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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

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CATARSES 7️⃣

Ronaldo ou Messi?

Se a ideia é definir o melhor do Mundo num jogo de Xadrez como o do anúncio da Ferrari das malas, saibamos que aquela disposição das peças, mesmo sobre um tabuleiro irregular com 9 colunas, era de empate, sem saída para chegar ao xeque-mate sugerido por um caçador de “sound bytes” na conferência de imprensa a que o português se apresentou de surpresa.

A marca de acessórios preferida dos patos-bravos da bola realizou um genial golpe de “ambush marketing” por associação - que, para os patrocinadores oficiais da FIFA, terá o mesmo significado de uma banca da feira de Carcavelos -, com os dois melhores jogadores do mundo numa fotomontagem que pouco acrescenta ao prestígio de retratista de Annie Leibovitz.

A disposição das peças recria um “match” muito estudado entre o norueguês campeão do mundo Magnus Carlsen e o americano nascido no Japão Hikaru Nakamura, no Norway Chess de 2017. 

Carlsen jogou com as brancas, como Ronaldo, e Nakamura com as negras, como Messi. 

Carlsen e Nakamura empataram, mas o europeu venceu o torneio e o americano ficou em segundo - o que seria inspirador para um grande “match” de despedida, talvez sonhado pelos comerciais da FIFA, entre Portugal e Argentina, pela dimensão global dos dois G.O.A.T. do futebol.

Por alturas do Mundial da Rússia, alguém disse que "Cristiano Ronaldo é um excelente jogador de Xadrez, mas com a cabeça e os pés em todo o tabuleiro, movendo-se como a Rainha, em todos os sentidos e sem limites, pois sabe antecipar as jogadas e depressa encontra uma solução para os problemas”.

Esta conferência de imprensa, seguramente imaginada por um estrategista mais astuto do que quem o conduziu àquela armadilha do gambito do Manchester United frente a Piers Morgan, sem jornalistas ingleses nem perguntas incómodas, se fosse uma partida de Xadrez, passaria aos anais do jogo como a “Abertura Cristiana”. 

Uma sequência de pequenos ataques por um jogador sereno, calculista e seguro dos seus movimentos sobre os vários tabuleiros onde joga o futuro, incluindo o de por-se a salvo de algum “sacrifício de troca” que o deixasse no banco de suplentes, pela FEMACOSA, frente ao Gana.

A grande-mestre Irina Krush diz que os três pilares do sucesso no Xadrez são a conjugação do tempo com o espaço e a harmonia, sem nunca perder de vista a segurança do Rei. No fundo, o “timing”, que Cristiano Ronaldo invoca como exclusivamente seu, em conjugação com o espaço do Mundial e a harmonia da equipa, procurando não expor a Seleção. 

Mas uma predisposição psicológica que promete soluções e coragem, perante o maior repto da longa carreira, mostra-o apto e convicto, a fazer lembrar a legenda dos inesquecíveis diagramas de quebra-cabeças xadrezísticos de João Cordovil, no Diário Popular de há 50 anos:

“As brancas jogam e ganham”.

 

FOTO Louis Vuitton