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  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





O país está em alvoroço perante a possibilidade de algum grande clube europeu aceitar pagar 120 milhões de euros pelo jovem João Félix. No espaço mediático acotovelam-se para chegar aos microfones os que entendem a cláusula de rescisão com o Benfica como um exagero que pode fazer perigar o equilíbrio financeiro dos Manchesteres e dos Barcelonas desta vida.

Por um lado, a saída do jovem jogador tornava o Benfica menos forte, o que seria bom. Mas, por outro, forrar-lhe-ia os cofres com a fabulosa liquidez de acesso aos catálogos “prime” para poder reforçar a equipa com bons jogadores, o que seria mau.

O jogador também divide opiniões. Há quem pense que mais um ano no Benfica lhe seria benéfico ao desenvolvimento em estabilidade. Mas há quem tema que nunca mais repita as performances deste ano ou que possa ser atingido por alguma filoxera e acabe por perder uma fortuna, ele próprio, porque o futebol é ocasião.

O Benfica ganhou muito dinheiro com a saída prematura de Renato Sanches, mas perdeu muito mais com o despacho de Bernardo Silva, por exemplo. Não há negócios indiscutíveis no mercado futebolístico.

Nesta quarta-feira, indiferente ao combate de agentes nos bastidores da bola, João Félix deve ter o baptismo internacional ao mais alto nível num ambiente que pode tornar-se hostil para um adolescente, diferenciado é certo, mas ainda um adolescente. É mais uma prova de fogo, um teste de carácter, mais uma linha na “check list” dos avaliadores.

Quando alinhar ao lado de Cristiano Ronaldo estaremos perante uma situação muito rara, uma passagem de testemunho em acção, que marca a vitalidade do futebol português actual, em particular para os que conseguem entender o recente fiasco da selecção de Sub-20 como um lamentável acidente de percurso de uma geração extraordinária.

Frente à Suiça, “lovers" e “haters”, é como se Cristiano pudesse ter jogado ao lado de Eusébio: desfrutemos.

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Estamos quase todos de acordo: a selecção nacional tem jogado melhor sem Cristiano Ronaldo do que no Mundial da Rússia, apenas três meses atrás. Com jogadores diferentes, novos, sem rotinas, com um sistema táctico alterado, apesar do número escasso de treinos - melhores exibições e melhores resultados.

O que aconteceu nestes quatro jogos, dois deles a contar para a primeira divisão da Liga das Nações, um empate com o vice-campeão mundial e três vitórias, 8-4 em golos, garante que há vida depois de Cristiano Ronaldo.

Mas não dá, para já, nenhuma ideia ou garantia do que será o resto da vida da selecção com Cristiano Ronaldo. Ele regressará em Março, a tempo das eliminatórias do Europeu e da Final Four da Liga das Nações, para retomar o seu posto, de que nenhuma equipa pode abdicar.

Ninguém em seu perfeito juízo poderá imaginar que a equipa fique pior, mas o desafio da reintegração é tremendo, em particular para Fernando Santos. Mantendo o 4x3x3 ou regressando ao 4x4x2 do Mundial? Com liberdade criativa para as outras unidades ofensivas ou regressando à dependência obsessiva de Cristiano como finalizador?

O final da carreira do madeirense não está no horizonte e pode chegar apenas depois de 2022, compreendendo ainda dois ciclos de torneios maiores, um Europeu e outro Mundial. Mas é necessário que todos se orientem no sentido de a equipa depender cada vez menos da capacidade e do génio dele, cabendo ao próprio Cristiano ser o primeiro a reconhecê-lo e a abrir pistas para a melhor solução.

Para já, está em causa a cedência do lugar de avançado-centro no sistema actual, com sacrifício de André Silva, que já é um dos melhores da história da selecção, ou algo de mais vasto com a anulação de um dos médios interiores e o regresso a dois atacantes móveis, como foi utilizado sem grande sucesso no Mundial.

Em Março, veremos qual a solução pensada por Fernando Santos, sob a enorme pressão de manter o nível dos resultados, em particular se a Final Four de Junho (com Portugal, claro!) se disputar em Lisboa ou Porto.

Extraordinário futebol este, em que se pode discutir o papel a desenrolar pelo melhor jogador do Mundo!

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Os editores da imprensa e televisão portuguesas estiveram quatro dias em negação, mas começaram hoje a dar crédito às acusações de violação sexual a Cristiano Ronaldo contra uma cidadã de Las Vegas. 

As primeiras reacções, que eu mesmo ouvi na sexta-feira, ao surgir a notícia no Der Spiegel, foram eloquentes: “isso é antigo, tudo treta” ou “quem quer aparecer basta falar no CR7”.
Ora, a meu ver, não se trata de uma questão de culpabilidade de Cristiano nem mesmo de credibilidade da vítima, respeitando-se a presunção de inocência, mas sim de danos reputacionais graves, em primeira instância.
Já vimos, no auge da campanha #metoo, o que este tipo de acusação pode provocar aos acusados em termos de prejuízo social e profissional. As primeiras páginas do Público e do i, de hoje, e as chamadas cada vez mais pormenorizadas nas televisões levam-nos para essa área terrível, a da dúvida, que irrompe como erva daninha e se propaga, imparável, durante o longo tempo da Justiça.
O nosso herói que gosta de passar férias em Los Angeles e Las Vegas (quem não gosta?) foi contaminado pela praga de Hollywood. É bizarro, para quem já tenha estado lá, imaginar um crime de assédio sexual na Strip ou em qualquer hotel-casino de Las Vegas, mas a caça às celebridades recomenda-lhes o máximo de cuidado.
Mesmo que não queiram acreditar, os admiradores interrogam-se: também tu, Cristiano?
Este caso pode transformar-se numa mina para os meios de comunicação e, como logo me pareceu, é a reputação social do melhor jogador do Mundo que está ameaçada, à semelhança do que aconteceu com o seu conflito com o Fisco espanhol, que acabou por conduzi-lo à decisão de abandonar o Real Madrid. Até para um dos homens mais poderosos do Mundo, a luta contra a hipocrisia pode tornar-se desigual, quando lhe começarem a faltar os golos e a clarividência dentro dos campos de futebol.
Um dia, a vida extra-futebol de Cristiano Ronaldo será um muito interessante caso de estudo, em particular no que diz respeito à sua relação com os media, muito aberta, mas também muito artificial e cheia de alçapões e tabus: a clássica história do monstro que se vira contra o criador.
Mesmo em crise, os media nunca perdem, têm sempre a última palavra.

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