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Se fosse boxe, Rui Vitória estaria ainda de pé ao fim dos primeiros seis assaltos dos sete que constituem o combate mais importante do ano. Depois de mais uma ida ao tapete com contagem de protecção frente a um adversário muito debilitado, como o Sporting, o Benfica ainda vai com força e vontade para a batalha de Salónica. Mas está a perder aos pontos e tem de tomar a iniciativa de atacar um adversário, notoriamente mais fraco do ponto de vista técnico, táctico e, até físico, sem esquecer o do talento, mas muito manhoso.

Por vezes, Rui Vitória transmite a ideia de ser demasiado ingénuo para um cargo tão escrutinado como é o de treinador do Benfica. Noutras, deixa perceber que não entende a plenitude do jogo, quando este lhe exige medidas diferentes das que planeou no seu gabinete ao longo da semana. E passa, quase sempre, um discurso confuso e pouco objectivo, no tom, na forma e no conteúdo, com subentendidos e alusões mais ou menos vagas que não atrasam nem adiantam.

Na verdade, é uma questão de carisma. Ou se tem e tudo corre sobre rodas, mesmo nos momentos de insucesso, ou não se tem e se enfrenta a vida com cara de pau, lutando contra os elementos, sempre na iminência de ser levado nalguma enxurrada.

Ouvir os comentários sobre José Mourinho nas televisões portuguesas, por exemplo, ajuda-nos a perceber bem a diferença entre ter carisma e não ter. Quando perde, é obviamente por causa dos erros individuais dos jogadores. Quando empata, vê-se bem que a equipa não assimilou as suas directrizes. Quando ganha, bem, quando ganha é brilhante como sempre.

Agora vejamos Rui Vitória: se perde é um azelha, se empata não tem liderança para fazer a diferença, se ganha não faz mais do que a obrigação.

 

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8 comentários

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De Carlos Marques a 27.08.2018 às 11:44

Realmente existem os bem e os mal amados da imprensa. Do José Mourinho toleram tudo, até a estupidez e o mau futebol, já do Rui Vitória até do papel higiénico que usa têm reclamações a fazer.

Não goleou o PAOK por desacerto de quem costuma marcar golos, e não goleou o Sporting porque foi um Benfica 1-1 Salin...

Pelo menos não esteve a ganhar 2-0 em casa frente ao V.Guinarães para acabar a perder por 2-3, e mesmo tendo a ajuda do árbitro e a falha do VAR a seu favor.

Que os analistas desportivos façam reparis tecnico-táticos ainda vá, pois ninguém é perfeito, agora que até critiquem a forma de ser e de estar enquanto pessoa, já cheira mal.

Como diria o outro num programa de sketches: olhe, vá mas é trabalhar, homem!

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