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Quando começou o jogo de consolação com a Bélgica, estava na dúvida se devia tirar Kane, o previsível goleador da prova, da minha equipa-tipo. Seria o primeiro goleador de um Mundial a quem isso aconteceria e atrevo-me a dizer que nenhuma lista oficial ou institucional sequer admite tal coisa - pois não consideram a (baixa) qualidade dos adversários a quem marcou os golos nem a nulidade absoluta em que se transformou nas partidas a doer, ficando horas e horas sem conseguir sequer enquadrar um remate à baliza.

Depois, bastou-me ver aquele desperdício aos 23’, um autêntico pênalti em movimento, para assumir o que pensei desde o início: apesar dos golos que marcou, Kane não está, não pode estar, entre os três melhores avançados do Mundial. Nem perto.

Fui rever os golos de Kane, 2 à Tunísia em pontapés de canto, 3 ao Panama com dois penaltis, um à Colômbia de pênalti; zeros com Suécia,  Croácia e Bélgica: 3 penaltis, um tap-in à boca da baliza, um bom golo de cabeça e um "chouriço", desviando involuntariamente um remate de Loftus-Cheek.

Cinco de bola parada e um sem querer. Seis no total, tantos quantos Gary Lineker no México/86, que não beneficiou de nenhum penalti. É ir ao youtube constatar as diferenças…

Desde o tal golo inadvertido aos 62’ do jogo com o Panama e não considerando o pênalti à Colômbia, o melhor goleador do Mundial esteve 516 minutos (mais de oito horas) de jogo sem conseguir fazer um remate que acertasse na baliza ou fosse defendido. Nas últimas quatro partidas, depois de ter folgado na última jornada da primeira fase, executou sete remates para fora. Por isto também, a Inglaterra ficou em 4.º lugar e sofreu três derrotas.

Mandzukic, Griezmann, Lukaku, Cavani e Mbappé, pelo menos, foram bem superiores ao “melhor” avançado do Mundial.

 

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Antoine (Lopes) Griezmann é neto de um português, por parte da mãe, filha mais nova do emigrante Amaro Lopes, já nascida em França. Amaro “da Cavada” foi também jogador de futebol, destacado no Vasco da Gama, o clube que deu origem ao actual Paços de Ferreira, nos anos 50 do século passado. Houve até uma fase na carreira do jovem Antoine em que alguns problemas com a Federação francesa o levaram a cogitar a possibilidade de representar Portugal a nível de selecções, um pouco por pressão dos tios mais velhos, que nasceram por cá.

É por casos como este, comuns à maioria dos jogadores franceses, que podemos considerar a selecção de Deschamps uma espécie de equipa de todos nós, de “tout le monde”, como eles dizem - por tão ecuménica e plural ser a sua genética.
Neste Mundial, a França esteve longe de encantar, mas foi a única que venceu os cinco jogos e tem alguns dos melhores jogadores do Mundial, como Varane, Kanté e Mbappé, todos já com lugar assegurado no onze de honra. Por ser forte e muito habituada a estas andanças é a favorita, o que também ajuda ao apoio romântico de meio Mundo à Croácia, que não sendo melhor que a França praticou um futebol mais entusiasmante.
Acredito que a maioria dos adeptos de todo o Mundo estarão do lado croata, quanto mais não seja pela poesia de ver um país tão pequeno, com menos de cinco milhões de pessoas e muito poucos futebolistas profissionais, voltar a desafiar os mais poderosos e em particular a poderosíssima França, que tem disputado à Alemanha a hegemonia do futebol europeu dos últimos 20 anos.
Mas se verificássemos bem a composição da multifacetada selecção francesa era do lado dela que todos devíamos estar. Nós e a maior parte do Mundo.
Contada a história do português Griezmann, vejamos as raízes do resto da selecção de Deschamps:
Lloris, Pavard, Varane, Giroud e Thauvin são franceses sem influências estrangeiras e Lemar um francês das Caraíbas. Todos os outros são filhos ou netos das migrações do pós-Guerra e a maioria tem dupla nacionalidade.
Mandanda - nasceu no Congo (dupla-nacionalidade)
Aréola - tem nacionalidade filipina
Kimpembe - tem nacionalidade congolesa
Umtiti - nasceu nos Camarões (dupla-nacionalidade)
Rami - tem nacionalidade marroquina
Sidibé - filho de um maliano
Hernandez - tem nacionalidade espanhola
Mendy - tem nacionalidade senegalesa
Pogba - tem nacionalidade guineense
Tolisso - filho de um togolês
Kanté - tem nacionalidade maliana
Matuidi - tem nacionalidade angolana
Nzonzi - filho de congolês
Mbappé - tem nacionalidade camaronesa
Dembelé - tem nacionalidade mauritana
Fekir - tem nacionalidade argelina

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Cinco das maiores revelações do Mundial são ingleses, alguns já conhecidos dos clubes, outros com mais de 25 anos, mas todos com quase nula experiência na selecção principal: o guarda-redes Pickford, o lateral Trippier, o central Maguire, o médio ofensivo Lingard e, ainda, o avançado Alli, o mais jovem mas também o único com mais de uma dúzia de internacionalizações quando aterraram na Rússia.

Todos excederam as expectativas em termos de rendimento, correspondendo às apostas algo temerárias do seleccionador, adaptando-se a uma nova concepção táctica e a funções diferentes do seu quotidiano nos clubes, e têm agora em comum um horizonte brilhante que contempla os dois próximos Europeus e pelo menos mais um Mundial.

Todos são produtos das transformações operadas na Federação inglesa depois de falhar a presença no Europeu de 2008. O ciclo de aposta na formação, que se seguiu, começou a dar frutos há quatro anos e coloca neste momento a Inglaterra como maior potência mundial do futebol jovem, campeã mundial de sub-17, campeã mundial de sub-20 e bicampeã do torneio de Toulon (sub-20), com partes destes trajectos feitos sob a responsabilidade do actual seleccionador principal Gareth Southgate. O pior resultado dos últimos anos foi o 3.º lugar no Europeu de sub-21 de 2017.

Isto significa que nos próximos tempos vão continuar a chegar à selecção principal grandes valores, pois a estrutura de competição com várias divisões profissionais e, sobretudo, os campeonatos de sub-23, garantem espaço para a evolução e afirmação dos jovens, não obstante a dificuldade em entrarem nos clubes principais, onde predominam os estrangeiros. Nesse quadro de dificuldade, porém, nenhum jovem inglês tem necessidade de emigrar e a seleção inglesa é a única semifinalista do Mundial sem qualquer emigrante, uma vez que a pressão dos adeptos ajuda à sua afirmação sempre que se coloca a opção entre um inglês e um estrangeiro de valor idêntico.

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