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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

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CATARSES 1️⃣0️⃣

Esta relação dos portugueses com cada jogo da seleção da FEMACOSA lembra o envelhecimento de um namoro apaixonado, que precisa de se revigorar: o amor está lá, em fundo, incondicional, mas os arrufos são constantes e acabam por provocar o desgaste que adia sempre para o próximo jogo a noite perfeita e memorável.

Ai, que bem defende o Diogo Costa. Bolas, meu rico Rui Patrício.

Este João Cancelo é o lateral mais perfeito do Mundo. Caramba, mas ao Diogo Dalot não há medo que assuste.

O Danilo desfila com a elegância de uma “passerelle” parisiense. Chiça, não há segurança como a simplicidade de processos do António Silva.

O Rúben Neves dá equilíbrio e estabilidade. Mas o Palhinha tem mais força e agressividade.

Como é estimulante a irreverência frenética do Otávio! Sim, mas prefiro os movimentos lânguidos do William Carvalho.

Cristiano Ronaldo, aos 37 anos, emocionado e motivado como se fosse a primeira vez, continua a bater recordes. Chega, é preciso sangue novo!

E assim, na estreia fácil do Mundial, com mais asseio do que nódoas, a nossa paixão assolapada pela seleção espoleta cinco ou seis focos de discussão parva, com deleite sofrido, que nos impede de celebrar a vitória importante num prolongado abraço e sem amargos de boca.

Metade de uma equipa vencedora sob escrutínio? Que exagero! Que nível de exigência absurdo!

Quando podíamos e devíamos desfrutar da estética de Bernardo Silva, da geometria de Bruno Fernandes, da sensibilidade de João Félix ou do exotismo de Rafael Leão, ficamos apreensivos perante o canto dos velhos e caquéticos cisnes uruguaios, Suarez e Cavani.

Porquê?

Pelo desgaste de uma longa relação minada por frequentes decepções, por deslizes de atenção que estragaram belos momentos e, sobretudo, por repetidas escolhas inadequadas ou desfuncionais dos figurinos e das estratégias. 

Sem esquecer aqueles sinaizinhos insignificantes que o tempo transformou em verrugas medonhas, como a gestão empresarial da Federação que se permite ter uma equipa técnica em regime de “outsourcing” e nos faz desconfiar de segundas intenções não essencialmente desportivas, por tudo e por nada.

O desejo por encontros dignos das mil e uma noites das Arábias mantém-se para a semana que vem. Talvez um ritmo mais intenso, constante e caloroso na função, com incidência na concentração e na agressividade defensiva, liberte as endorfinas que os portugueses insaciáveis precisam para apenas desfrutarem do prazer, sem reservas, quando saem à noite com a seleção.

 

FOTO UOL/Getty Images

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