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Relógio sueco

03.07.18

A Suécia está nos quartos de final pela primeira vez neste século, com um futebol seco, ritmado e objectivo. Em quatro jogos, apenas sofreu golos (e perdeu no último pontapé do jogo) com a Alemanha, podendo dizer-se que está a realizar uma campanha imaculada. Sem brilho, mas com uma regularidade e segurança impressionantes, com a precisão de um relógio… sueco.

Não há uma estrela na selecção sueca - e por isso não sobrou espaço para Ibrahimovic -, onde tudo assenta numa defesa coreácea, com jogadores de nível médio, mas que constituem um colectivo muito forte, os quais ainda garantem metade dos 6 golos marcados em quatro partidas (dois penaltis). Olsen, guarda-redes discreto, saiu com a ficha limpa em três jogos, tendo feito apenas 11 defesas em toda a prova.

Na mesma linha, os médios entregam-se ao jogo como formiguinhas incansáveis, cedendo o controlo do jogo ao adversário, e só permitem um pequeno destaque técnico a Forsberg, realmente o “menos sueco” de todos, que hoje decidiu o jogo com um pontapé feliz, à entrada da área.

Os avançados só fizeram um golo até agora, mas estão sempre a trabalhar.

Tal como outras equipas que têm tido sucesso cedendo a bola ao adversário, a Suécia registou apenas 32% de posse frente à Suíça, 34% frente ao México e 25% contra a Alemanha - fazendo cair por terra todo um mundo de teorias sobre o futebol moderno.

Que se trata da equipa mais colectiva deste Mundial, até agora, diz-nos o facto de apenas o lateral esquerdo Augustinsson estar cogitado para um onze ideal virtual da prova. Mesmo hoje, num jogo que venceu, o melhor jogador em campo eleito foi o suíço Rodriguez!

Correndo por fora, a Suécia pode chegar às meias-finais. O seu currículo nestes dois anos fala por si: ajudou a eliminar a Holanda (num grupo com a França), eliminou directamente a Itália e, já na Rússia, viu a Alemanha ficar pelo caminho e agora impôs à Suíça a segunda derrota nos últimos 25 jogos (a outra foi com Portugal).

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