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Não que as notícias da queda anunciada de Lionel Messi e da Argentina fossem exageradas, mas nunca se pode negligenciar o factor histórico. As grandes equipas contam muitas vezes com uma pequena vantagem que advém do seu passado e do respeito que inspiram aos adversários, aos árbitros e ao cenário das grandes batalhas.

E foi assim que a Argentina derrubou a Nigéria mais uma vez: cinco vitórias, 100 por cento de triunfos, naquele que é o confronto mais vezes realizado na história dos Mundiais; uma decisão arbitral contra a jurisprudência do campeonato; e um estádio transformado em barra brava com Maradona como chefe de claque. Impossível resistir.

Com o relógio a aproximar-se do fim, a Nigéria sofreu um ataque de ansiedade perante a a decisão do árbitro turco Çakir, uma velha peça, que pela primeira vez deu nega ao VAR num lance de possível pênalti. A mão de Rojo foi em tudo semelhante à de Cedric frente ao Irão e à de Poulsen no Dinamarca-Austrália, talvez até mais clara porque o argentino não estava pressionado por adversários, mas desta vez o árbitro contrariou o video-árbitro. Respeitou o protocolo, mas contrariou duas decisões anteriores, o que não abona a favor do VAR.

A Nigéria estava a fazer um jogo muito bom, desperdiçou duas oportunidades de fazer o 2-1, mas descompôs-se perante a última vaga argentina, que atacou com tudo: Aguero ao lado de Higuain, dois extremos, Lionel Messi por todo o lado e um defesa central, Rojo, a fazer o golo no centro da área. Curiosamente, há quatro anos, também tinha sido Rojo a marcar o golo da vitória da Argentina sobre a Nigéria, então por 3-2.

Com Sampaoli discreto, escondendo as tatuagens dentro de um fato de treino atafulhado até ao queixo, a Argentina regressou ao 4x3x3 e realizou o seu melhor jogo, apesar do sofrimento de todo a segunda parte. A diferença esteve na incorporação de Banega, que libertou Messi do fardo de carregar a equipa nas costas e ainda colocou o capitão na frente da baliza para finalmente, após 24 remates a seco desde esse jogo com a Nigéria em 2014, voltar a marcar num Mundial.

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A Nigéria devolveu a esperança à Argentina, ao derrotar a Islândia por 2-0. Com Ahmed Musa (que actua na Rússia há vários anos) a bisar em dois soberbos lances de contra-ataque, a qualidade ofensiva e velocidade dos africanos não atenuarão os pesadelos de Messi e companheiros nos dias que faltam até 3.ª feira.

Lembro-me do Nigéria-Argentina de 1994, faz 4.ª feira 24 anos, em que Claudio Caniggia marcou dois golos para virar um jogo que começara mal. Foi o último jogo internacional de Diego Maradona, cujo controlo antidoping acusou a toma de um cocktail de cinco estimulantes que, em cima de uma suspensão anterior de 15 meses por uso de cocaína, veio a ditar o fim da sua carreira ímpar. Apesar da vitória nesse jogo, a Argentina só seguiu em frente por ter sido a melhor terceira classificada do grupo (no último Mundial de 24), pois, já sem Maradona, foi atropelada pela Bulgária e perdeu com a Roménia nos oitavos-de-final.
Por razões diferentes, o próximo Nigéria-Argentina também pode passar à história como o último jogo internacional de Lionel Messi, se não conseguir derrotar as super águias.
Do que se viu hoje, descontando o esvaziamento do grande balão islandês, não fica muita margem para a esperança argentina, embora a equipa cometa alguns erros na retaguarda e tenha um guarda-redes imberbe.
As hipóteses argentinas dependem também de a Islândia não vencer a Croácia, mas aqui há mais motivos para terem optimismo.

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A Argentina não devia ter participado neste Mundial. Apenas se qualificou à última hora graças a um estertor final de Lionel Messi, no derradeiro jogo com o Equador, mas nunca se percebeu a lógica do trabalho de Jorge Sampaoli, severamente posto em causa pelas goleadas sofridas nos jogos de preparação que se seguiram, com a Nigéria (curiosamente o próximo adversário no Mundial) e, especialmente, com a Espanha, em Março, por 1-6.

A despedida de Lionel Messi (tirando as possibilidades matemáticas ainda de pé), frente à super Croácia, foi penosa. Não há memória de um jogo em que Messi não tenha conseguido fazer um remate à baliza nem qualquer jogada de definição.
Foi mau de mais, por várias razões:
1 - a desarrumação de ideias, que levou o treinador a alterar o sistema tático do primeiro jogo, de quatro para três defesas, transmitindo a ideia de que chegou ao Mundial sem um plano consolidado.
2 - as ausências por lesão de última hora do guarda-redes Romero e do médio Lanzini, que agravaram os problemas de organização defensiva que já se conheciam dos últimos dois anos.
3 - a quantidade absurda de erros individuais, que culminaram na oferta do primeiro golo por Caballero, um guarda-redes sem nível de Mundial.
4 - a incapacidade de compatibilizar Messi com Dybala.
5 - a má forma de Higuain.
6 (mas não a menos importante) - a qualidade e determinação da Croácia, que apresentou melhores jogadores em todas as posições, com destaque para Modric, melhor n.º 10 da actualidade e autor de mais um golo fabuloso, acima de qualquer argentino, incluindo Messi.

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