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Se fosse boxe, Rui Vitória estaria ainda de pé ao fim dos primeiros seis assaltos dos sete que constituem o combate mais importante do ano. Depois de mais uma ida ao tapete com contagem de protecção frente a um adversário muito debilitado, como o Sporting, o Benfica ainda vai com força e vontade para a batalha de Salónica. Mas está a perder aos pontos e tem de tomar a iniciativa de atacar um adversário, notoriamente mais fraco do ponto de vista técnico, táctico e, até físico, sem esquecer o do talento, mas muito manhoso.

Por vezes, Rui Vitória transmite a ideia de ser demasiado ingénuo para um cargo tão escrutinado como é o de treinador do Benfica. Noutras, deixa perceber que não entende a plenitude do jogo, quando este lhe exige medidas diferentes das que planeou no seu gabinete ao longo da semana. E passa, quase sempre, um discurso confuso e pouco objectivo, no tom, na forma e no conteúdo, com subentendidos e alusões mais ou menos vagas que não atrasam nem adiantam.

Na verdade, é uma questão de carisma. Ou se tem e tudo corre sobre rodas, mesmo nos momentos de insucesso, ou não se tem e se enfrenta a vida com cara de pau, lutando contra os elementos, sempre na iminência de ser levado nalguma enxurrada.

Ouvir os comentários sobre José Mourinho nas televisões portuguesas, por exemplo, ajuda-nos a perceber bem a diferença entre ter carisma e não ter. Quando perde, é obviamente por causa dos erros individuais dos jogadores. Quando empata, vê-se bem que a equipa não assimilou as suas directrizes. Quando ganha, bem, quando ganha é brilhante como sempre.

Agora vejamos Rui Vitória: se perde é um azelha, se empata não tem liderança para fazer a diferença, se ganha não faz mais do que a obrigação.

 

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2 comentários

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De NS a 27.08.2018 às 12:27

Caro JQM, eu considerava-o um comentador com algum carisma. Afinal, equivoquei-me. Dizer que Rui Vitória não tem carisma, até aceito, na acepção que resulta do seu arrazoado: não é prepotente, arrogante, não se considera o melhor nem o maior, não culpa ninguém pelos seus erros, não ofende. O que refere quanto a Mourinho não é carisma: é marketing e viver dos lucros de um passado que já não volta porque não se soube adaptar e existem outros que, com menos meios, fazem melhor. Carisma é o que tem, por exemplo, Roger Federer. O qual, se vir bem, tem mais características que o opõem a Mourinho dos que a que o aproximam. Além de órfão de argumentação inteligente, o seu texto é ofensivo para o melhor treinador português dos últimos anos em Portugal. E, reitero, nada do que refere tem a ver com carisma. Já agora - e para concluir -, pergunto: se Rui Vitória tivesse à sua disposição os jogadores que Mourinho tem, arranjava desculpas e pedia tempo, como o fez o "special one"? Ou fazia o seu trabalho e - antecipo - estaria melhor classificado e com muitos melhores resultados que este? Ah, e escusa de responder. É retórica...
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De Carlos Rodrigues a 27.08.2018 às 23:29

Grande pancada esta o JQM...

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