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Eusébio, Coluna e Hilário são referências da equipa mais antiga de que me lembro, da televisão a preto e branco. Além deles, nos cromos e nas gravuras do Diário Popular, sobressaíam o Yaúca e o Matateu. Ao mesmo tempo, idolatrava o Zé Mulato, um crioulo que jogou no Vitória Mindense dos anos 60 do século passado e que terá sido a primeira pessoa de cor que vi de perto.

O futebol foi, ainda no período final do salazarismo, o factor mais visível de integração e educação contra o racismo, quando as notícias filtradas pela Censura nos acicatavam contra os pretos terroristas, os turras das províncias ultramarinas.

E agora, com o século XXI em veloz andamento, continua a sê-lo, numa nova sociedade educada à pressa, pelo relevo dos protagonistas, os quais, todavia, nem sempre aproveitam da melhor forma as ocasiões que a notoriedade pessoal lhes oferece.

Alan jogou dois anos na Madeira, onde os cidadãos lutam há séculos para não serem portugueses de segunda. Dois anos no Porto, nos tempos do Apito Dourado, onde se trata os portugueses abaixo do Mondego por “mouros”. E mais outro no Guimarães e nove no Braga, onde as pessoas se chamam mutuamente de “espanhóis" e “marroquinos”.

Alan é brasileiro e de tez mestiça. Um “coloured”, como seria descrito na Imprensa desportiva dos tempos em que comecei a ler e perceber.

Há 16 anos em Portugal como profissional de futebol, descontando as vezes que lhe chamaram “preto de merda só para (o) desconcentrar dentro de campo”, Alan diz que só se recorda de um episódio em que terá sido destratado de forma racista. E foi por um espanhol, Javi Garcia, que ainda não confirmou o incidente.

Eu penso que Alan, que felizmente ouve e vê sem dificuldade, é, sim, um homem meio confundido pelo sucesso individual, porque acha que o racismo “depende do estatuto da pessoa”. Não depende. Nem da nacionalidade, nem do emblema da camisola que veste, acrescento eu.

Em todo o caso, parabéns ao país que, meio século depois da Guerra Colonial apesar das enormes diferenças sociais e com tanto ainda por evoluir,  consegue tão bem absorver e incluir brasileiros, espanhóis e marroquinos.

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