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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

E pronto. Quatro horas da tarde no meridiano de Greenwich e a proposta que o Manchester United estava “a preparar” por Bruno Fernandes não chegou a Alvalade. Neste tempo em que os jornalistas dão as notícias e depois ficam à espera que se confirmem, esta era claramente exagerada, apesar de repetida exaustiva e diariamente ao longo de cinco semanas. Exagerada a notícia e exagerados os valores pretendidos.
Nem o milagreiro Jorge Mendes conseguiu vender Bruno Fernandes pelos números sonhados pelo Sporting, ao ser arregimentado tardiamente e quando os cavalinhos e girafas do seu carrossel já estavam montados e sem dinheiro para mais voltinhas. Nem pela moeda oficial da Gestifute, os famosos “mendilhões”, o negócio rodou.
O capitão do Sporting não está sozinho, não foi caso isolado. Neymar, Pogba, Bale, Coutinho, Milinkovic-Savic, Dybala e Eriksen, todos candidatos a transferências milionárias num valor global projectado próximo dos mil milhões de euros, continuam na sala de embarque à espera que alguém se condoa da chatice das suas vidas nos clubes onde não se sentem bem. Aguentem firme.
Se pensarmos nos 10 por cento dos Mendes e Raiolas desta engrenagem, podemos calcular que haja por aí muita gente com as férias estragadas, em esforço extra para gerar uma nova onda de loucura, antes de setembro, na Europa sem Inglaterra.
Bruno Fernandes e o Sporting voltam-se agora para este segundo mercado, de valores significativamente mais baixos. Só restarão meia dúzia de clubes capazes de pagar 50 milhões por um jogador (Real, Atlético, Barcelona, Paris SG e Juventus, Inter), mas nenhum deles tem o português no azimute. O bluff de Frederico Varandas não virou a mesa.
Milhares de portugueses interrogam-se sobre a falta de interesse do mercado internacional por Bruno Fernandes. Não entendem que os grandes compradores de jogadores adolescentes com poucas provas dadas por verbas exorbitantes optem pela sensatez quando se trata de atletas experientes e de alto rendimento regular. E este primeiro grande fracasso de Jorge Mendes ainda engrossa o pessimismo e o temor de mais conspiração contra o Sporting e a sua recuperação.
O baixo sucesso dos jogadores portugueses que emigraram depois dos 24 anos por verbas elevadas pode ser um dos motivos desta desconfiança. Há a consciência, controversa mas real, de que Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo ou Bernardo Silva não teriam chegado ao topo se não tivessem emigrado tão cedo para ambientes muito mais competitivos e exigentes.
Um investimento de 50 milhões num jogador de 25 anos dificilmente gera retorno financeiro, crescendo a tendência para deixar terminar os contratos e sair a custo “zero”, como aconteceu este ano com os ex-portistas Herrera e Brahimi. Bruno Fernandes vai necessitar de repetir a época passada para voltar a valer metade da cláusula de rescisão, o que não deixa de constituir um teste aliciante para ele e para o clube, dando tempo ao superagente para montar uma operação que resgate honra e prestígio de todos os envolvidos.

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