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O Japão submeteu a Bélgica ao primeiro grande teste, no melhor jogo do Mundial até agora, e só foi eliminado no último minuto, na mais espectacular jogada de contra-ataque que vi nos últimos tempos. Os japoneses, ao bom estilo kamikaze que os impediu de medir as consequências da sua ousadia, cometeram o tradicional harakiri, com nobreza, mas também com a ingenuidade que penaliza drasticamente os que não sabem defender-se.

Ao longo de todo o jogo, os japoneses exerceram uma pressão total sobre a defesa a três da Bélgica, que não melhorou com o regresso de Kompany, e construíram muitas situações de superioridade numérica, por vezes de cinco para três, do que resultaram dois golos no início da segunda parte e uma vantagem que os inebriou.

Na hora de resguardar o triunfo sobre um adversário tão poderoso, os japoneses não quiseram saber e continuaram a jogar da mesma forma, até final. Digno de admiração e simpatia, mas condenado ao fracasso.

Entretanto, a 25 minutos do fim, o treinador belga meteu ainda mais altura na frente, com Fellaini e Chadli, dois jogadores na fasquia do 1,90 metros, acreditando que a superior envergadura física pudesse fazer diferença. E fez. Nas bolas paradas, o tamanho dos jogadores conta muito e a Bélgica chegou ao empate em dois pontapés de canto, com Fellaini a marcar o segundo.

Quando tudo apontava ao prolongamento surgiu a tal jogada antológica de contra-ataque, com Chadli a sprintar 90 metros de uma área à outra para para fazer o golo. De um canto contra a Bélgica, o guarda-redes Courtois fez correr a bola à frente de De Bruyne durante 60 metros, este abriu na direita em Meunier que cruzou para a área, Lukaku simulou e Chadli concluiu. 

Pela primeira vez na história do Mundial, dois substitutos da mesma equipa marcaram golos na fase eliminatória. Com esta reviravolta igualmente inédita na história dos Mundiais, de uma equipa que perdia por 0-2 a 22 minutos do fim, a Bélgica segue com o moral em alta para o confronto com o Brasil, mas tem de rever os processos defensivos.

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Apanha, cai, rebola, choraminga, mas levanta-se. Às vezes, não apanha realmente, mas cai, rebola, choraminga e levanta-se. E também há momentos em que provoca, cai, rebola, choraminga e levanta-se. No levantar, é que está o ganho de Neymar, pois de cada vez que ele se ergue, como um sempre em pé, os adversários directos desmoralizam um pouco, vão perdendo paciência e acabam por ceder.

Hoje com o México foi, outra vez, assim. Neymar voltou a sofrer um número infame de seis faltas, foi agredido impunemente por Layún fora das quatro linhas, mas ditou mais uma inevitável eliminação do México nos oitavos-de-final, com um golo e uma assistência.

A folha estatística de Neymar já mostra dois golos, dois passes decisivos e 23 faltas sofridas. Não apresenta o número exacto de quedas, rebolos e chorinhos que serão certamente mais de 30. Porque, tirando o exagero de algumas das suas reacções, não há memória de um jogador sofrer tanta pancada, jogo sim, jogo também. 

No começo da prova, o treinador Tite tinha avisado que o craque brasileiro precisaria de quatro ou cinco jogos para atingir a plenitude, depois de mais de três meses de paragem com uma grave lesão. A evolução ao longo da prova confirma essa previsão e ele apareceu hoje cada vez mais perto do seu melhor, bem acompanhado pela enorme subida de produção de Willian, compensando ambos o abatimento súbito e inesperado de Felipe Coutinho.

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O Mundial entrou na fase do empata-empata, outrora conhecida como do mata-mata. Ninguém quer perder e poucos têm capacidade de correr riscos para chegar ao triunfo. Os jogos transformam-se em exercícios de xadrez, com a proposta de empate sempre presente nas acções colectivas e nas directrizes dos treinadores. Muita cabeça, muita concentração, nada de erros - que o guarda-redes depois resolve nos penaltis.



E assim, depois do feito do russo Akinfeev, foi o croata Subasic quem acabou por vencer o dinamarquês Schmeichel, numa decisão em que foram defendidos cinco pontapés em nove. É desta forma que, provavelmente, se vai eleger o melhor guarda-redes do Mundial, depois de uma primeira fase em que nenhum brilhou a grande altura. A fase eliminatória tornou-se no tempo dos guarda-redes e as emoções extremas que os desempates provocam acabam por salvar os jogos.



Leio em outras línguas algumas referências elogiosas aos jogos de sábado em comparação com as xaropadas servidas no domingo. Quem criticou a lentidão e falta de criatividade da seleção portuguesa, contrapondo o futebol espectacular da Croácia, por exemplo, deve ter ficado à beira de cortar os pulsos.



Como dizia um filósofo antigo, “o futebol é isto mesmo”. Um jogo pode começar a todo o vapor, com dois golos no primeiros 4 minutos, e depois fechar-se numa concha e fingir-se de morto até à hora do desempate final. Muita gente por esse mundo fora deve ter dormido uma bela sesta, embalada por narradores e comentadores monocórdicos, para acordar fresquinha a tempo das grandes emoções dos penaltis.



Do Croácia-Dinamarca recordaremos apenas os lançamentos laterais de Knudsen, autêntico mestre do arremesso, capaz de colocar a bola a mais de 40 metros, do que, aliás, resultou o golo nórdico. E, claro, o penalti roubado por Schmeichel a Modric, a minutos do final do prolongamento, dando o mote para o que iria acontecer pouco depois.

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