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No Brasil, as trocas de treinadores não são acontecimentos excepcionais, pois há clubes com médias de permanência inferiores a quatro meses. Quando um clube muda de “professor”, o assunto resume-se a uma espécie de refrescamento momentâneo e dança de cadeiras e até as chegadas de estrangeiros de referência, como Rueda, Osorio, Aguirre ou Sampaoli, os mais recentes, suscitaram moderado entusiasmo, sempre confinado ao emblema que os contratava.



Não é assim com Jorge Jesus. O novo treinador do Flamengo está a mobilizar as atenções dos adversários, não apenas brasileiros mas também dos possíveis adversários na Taça dos Libertadores, pelo passado de grande empatia futebolística e sucesso com sul-americanos como Aimar, Saviola, Garay, Gaitan, Maxi Pereira ou Cardozo.



Jorge Jesus avança para o futebol brasileiro como um treinador global, portador de um conhecimento que admitem ser avançadíssimo, numa dimensão que, exceptuando José Mourinho, a nenhum outro foi até hoje reconhecido, não obstante o enorme êxito internacional de alguns, pelo Mundo fora, ao longo deste século.



Resistindo a todos os trocadilhos que o seu nome sugere, a começar pelo facto de ter deixado de ser pecado dizer mal de Jesus, o arranque mediático do português no Ninho do Urubu foi fenomenal e ressuscitou o estatuto do Flamengo como um dos clubes mundiais com mais adeptos, mais torcedores, ou seja lá qual o “adjectivo” que se queira utilizar nesta nova língua emergente, o Jesusleiro, que vai animar o dia-a-dia do treinador em terras de Vera Cruz.



Antes de entrarmos na área técnica e futebolística propriamente dita, já deu para perceber que ele, o treinador que muitos portugueses bem falantes gozavam pelos frequentes deslizes gramaticais e originalidades lexicais, acaba ironicamente de assumir o papel de grande embaixador da língua portuguesa no Brasil, totalmente à margem das querelas do Acordo Ortográfico e da vontade que todos temos de um maior conhecimento de Camões, Eça ou Pessoa entre a grande massa dos lusófonos que não falam “português de Portugal”, como acabo de ouvir chamar à nossa língua.



Um comentador na Globo confessava dificuldades em perceber o “português muito fechado” que Jesus falou na primeira conferência de imprensa, outro está agora a comentar embevecido que adora o “sotaque” português. Acham extraordinário que ele diga “golo” e não “gol”, se refira ao "plantel" e não ao "elenco" e ainda não o ouviram dizer autoclismo nem matraquilhos - espero bem que nunca conceda na “descarga” nem no “pimbolim”.



Jorge Jesus pensaria que este desafio seria apenas desportivo e bem grande, mas será muito maior. Com a mediatização imparável desta operação, ele arrisca-se a protagonizar um choque cultural semelhante ao que tivemos há 40 anos com a descoberta das telenovelas e da Música Popular Brasileira. Pela primeira vez, damos-lhes em troca algo que os vai fazer pensar em Portugal como uma entidade cultural secular e não como uma mera porta de entrada fácil na Europa.

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