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Bruno Fernandes completa amanhã apenas 25 anos e, compreensivelmente, a idade, relacionada com o preço elevado, não tem sido colocada como um possível factor da rejeição do grande mercado europeu. Mas pode ser, por incrível que pareça: o capitão do Sporting é um jovem para o futebol, mas já teria passado da idade para ser um investimento lucrativo.
Sobre este assunto, esta semana, a revista The Economist publicou um estudo sobre a contratação de jogadores sul-americanos pelos clubes europeus que aponta a mesma linha de comportamento do mercado: menos jogadores contratados e cada vez mais jovens e mais baratos, visando a segunda venda, como fazem há muito Benfica e FC Porto com enorme rendimento.
O calculismo dos decisores transporta-os para o possível lucro das transações seguintes e quanto mais velho for um jogador, menos possibilidades existem de vir a gerar mais-valias futuras. O que vai ler a seguir podia respeitar a tijolos ou batatas, mas é de homens e profissionais que se trata, no mundo-cão do futebol indústria.
Desde 2010, a média de idades dos jogadores mais caros dos mercados de verão desceu de mais de 25 anos para menos de 24. Pelo segundo ano consecutivo, o mais valioso do mercado foi um adolescente, João Félix a seguir a Mbappé. A diferença da avaliação de Félix justifica-se pela expectativa de valorização: aos 19 anos é plausível assinar um contrato de sete temporadas e ainda projectar uma valorização substancial durante esse período, ou pelo menos não perder dinheiro. Neymar e Pogba não tiveram compradores porque já não valem o que custaram aos clubes actuais, passaram da categoria de “investimento lucrativo” para a de “custo tóxico”.
Os brasileiros não entendem como o mercado europeu ignora Everton Cebolinha, o melhor jogador da Copa América, e prefere Martinelli, um jovem desconhecido do interior de São Paulo. Everton tem apenas 23 anos mas já custaria 50 milhões e é considerado de “alto risco”, Martinelli tem 18, veio para o Arsenal por sete milhões e é visto como uma “grande oportunidade”. Entre dois jogadores de capacidades desportivas teoricamente semelhantes, o gestor escolhe o mais jovem porque a experiência passou a valer menos, sendo mais dispendiosa, do que a novidade.
De todos os jogadores transacionados este ano acima dos 70 milhões desejados para Bruno Fernandes, apenas Griezman, Hazard e Maguire são mais velhos que o capitão do Sporting - sem dúvida justificado pelo alto nível internacional que atingiram e pela concorrência na procura. O francês seria o melhor avançado europeu, o belga é o melhor médio-ala e o inglês beneficiou de valor inflacionado pela saúde financeira da Premier League. Todos os outros (de Ligt, de Jong, Lucas Hernandez, Pepe, Rodri), são mais jovens e estão longe de terem atingido o máximo das suas capacidades desportivas.
A última vez que um português fora o mais caro do mercado, em 2009, Cristiano Ronaldo já tinha 24 anos, mas era o segundo mais jovem dessa elite, apenas superado por Benzema, então com 21.
A questão que tenho colocado há meses sobre as razões para Bruno Fernandes ainda permanecer no Sporting fixa-se neste ponto: não tendo, até agora, qualquer relevância no futebol internacional, a nível de clube ou da selecção, que mais-valias pode garantir a partir de um investimento de 70 milhões de euros, que expectativas pode gerar ao comprador?
Os próximos meses serão decisivos, particularmente ao serviço da selecção, para o preço de Bruno Fernandes poder dar esse salto da fasquia dos 30 milhões para a dos desejados 70, ou seja, superar a influência, as estatísticas e o carisma de Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva e João Félix e garantir num quadro de maior exigência os mesmos números e a eficácia que tem alcançado no Sporting. É um enorme desafio.

