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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

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Alejandro Grimaldo deve ser o futebolista mais subvalorizado da atualidade. Ninguém se lembrará dele quando for feita a lista das Bolas de Ouro, mas poucos ou nenhum terá realizado uma época tão perfeita: decisivo em praticamente todos os jogos da caminhada invicta do Bayer Leverkusen, campeão da Alemanha pela primeira vez, finalista da Taça e provável finalista da Liga Europa.
São 11 golos e 18 assistências, além de inúmeras oportunidades criadas, em 46 jogos - mas o mais importante é a dinâmica, a iniciativa, a velocidade, o entrosamento e a objectividade das suas ações, encaixadas na perfeição da máquina montada por Xabi Alonso, desde o primeiro dia da sua vida longe do Benfica. E numa posição “nova”, mais adiantado no terreno, num sistema de três defesas, libertando-o do desgaste brutal das 20 “piscinas” por partida que lhe exigiam por cá.
A necessidade de procurar um novo desafio pode ter sido incontornável, não se lhe podendo negar ao fim de oito anos no clube o que se considera natural para a carreira dos jovens formandos do Seixal, após meia dúzia de jogos acima da média. Grimaldo justificou com serviços relevantes uma venda lucrativa no final do ciclo, mas saiu a custo zero. Porque foi mal cuidado por uma direção negligente e com dificuldade para hierarquizar prioridades na gestão do plantel.
Há uma exuberância discreta no futebol de Grimaldo, uma capacidade de tecer a manta entre os intervalos do espaço, de aparecer onde ninguém o espera, de decidir antes de piscar o olho. É agora um futebolista total, capaz de definir em todas as zonas do campo, muito além do lateral habilidoso que se revelou na escola do Barcelona mas não tinha espaço na sombra de Jordi Alba. Talvez tenha sido por causa deste indefinível talento para executar sem dar nas vistas que demorou tanto tempo a chegar à seleção espanhola, onde também rapidamente começa a fazer a diferença e na qual poderá ser uma das figuras do próximo Europeu.
A continuidade de Grimaldo custaria ao Benfica muito menos do que um Jurasek qualquer, com quem se cruzou recentemente num Leverkusen-Hoffenheim, cujo filme podia bem documentar a incompetência gritante do departamento de escolha e decisão do Seixal.
A sua saída, a par da de Gonçalo Ramos, é o factor mais influente para os sucessivos fracassos da temporada encarnada e um enorme álibi para a culpa de Roger Schmidt. A “força G” que tem faltado ao Benfica e que tem sobrado ao Sporting de Gyökeres.
(A continuar)
 
Foto Sport