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Antoine (Lopes) Griezmann é neto de um português, por parte da mãe, filha mais nova do emigrante Amaro Lopes, já nascida em França. Amaro “da Cavada” foi também jogador de futebol, destacado no Vasco da Gama, o clube que deu origem ao actual Paços de Ferreira, nos anos 50 do século passado. Houve até uma fase na carreira do jovem Antoine em que alguns problemas com a Federação francesa o levaram a cogitar a possibilidade de representar Portugal a nível de selecções, um pouco por pressão dos tios mais velhos, que nasceram por cá.

É por casos como este, comuns à maioria dos jogadores franceses, que podemos considerar a selecção de Deschamps uma espécie de equipa de todos nós, de “tout le monde”, como eles dizem - por tão ecuménica e plural ser a sua genética.
Neste Mundial, a França esteve longe de encantar, mas foi a única que venceu os cinco jogos e tem alguns dos melhores jogadores do Mundial, como Varane, Kanté e Mbappé, todos já com lugar assegurado no onze de honra. Por ser forte e muito habituada a estas andanças é a favorita, o que também ajuda ao apoio romântico de meio Mundo à Croácia, que não sendo melhor que a França praticou um futebol mais entusiasmante.
Acredito que a maioria dos adeptos de todo o Mundo estarão do lado croata, quanto mais não seja pela poesia de ver um país tão pequeno, com menos de cinco milhões de pessoas e muito poucos futebolistas profissionais, voltar a desafiar os mais poderosos e em particular a poderosíssima França, que tem disputado à Alemanha a hegemonia do futebol europeu dos últimos 20 anos.
Mas se verificássemos bem a composição da multifacetada selecção francesa era do lado dela que todos devíamos estar. Nós e a maior parte do Mundo.
Contada a história do português Griezmann, vejamos as raízes do resto da selecção de Deschamps:
Lloris, Pavard, Varane, Giroud e Thauvin são franceses sem influências estrangeiras e Lemar um francês das Caraíbas. Todos os outros são filhos ou netos das migrações do pós-Guerra e a maioria tem dupla nacionalidade.
Mandanda - nasceu no Congo (dupla-nacionalidade)
Aréola - tem nacionalidade filipina
Kimpembe - tem nacionalidade congolesa
Umtiti - nasceu nos Camarões (dupla-nacionalidade)
Rami - tem nacionalidade marroquina
Sidibé - filho de um maliano
Hernandez - tem nacionalidade espanhola
Mendy - tem nacionalidade senegalesa
Pogba - tem nacionalidade guineense
Tolisso - filho de um togolês
Kanté - tem nacionalidade maliana
Matuidi - tem nacionalidade angolana
Nzonzi - filho de congolês
Mbappé - tem nacionalidade camaronesa
Dembelé - tem nacionalidade mauritana
Fekir - tem nacionalidade argelina

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2 comentários

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De Anónimo a 13.07.2018 às 17:39

Com o devido respeito "...era do lado dela que todos devíamos estar. Nós e a maior parte do Mundo." será a sua opinião.
Lá por a Selecção francesa ser composta por gente originária ou descendente de outros países, o que hoje em dia é comum também a nível de clubes, uma vez que praticamente nenhuns jogam com a "prata da casa" e são um puzzle de nacionalidades... estará o meu bom amigo do lado deles. Eu, não!
Pode chamar-me primária e ruminante num tema passado, mas quem ainda hoje se refere à Selecção de Portugal tão ligeiramente como os "franceses" sejam eles de origem ou "adoptados" não granjeia a minha simpatia. E vejam-se as declarações últimas sobre irem jogar com a Croácia e as divagações sobre "como" Portugal foi campeão da Europa. Ainda lhes provoca muita azia... e creio que os deixa acordados e assombra o facto de se poder repetir na final do Mundial e poderem ser (como foram) "cilindrados" por uma Selecção que não jogava nada e até com recurso a lesionarem Cristiano Ronaldo, como todos vimos, convencidos de que levariam a melhor. É esta a selecção que parece estar a elogiar. Não menosprezando qualquer dos jogadores e Antoine Griezmann permita-me não me incluir nesse apoio que acha, não só dever ser o nosso, como o Mundo se devia render à França... quando ficaram pelo caminho, tantas selecções que (isso sim) foi uma pena não terem passado.
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De Sofia a 14.07.2018 às 09:33

Eu concordo. A França é a última equipa que quero ver ganhar neste Mundial. Depois da maneira como nos trataram há dois anos e mesmo noutras ocasiões, não consigo simpatizar com eles.

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