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Um dia depois de Rui Vitória ter declarado a ameaça de extinção ao tradicional “inferno da Luz”, chamando a atenção para a sina de maus resultados obtidos pelo Benfica frente ao FC Porto nos últimos 15 anos e colocando a sua dificuldade de inverter a lógica ao nível de um Camacho ou de um Quique Flores, a equipa respondeu com uma vitória de entrega, luta e determinação. Pouco e pobre futebol, mas finalmente o resultado que Rui Vitoria procurava há mais de uma década.

O jovem Ruben Dias e o próprio treinador, ainda que induzidos pela pergunta do repórter da BTV, empolgado pela emoção de um triunfo raro, acharam por bem etiquetar o que acontecera como uma “vitória à Benfica”. E ao mesmo tempo, dentro do recinto, ouvia-se um pasodoble, gentilmente cedido pela filarmónica do Campo Pequeno - só faltou quem lhe chamasse uma "comemoração à Benfica".

A emoção à solta, os desejos reprimidos, a falta de respeito, o amadorismo - há diversas justificações fáceis para as surpreendentes reacções negativas que uma vitória tão importante pode suscitar.

Os adversários de ocasião também gostam de chamar “salão de festas” ao outrora temido recinto. E quando o debate desce o nível, cada resposta consegue ser mais lamentável. Entre gente que se detesta, o mau humor não é uma indisposição momentânea, é um estado de espírito.

Os gostos musicais duvidosos dos anunciantes do estádio da Luz vêm de longe. Reza a lenda que uma vez receberam Pinto da Costa ao som de “Bamboléo”, dos Gipsy Kings, porque achavam que se percebia “Bandoleiro” e a música assim chamada, de Ney Matogrosso, não seria tão propícia à dança.

Há provas de que a música e o desporto andam de mãos dadas desde os Jogos da Antiguidade, exactamente pelo sentido de festa e alegria do espectáculo desportivo. Os clubes da NBA, por exemplo, facturam imenso com os discos da banda sonora dos respectivos jogos, que incluem sempre o toque da carga da Cavalaria, quando a equipa precisa de um suplemento de energia para suplantar a resistência adversária. Mas nunca lá ouvi qualquer som desrespeitoso para os visitantes no final dos jogos, fosse qual fosse o resultado.

Durante largos momentos do jogo de domingo, a minoria de adeptos do FC Porto fez-se ouvir mais que os 50,000 benfiquistas. Até ao golo de Seferovic, aquilo foi mais o “salão de festas” do que o “inferno”, mas ninguém podia esperar que acabasse com a música ambiente da recolha das chocas no Campo Pequeno.

Um golo e uma vitória alcançados na luta mereciam, não digo um “We are the champions”, exagerado nesta altura do campeonato, mas, pelo menos um “Highway to Hell”, que o autor, Bon Scott, remetia para a travessia do deserto (australiano), e que portanto teria duplo significado: que a A1 do Porto a Lisboa voltasse a ser o caminho para o Inferno (da Luz) e também o simbólico trajecto que os benfiquistas certamente desejam aos portistas nos próximos tempos, uma longa travessia de um deserto de títulos.

Mostrar bom gosto musical, sem ofensas e com espírito positivo, seria muito mais “à Benfica” do que qualquer investida tauromáquica. Tal como jogar bom futebol, espectacular e prolífico, também será muito mais “à Benfica” do que o pontapé para a frente e fé em Seferovic que se viu neste confronto entre as melhores equipas do país.

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Renato e James

20.09.18

Estou a ver Renato Sanches marcar um golo pelo Bayern no estádio José Alvalade ao Sporting e James Rodriguez ser substituído na equipa alemã num jogo no estádio Dragão frente ao FC Porto. Certamente, o jovem ex-jogador do Benfica seria apupado e insultado e o colombiano receberia uma estrondosa ovação.

O que aconteceu ontem no estádio da Luz, com a calorosa recepção a Sanches e o xinfrim da despedida de James, não teve nada de extraordinário, agora que se desenvolveu este sentimento de pertença eterna dos jogadores que foram “nossos” e que se tornaram emigrantes de sucesso.

Com sensivelmente a mesma idade de Renato, no mesmo local, mas com a camisola do Manchester United, Cristiano Ronaldo mostrou o dedo do meio aos adeptos que tinham sido “pouco simpáticos”, mas nos 13 anos seguintes, sobretudo quando lá actuou com a camisola de Portugal, foi acarinhado e aplaudido sem reservas.

Tenho agora curiosidade em ver Rui Patrício e William Carvalho regressarem ao estádio do Sporting, seja por outro clube seja pela selecção nacional e acredito, pelo mesmo sentido de posse, que, no fim, prevalecerão o bom senso e a identidade.

As reações dos adeptos, sobretudo quando em massa, são irracionais e sempre exageradas, para o bem ou para o mal, consoante o estado de espírito e as condições ambientais. Por exemplo, tenho a certeza de que muitos benfiquistas que ontem insultaram James Rodriguez não hesitariam em pedir-lhe um autógrafo se o encontrassem por acaso na rua ou em território neutro, desde que não se estivessem em grupo, evidentemente. Penso o mesmo sobre os que há pouco tempo desconsideravam Renato Sanches pela cor da pele e pelo porte atlético adulto.

Uma bancada de estádio é um mosaico social onde cabem todos. Os que só insultam o árbitro, os que só insultam o árbitro e os adversários e os que insultam toda a gente: é o muro da lapidação dos nossos tempos, onde todos são livres de atirar pedras. É, como diria o filósofo, isto mesmo, o futebol.

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