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E pronto. Quatro horas da tarde no meridiano de Greenwich e a proposta que o Manchester United estava “a preparar” por Bruno Fernandes não chegou a Alvalade. Neste tempo em que os jornalistas dão as notícias e depois ficam à espera que se confirmem, esta era claramente exagerada, apesar de repetida exaustiva e diariamente ao longo de cinco semanas. Exagerada a notícia e exagerados os valores pretendidos.
Nem o milagreiro Jorge Mendes conseguiu vender Bruno Fernandes pelos números sonhados pelo Sporting, ao ser arregimentado tardiamente e quando os cavalinhos e girafas do seu carrossel já estavam montados e sem dinheiro para mais voltinhas. Nem pela moeda oficial da Gestifute, os famosos “mendilhões”, o negócio rodou.
O capitão do Sporting não está sozinho, não foi caso isolado. Neymar, Pogba, Bale, Coutinho, Milinkovic-Savic, Dybala e Eriksen, todos candidatos a transferências milionárias num valor global projectado próximo dos mil milhões de euros, continuam na sala de embarque à espera que alguém se condoa da chatice das suas vidas nos clubes onde não se sentem bem. Aguentem firme.
Se pensarmos nos 10 por cento dos Mendes e Raiolas desta engrenagem, podemos calcular que haja por aí muita gente com as férias estragadas, em esforço extra para gerar uma nova onda de loucura, antes de setembro, na Europa sem Inglaterra.
Bruno Fernandes e o Sporting voltam-se agora para este segundo mercado, de valores significativamente mais baixos. Só restarão meia dúzia de clubes capazes de pagar 50 milhões por um jogador (Real, Atlético, Barcelona, Paris SG e Juventus, Inter), mas nenhum deles tem o português no azimute. O bluff de Frederico Varandas não virou a mesa.
Milhares de portugueses interrogam-se sobre a falta de interesse do mercado internacional por Bruno Fernandes. Não entendem que os grandes compradores de jogadores adolescentes com poucas provas dadas por verbas exorbitantes optem pela sensatez quando se trata de atletas experientes e de alto rendimento regular. E este primeiro grande fracasso de Jorge Mendes ainda engrossa o pessimismo e o temor de mais conspiração contra o Sporting e a sua recuperação.
O baixo sucesso dos jogadores portugueses que emigraram depois dos 24 anos por verbas elevadas pode ser um dos motivos desta desconfiança. Há a consciência, controversa mas real, de que Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo ou Bernardo Silva não teriam chegado ao topo se não tivessem emigrado tão cedo para ambientes muito mais competitivos e exigentes.
Um investimento de 50 milhões num jogador de 25 anos dificilmente gera retorno financeiro, crescendo a tendência para deixar terminar os contratos e sair a custo “zero”, como aconteceu este ano com os ex-portistas Herrera e Brahimi. Bruno Fernandes vai necessitar de repetir a época passada para voltar a valer metade da cláusula de rescisão, o que não deixa de constituir um teste aliciante para ele e para o clube, dando tempo ao superagente para montar uma operação que resgate honra e prestígio de todos os envolvidos.

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Dia após dia, há pelo menos três semanas, temos ouvido que o Manchester United está a preparar uma proposta, que a proposta chega dentro de dias, que os dirigentes do Sporting foram a Inglaterra, que Bruno Fernandes está de corpo e alma nos trabalhos de preparação da nova temporada leonina. É um sem-fim a rodar no éter enquanto não chega a hora que nunca mais chega.

Por piedade aos que sonham com uma venda milionária, ninguém se atreve a explicar que simplesmente não há dinheiro para comprar o melhor jogador da Liga portuguesa por valores semelhantes ou acima do que custaram De Jong, Kovacic, Ndombelé, Tielemans, ou mesmo o dobro de Fornals, Sarabia, Vlasic ou Lo Celso.

Para uma grande transferência ser possível é preciso fazer convergir o valor real, o preço na etiqueta e o dinheiro disponível - e neste caso as duas primeiras condições não se acertam e a terceira está claramente em falta. Já se percebeu em várias operações, incluindo as mais chorudas, de João Félix e Griezmann, que a falta de liquidez atrapalha até os mais poderosos.

Mesmo após a actualização do valor de Bruno Fernandes no final da época passada para 55 milhões no site de referência transfermarkt, cinco vezes mais que há um ano e já entre os 100 mais custosos do Mundo, os mercados internacionais continuam em negação, reservando-o eventualmente para uma época de saldos ou de vendas forçadas, mais perto do fecho deste período. E está longe de ser o médio de ataque mais desejado: Eriksen, Dele Alli, Havertz,  Fekir, Isco, James Rodriguez ou van de Beek são concorrentes directos e com mais procura.

O melhor jogador do campeonato português nunca foi considerado prioritário nem causou qualquer corrida desenfreada e só poderia entrar no primeiro mercado europeu depois de Neymar, Pogba ou Bale serem transaccionados e insuflarem liquidez nos possíveis compradores, em particular o Manchester United. Outra dificuldade, porém, é que estes “centenários” também estão cotados muito acima do que valem realmente para os treinadores e, no fundo, colocados na mesma prateleira do capitão do Sporting, à espera que os apertos do final do prazo façam cair drasticamente os preços para o valor real perceptível, talvez menos de metade do que está a ser pedido por qualquer um.

São muito poucos os clubes europeus que podem pagar 50 milhões por um futebolista e quase todos já o fizeram neste defeso. Por 70 ou 80 milhões, como gostaria o Sporting, parece impossível.

Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Bayern, Dortmund, Manchester City, Manchester United, Tottenham e Juventus já realizaram as suas compras acima dessa fasquia e só poderão fazer outras depois de vendas que tardam em conseguir concretizar.

Restam Paris SG, Liverpool, Arsenal e Inter com algum “desafogo”, mas todos fortemente apertados pelo controlo financeiro, sem esquecer os impedidos de comprar ou sem acesso aos fundos da UEFA, como Chelsea ou Milan.

Até a antecipação financeira das receitas da Champions ainda depende da definição do quadro final de participantes e da repartição das quotas de mercado televisivo, processo que também só fica concluído no final de Agosto.

E é este o problema de Bruno Fernandes. Teria mercado “fácil” por uma verba até aos 35 milhões da cláusula base do seu acordo com o Sporting, mas parece sem crédito entre os poucos que podem pagar muito acima disso. Como na fábula da raposa e das uvas, “está verde…”

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