase de grupos.

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A França ganhou tangencialmente (2-1) à Austrália num jogo típico de início de campanha de selecção grande frente a adversário mais fraco: baixa intensidade, controlo do adversário e gestão do tempo e resultado.
Do lado contrário, toda a aplicação de meses de trabalho focados na estreia e a consolação de uma derrota tangencial. A Austrália é candidata a três derrotas neste grupo e uma já está.
A substituição precoce de Griezmann foi a ocorrência mais estranha da partida, dando conta da insatisfação do seleccionador Deschamps, mas não aconteceu nada que colocasse em risco os objectivos: vitória, desenvolvimento colectivo (apesar das ausências dos laterais Sidibé e Mendy) e desgaste q.b.
O erro primário de Umtiti que permitiu à Austrália empatar 1-1 a meia hora do fim é outro incidente que ajudará ao reforço da concentração nos jogos de maior exigência que se seguem.

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