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Portugal acompanha a Argentina, Cristiano Ronaldo acompanha Messi, a FIFA garante o rejuvenescimento das suas galas de fim de ano. Usando uma imagem de Fernando Santos, saem do palco os dois grandes violinistas do futebol contemporâneo, e fica a orquestra uruguaia que tem mais bombos do que violinistas, é certo, mas muito bem afinada.



O seleccionador esperou até ao intervalo para mudar o sistema de jogo e libertar Bernardo Silva, o qual acabou por transformar-se no líder de ataque que a equipa nunca tinha conhecido desde o começo do Mundial, por razões tácticas. Talvez o erro maior desta campanha tenha sido esse mesmo: obrigar o violinista Bernardo a tocar bombo, horas a fio. Mas não chegou, porque os outros violinistas ficaram sem palheta.



Na selecção portuguesa, fez-se ouvir bem forte o bombo de Pepe e em geral Portugal foi melhor do que o Uruguai em luta, pressão e esforço, mas perdeu claramente em inteligência de jogo, ao sofrer a derrota na sua fase melhor e mais confiante de toda a competição, a segunda parte deste último jogo.



Desde 1966 e do célebre jogo com a Coreia do Norte, em que virou uma derrota de 0-3 para 5-3, Portugal perdeu consecutivamente todos os jogos de fases finais de Mundiais em que começou a perder: hoje foi o décimo em tal aconteceu, apesar da raridade de ainda ter conseguido empatar por alguns minutos. E o tempo que Fernando Santos demorou a reagir, depois do primeiro golo logo aos 7 minutos, deixa-nos pensar que, erradamente, essa tendência catastrofista não foi tida devidamente em conta.

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Fernando Santos deixou-se levar pela excelente época de Gonçalo Guedes em Valência e pelas boas indicações dos jogos de preparação para desfazer a dúvida sobre quem devia acompanhar Cristiano Ronaldo na frente de ataque, deixando de fora André Silva que, pelo contrário, estava a terminar a pior época da carreira, sem conseguir impor-se em Milão. Fez sentido a decisão, apesar do excelente entendimento que o ex-portista alcançou com Cristiano Ronaldo traduzida numa média de golos próxima dos recordes de Pauleta (um golo pelo menos a cada dois jogos).

O facto de o primeiro adversário ser a Espanha também pesou, pelo conhecimento de Guedes após uma época na Liga e, sobretudo, pela necessidade de um plano de jogo mais conservador e mais virado para o ataque rápido.

Esta ideia não atingiu o rendimento esperado, falhando quase por completo frente a Marrocos, por falta de intensidade ofensiva geral, e André Silva regressou frente ao Irão, acompanhado de Quaresma, num reconhecimento de que a necessidade de defender e manter a organização também arruinou as esperanças de que Bernardo Silva, no flanco direito, pudesse ser o desequilibrador do Manchester City, onde beneficia de um espaço de trabalho mais reduzido.

Nem Bernardo Silva está talhado para tanto trabalho contínuo, que implica perda da frescura física que assegura as suas acções repentinas e o equilíbrio necessário nos momentos a seguir ao drible em que define os lances - em dois jogos a titular fez apenas um drible e sete desarmes, absolutamente o contrário do que seria expectável e normal.

Nem Gonçalo Guedes está talhado para percorrer longos espaços sem o apoio de um avançado de referência que o ajude nos últimos 20 metros - ficando-se por uma única situação de cara a cara com o guarda-redes, lançado por Cristiano, em contraste com as dezenas em que esteve envolvido no campeonato espanhol.

Nem André Silva consegue oferecer, de momento, uma contundência ofensiva que permita pensar que os golos de Portugal passem pelos seus pés. Não a este nível, pelo menos.

Frente ao Uruguai e uma dificuldade previsível semelhante à Espanha, Fernando Santos poderia estar tentado a voltar ao esquema do primeiro jogo, com quatro médios, embora com Adrien em vez de Bruno Fernandes e João Mário no lugar de Bernardo, o que aumenta a coesão de um sector que ainda não deu à equipa o que ela precisa na fase de chegar rapidamente à entrada da área. O Uruguai tem uma defesa mais firme e dura que a Espanha, mas tem igualmente um meio-campo com dificuldade de apoiar de perto os dois fantásticos pontas-de-lança, o que motivou mudanças significativas no terceiro jogo, com o adiantamento de Bentancour. 

Tudo pesado, a juventude versus a experiência, a dificuldade versus a confiança, poderíamos ter frente ao Uruguai, além de uma superioridade a meio-campo, até em número de jogadores do núcleo central, o regresso a um ataque cirúrgico e eficiente, apenas com os dois mais velhos, Cristiano e Quaresma.

Bernardo, Gonçalo, André (e Bruno Fernandes) são o futuro, mas este Mundial é o presente. Em função do que se tem visto, a minha equipa seria:

Rui Patrício

Cedric, Pepe, Fonte e Guerreiro

Adrien, William Carvalho, Moutinho e João Mário

Quaresma e Cristiano 

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Oscar Tabarez: 4 Mundiais, 4 qualificações para os oitavos

Se havia dúvidas do diferencial entre Rússia e Uruguai, os sul-americanos fizeram questão de as dissolver e não se pouparam a fazer evoluir a sua consistência colectiva, com vários jogadores a saírem do banco, na primeira oportunidade, para baralhar as ideias ao seleccionador.

Oscar Tabarez aparenta estar cada vez mais debilitado pela doença rara que lhe tolhe os movimentos, mas demonstra um enorme poder de controlo da situação. Como se a fragilidade do velho timoneiro, amparado numa muleta, ainda exigisse mais entrega a uma equipa tradicionalmente lutadora e ambiciosa.

Obviamente a mudança não foi para uma defesa a 3, que alguns anteciparam ao verem Coates e Cáceres com Godin, descansando Jimenez, mas sim para uma alteração no meio-campo, capaz de aproximar mais apoio central aos dois pontas-de-lança, e também com a estreia do lateral Laxalt, igualmente mais ofensivo e responsável pelo segundo golo de hoje.

No meio-campo, com a novidade do novo recruta do Arsenal, Lucas Torreira, ao centro, o talentoso Bentancur pôde actuar mais adiante e foi possível ver um Uruguai mais agressivo no ataque, apesar das dificuldades de Cavani para acertar com a bola e com a baliza - o que veio a conseguir à beira do fim, para fazer o terceiro golo e devolver a Rússia à realidade.

O Uruguai passou a atacar com três, mas continua sem marcar em lances de bola corrida, porque a inferioridade numérica nos últimos 30 metros ainda se notou.

Todos os 5 golos apontados no Mundial nasceram de lances tácticos: um de livre directo, outro na sequência de um livre lateral e três em pontapés de canto. Mas o facto é que, depois de dois jogos de 1-0, a experiência de hoje mostrou-se mais eficaz: o losango rendeu três golos frente ao adversário mais forte.

Por outro lado, a defesa é intratável e não sofreu qualquer golo em três partidas, e sem ter tido até agora necessidade de recorrer a Maxi Pereira, cuja extrema agressividade bem conhecemos em Portugal. E quer Jimenez (que já marcou) quer Godin (que deu origem ao 3.º golo de hoje) ainda jogam um papel fundamental nos lances ofensivos de bola parada.

Psicologicamente o momento é o melhor de sempre: nunca tinha vencido os três jogos da fase de grupos.

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