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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

Para lá da indemnização simbólica de dois milhões de euros, muito menos de um euro por cada mensagem devassada na salinha secreta das catacumbas do Dragão, a consequência mais importante desta condenação do FC Porto é a restituição da propriedade e a terminante proibição de novas violações à correspondência digital do Benfica - constituindo também um eloquente aviso (e jurisprudência) para outros potenciais “hackers”, da vida comercial ou das relações pessoais.
O FC Porto, o Porto Canal e o seu colaborador foram condenados porque não agiram como jornalistas ou sequer divulgadores de informação, como chegaram a reclamar em tribunal. Não seleccionaram a informação, separando o trigo do joio, o que era criminalmente relevante do que era pessoal ou intransmissível, incluindo transacções com terceiros, não investigaram a veracidade de algumas alegadas irregularidades contidas na correspondência entre agentes do Benfica e limitaram-se a despejar pela janela mediática, na tv e na internet, sem qualquer filtro, alguns terabites de lixo informativo que, alegadamente, lhes tinha caído na secretária.
Agiram como vizinhas coscuvilheiras, tentando manchar a credibilidade de toda e qualquer pessoa ou instituição que tivesse interagido com o Benfica por mail electrónico, desde indivíduos desconhecidos a outros clubes e empresas, passando pela Igreja Católica, cujos sacerdotes se popularizaram, à voz do FC Porto, como símbolos do crime organizado.
Para os condenados, talvez dois milhões de euros fossem amendoins, nos tempos em que não estava em situação financeira periclitante sob apertada vigilância do fair-play financeiro da UEFA, como preço pela confirmação dos alegados crimes do rival a usar noutros processos.
A diferença é que, a partir de agora, as alegadas provas, os conteúdos que o FC Porto não tinha o direito de divulgar sem autorização, ficam apenas na posse da Polícia Judiciária e do Ministério Público, longe do julgamento popular, a elas competindo exclusivamente avaliar se contêm ou indiciam comportamentos ilícitos do Benfica e dos seus dirigentes.
Como se percebeu hoje, é muito mais fácil provar o dolo de uma violação de correspondência privada do que a índole criminal de ser padre e rezar uma missa.