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A primeira pergunta da conferência de imprensa de Fernando Santos antes do jogo em Saransk foi sobre arbitragem, por jornalistas que vinham enxofrados pelas insinuações de Carlos Queiroz.

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Estava dado o mote para uma demonstraçãozinha do futebol à portuguesa que alguns, pelos vistos, querem exportar: emoções básicas, confrontações físicas, discussões por nada, tudo o que o desporto não quer. E assim foi o jogo entre Portugal e o Irão, uma equipa com grande potencial futebolístico mas atraiçoada por um espírito miserável ao assumir que só atinge resultados se fizer jogo subterrâneo.

Assistimos a todo um remake das célebres porcarias dos anos 90, agora à escala planetária. As imagens falam por si, uma vergonha.

A seleção portuguesa teve o mérito de sobreviver a toda esta pressão artificial, mas acabou no limite, a ceder aos nervos e a perder no final duas vantagens importantes, quando os VAR assinalaram um pênalti a Cedric e validaram um golo à Espanha: nesse minuto a selecção perdeu um dia de descanso e trocou o melhor adversário pelo pior.

Mesmo assim, Portugal conseguiu resistir a um mau jogo de Cristiano Ronaldo, que igualou Messi a falhar um pênalti que tinha matado o jogo e foi ofuscado pela estreia de Quaresma a titular num Mundial, aos 34 anos.

Se Cristiano Ronaldo não conseguiu acordar por causa do sono atrasado provocado pelo barulho das vuvuzelas dos iranianos, Quaresma despertou o génio da trivela e fez um golo inesquecível e muito importante. Mas fica o alarme de ver ambos os amigos, trintões cheios de experiência, a cederem à pressão montada por um treinador que os conhece bem e quase os levou à expulsão: Cristiano salvo pelo VAR, Quaresma salvo por Fernando Santos.

No fim, acabou tudo em bem, mais uma vez, salvo a perda da liderança do grupo. É isto a selecção: paciência, lentidão de processos, sofrimento e resultados.

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