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  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...





Dos dois jogadores que o futebol português tinha para oferecer no primeiro mercado internacional deste verão, um terá atingido o valor astronómico da cláusula de rescisão e o outro é mantido num limbo de falta de interesse que começa a exasperar. Assistimos a uma espécie de “derby” do mercado, em que o Benfica está a vencer o Sporting, quando faltam ainda mais de dois meses de jogo e, sobretudo, falta liquidez em circulação para desatar uma série de negócios que estão alinhavados há muito.

Dir-se-á que é uma relação normal de oferta e procura, em que o saber esperar pela melhor oportunidade também conta, mas há quem atribua a espera à falta de boas relações com determinado agente ou às opções de comunicação do respectivo clube. Segundo esta teoria, Bruno Fernandes ainda não foi vendido porque, sem a intermediação de Jorge Mendes e mais visibilidade nos media, ninguém leva a sério a sua capacidade de garantir um golo por jogo, entre finalizações e passes decisivos, que fizeram dele um dos melhores médios de ataque da Europa.

Para calafetar esta brecha de raciocínio, sugere-se mais e melhor promoção dos jogadores que se pretende vender. Sim, porque se não fosse a propaganda da imprensa e televisões nacionais, que esgotam as suas edições internacionais por essa Europa fora, nunca o Atlético de Madrid ou o Manchester City aceitariam pagar 120 milhões por João Félix: sem a fortíssima propaganda do Benfica, ele não valeria mais do que os 15 milhões da chamada “taxa Mendes”.

Existe uma casta de inteligentes na área da informação, a maioria dos quais desaguou no parasitismo das agências de comunicação, que confina a diferença entre sucesso e insucesso ao dinheiro que se “investe” nos seus serviços: para o bem ou para o mal, a culpa é do mensageiro.

Dizem que vendem presidentes da República e agora parece que pensam que também vendem jogadores de futebol. Os “scouters”, os “labs”, os treinadores, os dirigentes profissionais e os relatórios de anos e anos de análise a jovens com mais de dez anos de competições internacionais contam pouco quando comparados com a força de meia dúzia de manchetes “fabricadas” pelos influenciadores da imprensa desportiva.

De Jong foi do Ajax para o Barcelona por 85 milhões graças à óbvia facilidade de leitura dos catalães quando se trata de jornais e televisões neerlandesas. Os alemães de Munique deliraram de tal forma com as promoções da imprensa de Madrid sobre Lucas Hernandez que aceitaram pagar 70 milhões por um defesa. No sentido inverso, a Madrid chegou fortíssima a propaganda alemã (e talvez servo-croata) sobre Luca Jovic .

Sem esquecer o Éder Militão e a receptividade dos decisores madrilenos aos nossos falantes de portunhol!

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     O Captain ! my Captain ! our fearful trip is done;

    The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won;

    The port is near, the bell I hear, the people are exulting…

 

    Ó Capitão, meu capitão! Terminada está a terrível jornada,

    Vencidas todas as tormentas, está conquistado o prémio que buscamos

    O porto está à vista, já ouço o sino e como o povo exulta…

 

Longe de mim ousar traduzir Walt Whitman, o grande poeta do sonho americano, mas não podia deixar de me lembrar deste marco da literatura perante o pequeno dilema sportinguista com a questão dos capitães da nova equipa - a dramática sucessão de Rui Patrício e William Carvalho, que, tal como na descrição do poeta, também “tombaram, frios e mortos” no convés, lutando contra as adversidades.

É um bom sinal que, mesmo assim, a terrível tempestade esteja ultrapassada, que a grande nau esteja a chegar a bom porto, olhos postos na recompensa, com o povo em festa e os sinos a repicar. E que se possa tranquilamente entregá-la a novos capitães.

É o Sporting verdadeiro a regressar da aventura mais perigosa, com mazelas, mas são e salvo. Com renovadas e frescas lideranças, como é necessário depois de cada acidente de percurso.

Nani é consensual pelo estatuto e pela ligação umbilical e não deve tardar a assumir-se como líder do balneário.

Mais complicado é o reconhecimento de Bruno Fernandes: nem estatuto, nem histórico de clube, apesar de ser o melhor valor individual do plantel. Não é consensual fora do balneário, por causa dos acontecimentos do defeso, mas o treinador procura insuflar-lhe confiança e responsabilidade com a maior brevidade.

Coates é um jogador admirado, mas muito discreto. Se tem perfil de capitão, só a equipa sabe, mas nesta fase de exteriorizar uma atitude impositiva e de força, talvez não seja o mais indicado.

Mathieu será outra possibilidade, na mesma linha discreta de Coates, como jogador estrangeiro que defende prioritariamente a sua posição e a sua carreira, sem aprofundar a ligação ao clube.

E, finalmente, Bas Dost, que pode ter a vantagem de ser o dissidente com maior aceitação no coração leonino, assim recomece rapidamente a marcar golos. É também o jogador de maior prestígio internacional, a par de Nani.

Como diriam em outros clubes de poetas, “Sporting, Carpe Diem”.

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A recontratação de Bruno Fernandes pelo Sporting, com custos duplicados, está a dividir uma parte dos adeptos do clube, que não consideram que ameaças, agressões e pressão psicológica sejam factores que perturbem a alegre vida de profissional de futebol pago principescamente.

Com o novo contrato, Bruno Fernandes doa os seus “órgãos”, físicos e psicológicos, à catarse leonina, atraindo toda a animosidade decorrente de eventuais frustrações desportivas e, simultaneamente, libertando o resto da equipa dessa mesma pressão.

Depois de ter passado de ídolo a traidor, candidata-se agora a acabar como mártir. E isso tem um preço. 

Ele foi dos primeiros a reagir ao 15 de Maio, quando ainda no balneário de Alcochete deu instruções à família para preparar a fuga para o norte. Rescindiu o contrato. Ingressou no estágio da selecção e disputou o mundial. Ao regressar a Lisboa reabriu a porta ao Sporting. Com negociações inteligentes chegou a acordo para regressar. E agora divide os que não pagam a traidores dos que vêem um Sporting mais forte, reforçado com o melhor jogador da Liga passada.

Os primeiros jogos de Bruno Fernandes constituirão autênticos crash-tests à personalidade do jogador. Já mostrou que tem uma forte mentalidade e olha para o futuro com um sentimento positivo, focado no que consegue fazer bem e consciente de que o jogo de futebol é por natureza errático, com mais desperdícios do que sucessos. 

Ao longo dos últimos dois meses, ter-se-á mentalizado para enfrentar vaias e assobios, insultos de toda a ordem e muita desconfiança e animosidade, na fase inicial da nova vida. E que só conseguiria fazê-lo mediante uma revisão em alta dos seus salários e prémios.

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