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O infeliz árbitro, os maus assistentes, os péssimos video-árbitros, seus inqualificáveis dirigentes e todos quantos acham que um erro de julgamento deve ser equilibrado com outro erro igual, incluindo os treinadores beneficiados, tornam o futebol uma actividade patética e sem credibilidade. Por necessidades comerciais, tentam confundir o erro sistemático com uma delirante “coerência de critério”. No futebol, menos com menos só dá muito menos.

No jogo entre o Belenenses e o FC Porto, Carlos Xistra começa por assinalar a mando do VAR um penalti absurdo, por bola na mão de Diogo Leite. E mais tarde, com o jogo a terminar empatado, volta a cair na esparrela num lance idêntico, mas ainda mais absurdo, na grande área do Belenenses.

O treinador do Porto veio aplaudir a coerência: errou uma vez, errou duas, está perfeito. O treinador do Belenenses nem se considerou apto a comentar, com razão, porque parte do princípio que não seria possível errar através do vídeo de segurança.

Sempre achei que a utilização como video-árbitros de juízes incompetentes só poderia ter êxito se ocorresse alguma epifania quando se sentam frente às pantalhas da Cidade do Futebol. Um árbitro mau no campo é um árbitro mau no video, não há milagres.

É o mesmo com um pénalti mal assinalado: um segundo pénalti mal marcado não transforma ambos em bem assinalados. Basta imaginar o que seria esta noite e os próximos dias se ambos tivessem sido apitados contra a mesma equipa.

Hoje, Carlos Xistra, os assistentes, os VAR e os seus dirigentes tiveram uma jornada desastrosa. Pateticamente coerente, mas desastrosa.

Que não se confunda a coerência de repetir os erros como um sinal de “critério”. Quem erra e repete o erro, apesar de todos os meios à sua disposição para o evitar, não é coerente nem tem critério: é apenas incompetente.

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