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E agora ninguém aposta nos putos campeões europeus, só gostam de argentinos e paraguaios, de nomes terminados em ov e em ic, mais suecos e mexicanos. Esta foi a reacção generalizada após o espanto da descoberta de uma selecção de portugueses que joga ao ataque e não tem complexo perante nenhum adversário.

Campeão da Europa de sub-19 com a maioria dos que já tinham sido campeões de sub-17, Portugal apresenta uma geração de talentos, mais uma, que vai seguramente ter sucesso nos próximos anos. O que não quer dizer que tenham de ingressar todos de supetão nas principais equipas nacionais ou que tenham sequer qualidade e experiência para tal. A verdade é que não têm e muitos não resistirão às dificuldades da mudança de idade e aos desafios do futebol profissional.
Se tudo correr normalmente, a maioria destes jovens jogadores vai estar no próximo Mundial de sub-20 e muitos farão parte da futura selecção de sub-23. Muito menos serão os que vão jogar em clubes de primeira linha. É o processo de selecção natural.
Dos campeões mundiais da chamada geração de ouro, só Figo, Rui Costa, Jorge Costa, João Pinto e Abel Xavier se tornaram regulares na selecção A - e mesmo assim já foi um aproveitamento muito superior ao de todas as outras gerações.
Os grandes clubes têm a prioridade de lutar pela conquista de títulos e para isso necessitam de jogadores adultos, não tendo tempo nem crédito desportivo para apostas que necessitem de muitos jogos para alcançarem tal nível, mas nunca deixarão de desenvolver e aproveitar os que conseguirem responder à exigência. São até cada vez mais competentes nessa avaliação.
Os adeptos que hoje reclamam um lugar na equipa do Benfica para João Filipe talvez nem saibam que ele está na fila de espera, um lugar atrás de João Félix, que também podia ser campeão europeu se não tivesse já atingido o patamar superior, tal como Gedson e mais alguns de outros clubes (Dalot, Leite ou Leão). Nem os campeões europeus do Sporting de Braga terão essa facilidade. Nem os do Porto, os do Sporting, o do Arsenal, o do Wolverhampton. Terão oportunidades, mas não facilidades.
Excepto raríssimas excepções, um jovem de 19 anos está ainda longe de poder render ao nível de uma equipa de alta competição. Por isso há escalões intermédios, equipas B, equipas sub-23 e toda uma sequência de etapas que confirmem os indicadores fornecidos nos escalões mais jovens, com a certeza absoluta de que muito poucos, talvez dois ou três, vão ter dias ainda mais felizes do que o de ontem. Um enorme desafio, portanto, e não uma vida de facilidades, eis o que espera a todos.

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