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A ex-deputada europeia Ana Gomes não podia ter escolhido um momento mais oportuno para chamar a atenção sobre os negócios do futebol profissional, talvez a única indústria portuguesa com uma balança de pagamentos a ocupar, neste preciso momento, o primeiro lugar num ranking mundial, o das transferências de jogadores.

O “cluster” do futebol, como lhe chamou Michael Porter há 20 anos, é a nossa actividade mais prestigiada, com selecções, clubes, jogadores, treinadores e dirigentes profissionais, sem esquecer os poderosos agentes, a surfarem a maior onda de sucesso de que há memória.

Os movimentos dos mercados futebolísticos internacionais são hoje facilmente monitorizados e analisados, deixando pouca margem de manobra para os hackers amigos da ex-deputada do partido do Governo. Qualquer leigo pode, a todo o momento, verificar os fluxos de dinheiro, as vendas, as compras, as percentagens, as influências. Não deve haver outra actividade económica tão escrutinável, nem sequer a dos mercados financeiros tantas vezes influenciados por negócios fictícios e informações especulativas.

No mercado do futebol, a especulação pode servir aos media, mas tem pouco peso nos negócios. Só o que se compra e o que se vende assume real valor, tudo o resto esgota-se nas mesas de café e nos “chats” da pirataria informática.

Ao fim do primeiro mês do mercado de verão, o futebol português regista um saldo positivo de 209 milhões de euros, de longe o maior entre todos os países. Segue-se a França com 155, já com a venda de Ndonbélé incluída, a Holanda com 101, a 2.ª Liga alemã com 89, a Áustria com 62 e o Brasil com 58. No top 10 das Ligas mais lucrativas no mercado de jogadores, encontram-se quatro campeonatos secundários - além da alemã, também as 2.ªs divisões inglesa, espanhola e italiana.

Mas no plano oposto, com saldos negativos entre vendas e compras de jogadores, são precisamente as Ligas principais de Inglaterra (-298 milhões), Espanha (-297), Alemanha (-210) e Itália (-108) as que apresentam maiores défices. A liga da Rússia é a quinta com mais despesas do que receitas (-52 milhões).

Até ontem, a Liga portuguesa registava quase 300 transferências, com despesas de 75 milhões e receitas de 284 milhões. Com mais uma ou duas vendas de peso, Portugal poderia tornar-se no “campeão” deste Mercado, em 2 de Setembro, embora a transferência de Neymar deva desequilibrar a favor da França, se não houver um investimento semelhante em sentido contrário.

É evidente que os clubes portugueses estão a vender muito bem e a saber comprar: neste momento, o Sporting é o único dos 18 clubes da 1.ª Liga com um evidente saldo negativo entre dispensas e aquisições, mas podendo reverter facilmente a situação quando vender Bruno Fernandes. O Sporting apresenta um saldo de -18 milhões, contra os 144 milhões positivos do Benfica ou os 51 milhões do FC Porto.

Marítimo, Guimarães e Rio Ave também estão no vermelho, mas por margem residual inferior a um milhão de euros, enquanto a soma do lucro dos restantes 12 clubes da Liga NOS, com o Braga à cabeça, ascende a 31 milhões de euros.

No final do século passado, o guru da Economia mundial Michael Porter aconselhava Portugal a apostar no que sabia fazer melhor, como estratégia de crescimento, e incluiu o futebol entre os “clusters” que nos podiam trazer fortes dividendos no novo milénio. Era esperto o professor Porter.

É incrível como, vinte anos depois, ainda temos decisores políticos que não o perceberam.

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