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Quase sem se dar por isso, a geração dos jogadores de Football Manager atingiu a idade adulta e transformou o futebol real num jogo virtual de doidos. Sairam das telas de computador para os escritórios de agentes, depois alguns chegaram também ao empresariado e estão agora a aparecer nos clubes. O que eles dizem, por mais estranho ou inverosímil, tornou-se lei.

Os “scouters” são uma casta superior no mundo da boleiragem, capazes de transformar batatas em botas de cristal, até ao momento da cruel realidade em que o balneário dourado se transforma em abóbora, quando acaba o encantamento do “mercado” e é preciso jogar futebol.

Quando acontecem contratações mirabolantes como a de Nakajima ou a de Carlos Vinicius, não pela qualidade relativa dos atletas, mas pelos valores absurdos envolvidos, imagino que os relatórios de “scouting” sejam extraordinariamente ricos em ângulos cegos da trajectória dos jogadores. Os “scouters”, embora recusem ser chamados de olheiros, vêem o que ninguém mais vê e esmagam as dúvidas ao apresentarem argumentos com uma assertividade que não admite réplica.

Das últimas semanas, ouvi uma mão cheia de observações técnicas em comentários de futebol em directo nas diversas televisões que me reduziram à insignificância. Esmagadoras! E não falo de absurdos como “ainda me lembro de como Seferovic jogava nos juniores do Servette”, mas de pérolas verdadeiras como estas duas ouvidas na recente Taça de África: 

> sobre como o extraordinário Brahim Suleymane, guarda-redes do Tevragh Zeina, joga normalmente com os pés no campeonato da Mauritania;

> sobre como o fantástico queniano Michael Olunga se movimenta no ataque do Kashiwa da 2.ª divisão japonesa, pelo qual alinhou apenas uma dúzia de vezes.

Cito estes dois casos, não por duvidar dos conhecimentos de quem os proferiu, mas para mostrar como é necessária enorme credibilidade profissional para um dirigente aceitar colocar milhões de euros em cima de uma informação tão rebuscada. Ou será o contrário? Estas é que são as informações que valem o tal milhão de dólares? Gostava de ver um presidente de clube confrontado com a possibilidade de contratar o guarda-redes da Mauritânia ou o avançado do Quénia: acreditar no instinto, decidir à sorte ou confiar num olheiro maluco!

Quando surge um nome novo no mercado, a reacção é ir ao Youtube ver clips e resumos que, obviamente, nunca nos mostram os pontos fracos dos jogadores, mas garantem dois ou três parágrafos de conhecimento avulso e pronto a servir. É com base neste conhecimento de pantalha que nos chegam craques cada vez mais exóticos.

Pelo que percebo, já ninguém segue os métodos clássicos, uma enorme trabalheira que consistia em ver, tirar notas, acumular observações e formar uma opinião, durante um período relativamente alargado. Talvez seja uma forma menos esperta de agir neste tempo em que a velocidade informativa é muito mais importante do que o conteúdo. Mas é assim que gosto de me atualizar há décadas, tendo começado alguns anos antes da criação da primeira página regular sobre futebol internacional na imprensa portuguesa e quando as fontes eram toneladas de papel de revistas como Don Balon, France Football, Guerin Sportivo, Kicker e Placar, que chegavam com mais ou menos atrasos, acompanhadas de investimentos casuísticos no Times ou no Guardian, para sentir o ambiente da Liga inglesa só com ingleses, e no Globo, que trazia o ritmo do fascinante futebol carioca dos anos 80.

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