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  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

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    Lúcido, como sempre. Parabéns.

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    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





Fernando Santos apresentou ontem uma renovação radical da selecção, rejuvenescendo-a em três anos, com um certo atraso, pois a prudência é a regra n.º 1 do processo de decisão do seleccionador e muito por força do autêntico “baby boom” futebolístico, que projecta e assegura Portugal como potência europeia para a próxima década.

O onze que terminou no estádio do Algarve a partida com a Croácia era talvez a mais jovem selecção portuguesa de sempre, com uma média de 23 anos nos nove jogadores que acompanhavam os veteranos Pepe e Patrício.

Foi curiosa a opção de construir o novo esboço de selecção em torno de Pepe, com 35 anos e 100 internacionalizações, símbolo de um Portugal sem fronteiras e agregador, a que se juntam agora mais internacionais oriundos dos países da lusofonia, como Gedson e Rony Lopes.

Pepe e Rui Patrício (30 anos) foram os únicos seleccionados acima dos 30 e, juntamente com William Carvalho (26) e Bernardo Silva (23), os que mantiveram a titularidade relativamente à última partida do Mundial, com o Uruguai.

A média de idades desceu dos 27,6 anos para os 25,5 da equipa inicial frente à Croácia, mas ao longo do encontro ainda rejuvenesceu mais, para terminar nos 24,7 anos - ou 23, se retirarmos os dois “velhinhos”.

Desta experiência sairá uma solução intermédia, com a inclusão de Cristiano Ronaldo (33), João Moutinho (32), Cedric (27) ou João Mário (25). De fora, definitivamente, só devem estar Bruno Alves (36), Jose Fonte (34), Quaresma (35) e Manuel Fernandes(32), quando se torna evidente que existem alternativas de qualidade.

E fica para sempre justificada com dados concretos a dúvida sobre se a notória falta de irreverência da selecção no Mundial não teria sido superada com a inclusão de alguns destes jovens que já tinham dado sinais na época anterior. Não foi por terem esperado pelo mês de Agosto para se mostrarem, excepto no caso de Gedson, que João Cancelo, Sérgio Oliveira, Rony Lopes ou Bruma, ou mesmo Ruben Dias, ficaram fora do Mundial.

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Quando um adolescente chega à equipa principal de um grande clube, a certeza é de se estar perante um predestinado, um “fora de série”, como se dizia nos tempos do futebol analógico. O golo de João Felix frente ao Sporting entrou na galeria das raridades, pois há mais de 40 anos, era Fernando Chalana o fenómeno, que ninguém o conseguia.

Felix é o mais recente produto da excepcional colheita de 2018 a bater à porta do futebol profissional de mais alto nível, depois dos colegas Rúben Dias e Gedson Fernandes e dos rivais Jovane Cabral e Diogo Leite. Alguns deles não poderão deixar de aparecer na primeira convocatória da selecção nacional tendo em vista o ciclo do Europeu de 2020 e a nova Taça das Nações da UEFA.

O treinador do Benfica diz que a qualidade se impõe ao bilhete de identidade, pelo que João Felix deve ser considerado neste momento o primeiro avançado de um plantel com défice inesperado de finalizadores e teria de aparecer como titular na Toumba de Salónica. Pelo histórico do jovem jogador perante os desafios que lhe foram colocados nos últimos anos, nem seria arriscado prever que dentro de algum tempo o Benfica fosse Felix + 10. Pelo menos, não terá de nascer mais nenhuma vez nem tentar a sorte como lateral esquerdo.

Não considero que a pressa seja inimiga da afirmação, mas a precocidade de qualquer pessoa exige acompanhamento especial, que a mantenha na linha do sucesso.

Renato Sanches não foi o primeiro teenager a chegar ao topo e a cair com estrondo por falta de protecção e de um plano de vida. Os maus exemplos devem servir para correcções de trajecto e banhos de humildade, porque os jogadores querem-se para 20 anos e não para uma fugaz espiral de desenganos.

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E agora ninguém aposta nos putos campeões europeus, só gostam de argentinos e paraguaios, de nomes terminados em ov e em ic, mais suecos e mexicanos. Esta foi a reacção generalizada após o espanto da descoberta de uma selecção de portugueses que joga ao ataque e não tem complexo perante nenhum adversário.

Campeão da Europa de sub-19 com a maioria dos que já tinham sido campeões de sub-17, Portugal apresenta uma geração de talentos, mais uma, que vai seguramente ter sucesso nos próximos anos. O que não quer dizer que tenham de ingressar todos de supetão nas principais equipas nacionais ou que tenham sequer qualidade e experiência para tal. A verdade é que não têm e muitos não resistirão às dificuldades da mudança de idade e aos desafios do futebol profissional.
Se tudo correr normalmente, a maioria destes jovens jogadores vai estar no próximo Mundial de sub-20 e muitos farão parte da futura selecção de sub-23. Muito menos serão os que vão jogar em clubes de primeira linha. É o processo de selecção natural.
Dos campeões mundiais da chamada geração de ouro, só Figo, Rui Costa, Jorge Costa, João Pinto e Abel Xavier se tornaram regulares na selecção A - e mesmo assim já foi um aproveitamento muito superior ao de todas as outras gerações.
Os grandes clubes têm a prioridade de lutar pela conquista de títulos e para isso necessitam de jogadores adultos, não tendo tempo nem crédito desportivo para apostas que necessitem de muitos jogos para alcançarem tal nível, mas nunca deixarão de desenvolver e aproveitar os que conseguirem responder à exigência. São até cada vez mais competentes nessa avaliação.
Os adeptos que hoje reclamam um lugar na equipa do Benfica para João Filipe talvez nem saibam que ele está na fila de espera, um lugar atrás de João Félix, que também podia ser campeão europeu se não tivesse já atingido o patamar superior, tal como Gedson e mais alguns de outros clubes (Dalot, Leite ou Leão). Nem os campeões europeus do Sporting de Braga terão essa facilidade. Nem os do Porto, os do Sporting, o do Arsenal, o do Wolverhampton. Terão oportunidades, mas não facilidades.
Excepto raríssimas excepções, um jovem de 19 anos está ainda longe de poder render ao nível de uma equipa de alta competição. Por isso há escalões intermédios, equipas B, equipas sub-23 e toda uma sequência de etapas que confirmem os indicadores fornecidos nos escalões mais jovens, com a certeza absoluta de que muito poucos, talvez dois ou três, vão ter dias ainda mais felizes do que o de ontem. Um enorme desafio, portanto, e não uma vida de facilidades, eis o que espera a todos.

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