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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

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A maior crítica que os comentadores franceses fizeram ao treinador Luís Enrique após a derrota do Paris SG em Dortmund foi não ter colocado em jogo no segundo tempo o avançado português Gonçalo Ramos, o mais valioso de todos os jogadores suplentes crónicos desta temporada. Na partida em que a equipa ficou em branco pela primeira vez - na única noite em que tal não “podia” acontecer.
Diziam eles que a partida com o Borussia estava a pedir o sentido prático e objectivo do “portugais” por contaste com as dificuldades do extraordinário Mbappé fora da sua posição habitual, em claro sacrifício estratégico de ocasião. Gonçalo Ramos, entrando aos poucos na equipa parisiense, apresenta um ratio de um golo a cada 120 minutos, semelhante ao da última temporada a “full time” no Benfica.
Numa época de transição para uma realidade mais exigente, o jovem algarvio respondeu à altura e deixa em aberto a perspectiva de suceder ao ídolo francês, a partir do próximo verão, como jogador de referência de um clube que está à beira de alcançar a hegemonia europeia, há décadas desejada pela tradicional arrogância dos herdeiros de Chauvin, na cidade que inventou a Taça dos Campeões Europeus que nunca conseguiu conquistar.
O “scouting” português do Paris não se enganou ao depositar milhões de fichas na aquisição do principal decisor do Benfica da época transacta. Depois de Grimaldo, também Gonçalo ficou sem substituto na equipa de Roger Schmidt, não obstante o gasto desbragado de boa parte desse balúrdio em putativos substitutos como o brasileiro Arthur Cabral.
O “scouting” do Benfica, pelo contrário, falhou rotundamente. Ele é responsável pela iminente perda do título nacional e pelo desperdício de boa oportunidade europeia: um Di Maria à esquerda e um Neres à direita, ou vice-versa, só precisavam de um “pinheiro”, mas os experts de Rui Costa plantaram um eucalipto - um “secador”, como dizem os brasileiros quando se lhes acaba a boa vontade.
O Golo, esse Factor nuclear do futebol, nem sempre aparece na primeira linha das prioridades de alguns dirigentes. “Só marca golos” foi o veredicto que afastou Mário Gardel, perdão, Jardel, do Benfica, no tempo em que o “scouting” era feito a “olho clínico” porque as camisolas ainda ganhavam campeonatos. Nesse tempo como hoje, no fim da linha, quem paga é o treinador.
(A continuar)